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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

31
Mar13

Desafio Bloggers e Gravidez IV


Sofia Serrano


Há quem diga que trocar experiências é terapêutico. E que ajuda muito a perceber que cada gravidez, parto e puerpério são únicos.

Por isso, o Café, Canela & Chocolate continua o Desafio Bloggers e Gravidez - desta vez vamos conhecer a experiência da Luana do 
Little M, da Catarina, Dias de Uma Princesa, e da Pólo Norte, Mãegyever.





1- Gravidez normal ou de risco?

Luana, Little M -Normal
Catarina, Dias de Uma Princesa - Duas gravidezes completamente normais. No meu primeiro filho tinha 24 anos e aos 6 meses mandaram-me abrandar porque tinha muitas contrações e a tensão alta, mas em duas semanas voltei à ação. Do meu filho pequeno, gravidez aos 33 anos, só me lembrava que estava grávida porque estava enorme.
Pólo Norte, Mãegyever - De alto risco, desde o início.


2-Gravidez passada a trabalhar ou de repouso?

Luana, Little M - A trabalhar até às 28 semanas, quando o inchaço das pernas já não permitia que eu conseguisse realizar as mesmas tarefas.
Catarina, Dias de Uma Princesa - Trabalhei nas duas gravidezes o tempo todo. Quando estava grávida do Gonçalo ainda estava na faculdade e depois fiz um verão inteiro como coordenadora de campos de férias: andei de bicicleta, acampei… Na última gravidez como estava numa loja e a escrever, sentada e quieta, não me apetecia.
Pólo Norte, Mãegyever - A trabalhar uma média de 12 horas por dia, como era apanágio antes de engravidar, durante os primeiros cinco meses. Depois de um susto, em Maio, passei o resto da gravidez de repouso. Absoluto. O que para uma tipa hiperactiva foi osso duro de roer. Passei da conviccão de que a gravidez deveria acompanhar a minha vida normal para a constatação de que, afinal, a minha vida teria que se ajustar a uma gravidez. "Toma, embrulha e leva para casa".


3- Diga um alimento que deixou de conseguir comer durante a gravidez e um que se tornou mais apetecido.

Luana, Little M - Não deixei de comer nadinha. Aliás, era capaz até de comer tijolos. lol. Descobri o amor pelos doces, que antes não me diziam nada. Esta paixão ficou comigo.
Catarina, Dias de Uma Princesa -Não deixei de comer nada. Evito sempre as saladas em restaurantes que não conheço bem, mas faço o mesmo não estando grávida. Eu sou muito comilona e tenho, naturalmente, muitos desejos. A única coisa “estranha” é apetecer-me o sabor do vinagre.
Pólo Norte, Mãegyever - Durante os primeiros três meses deixei de comer tuuuudo. Até água eu vomitava. Uma alegria!
Sou uma gulosa até à quinta casa e, durante, a gravidez deixou de me apetecer comer doces. O açúcar enjoava-me. O pão também deixou de ser um alimento apetecível e, vai-se a ver, se não se comer doces nem pão, emagrece-se. Foi o que aconteceu comigo: nunca emagreci tanto e tão depressa como na gravidez. O meu metabolismo deve ser ficado todo choné.
Para tornar a coisa mais cómica só me apetecia comer fruta. E tomate.Eu- imagine-se!- que não sou nada do género de pessoas que faz uma alimentação regrada. Andava louca por comer tomate crú, não temperado, à dentada. Foi irónico porque, sem qualquer imposição ou esforço, a minha dieta passou a ser, de forma natural, super saudável e equilibrada. E isso reflectiu-se numa gravidez de 34 semanas, em que aumentei apenas 4,200 Kg. Correu mesmo, mesmo bem a questão alimentar!


4- Fez exercício durante a gravidez? Que tipo?

Luana, Little M - Não...uma ou outra caminhada, de longe a longe.
Catarina, Dias de Uma Princesa - Não. Ando sempre muito a pé e tento andar ainda mais.
Pólo Norte, Mãegyever - Sim: mapling, zapping e interneting. Mexia o rabo da cama para o sofá, do sofá para a cama e, de forma muito frequente- na loucura!- com desvios regulares em direcção à casa de banho. Os dedos foram, igualmente, muito exercitados com a prática no comando de televisão e no teclado do computador. Um must!


5- A gravidez fez com que mudasse hábitos do dia-a-dia?

Luana, Little M - Mudou muita coisa, porque a minha vida passou a girar à volta da comida e da bebé. Lol. A falar a sério mesmo, penso que só alterou a minha rotina mais para o final, quando eu já estava com uns bons 20kg a mais, e muito cansada.
Catarina, Dias de Uma Princesa - A única coisa que a gravidez muda é deixar de beber bebidas alcoólicas. Mas não bebo café, nem fumo, nem qualquer outra hábito incompatível.
Pólo Norte, Mãegyever - A culpa foi da minha família onde "a tua tia trabalhou até ao dia em que pariu a tua prima e ainda fez horas extra na fábrica porque estavam com um pico de trabalho" e " a tua bisavó pariu o teu avô no campo, enquanto debulhava milho, cortou o cordão umbilical com os dentes, embrulhou-o numa mantinha e quando o teu bisavô chegou a casa para almoçar já ela lá estava com o menino e o almoço na mesa!". Custou perceber que era " a flor de estufa" da família.
Quando me diziam que as minhas prioridades iriam mudar, eu acenava com a cabeça e não ligava. Mas mudaram, mesmo! Quando fiquei de repouso absoluto, a única coisa que queria era que a Ana nascesse bem, forte e saudável. Feliz, de preferência. E, embora tenha sempre confiado no ADN (eu e mámen somos uns fixes mesmo!) percebi mesmo que tinha que contribuir. Que tinha que parar de viver a minha vida grávida e aproveitar para viver a minha gravidez vivida! Com tempo, calma, sol, sonos em dia, músculos relaxados e sorrisos. Sem compromissos, outlooks, mails de clientes, chamadas e telefones sempre a tocar e stress. O futuro, o negócio, a carreira são importantes, com certeza. Mas a minha filha e a minha família passaram a estar acima de tudo isso.O futuro passou a ser a Ana, não as propostas, o CRM, as reuniões, a facturação.
Portanto, foi a hora de viver a minha gravidez a tempo inteiro e preparar a minha maternidade. Mudou tudo: passei a ser uma "full time pregnant". Deixei de trabalhar, deixei de poder sair de casa em horas de calor e por períodos prolongados, deixei de poder fazer qualquer tipo de esforço, durante uns meses deixei de poder praticar o sexo louco e desenfreado e passei a beber 3 litros de água por dia. Uma lindeza!


6 - Qual foi a coisa que mais gostou da gravidez?

Luana, Little M - Adorava ter a minha M cá dentro. Era um prazer indescritível. Falar com ela, cantar...nunca me vou esquecer daquela sensação. Para além disto, comer era algo absolutamente fantástico. Um prazer enorme mesmo.
Catarina, Dias de Uma Princesa - O primeiro mês depois de saber que estou grávida é detestável: enjoos indescritíveis. Depois adoro tudo. Sinto-me enorme e luminosa. Aquilo de que sinto sempre saudades é sentir o bebé.
Pólo Norte, Mãegyever - Foram duas coisas: a primeira parte-a da concepção, e a do fim- o parto. No meio foi engraçado descobrir que estava grávida, contar a novidade ao Mundo, ouvir o coração na ecografia pela primeira vez e sentir a bebé mexer-se na minha barriga. De resto, estar grávida foi, seguramente, uma experiência muito, muito pouco positiva. Estado de graça? No meu caso, estado de desgraça. Total.


7- Como foi o parto? Se pudesse escolher o tipo de parto, o que teria escolhido?

Luana, Little M - Por uma série de razões, não foi natural. A bebé não encaixou, não tive nenhuma dilatação, ela estava enrolada 2 vezes no cordão umbilical, e às 38 semanas, tive a placenta envelhecida e ela perdeu um pouco de peso. Ou seja, teve mesmo de nascer. Confesso que tinha dúvidas e tive muito medo da cirurgia, mas foi tudo mágico e gostei da experiência. E tive um pós-parto maravilhoso. Praticamente sem dores. Cheguei da maternidade, e já estava de gatas a arrumar tudo.
Catarina, Dias de Uma Princesa - Os meus dois partos foram muito intensos e felizes. O Gonçalo nasceu HGO, em Almada, sem epidural. Com direito a aventura porque previ ter no hospital do SAMS mas não havia cama, quando voltei para Almada a ponte estava cortada e fomos escoltados pela polícia. O pai do Gonçalo esteve sempre comigo, entre as primeiras contrações e o ter o Gonçalo no meu peito passaram 6 horas. O Afonso nasceu na MAC onde cheguei de táxi sozinha às 3h da manhã. Sem epidural mas muito consciente e a minha mãe ao meu lado nos últimos minutos. Nasceu às 5h da manhã e foi a experiência mais intensa da minha vida. Foi muito bonito. Se pudesse escolher queria exatamente os partos que tive mas queria quartos em total silêncio para passar os dois dias seguintes.
Pólo Norte, Mãegyever - O parto foi de cesariana electiva. Depois de duas pileonefrites, teve que ser provocado. A cesariana passou a ser uma realidade a partir da primeira pielonefrite e das infecções urinárias que se seguiram e que adivinhavam um desfecho preocupante. Na prática, a prioridade passou a ser deixar a bebé ganhar maior maturidade e maior peso para se poder proceder à cesariana e assim aconteceu, às 34 semanas, depois das injecções para induzir maturidade pulmonar. O parto foi fantástico, com ua anestesia ráqui (não posso levar epidural), com a melhor obstetra do Mundo (salvé Dra. Guilhermina Ladeira!) e uma experiência indescritível de boa. Um misto de alívio por ver cessar o período da gravidez e de deslumbramento por acolher a Ana.
Claro que se pudesse ter escolhido teria escolhido o parto natural mas, por antecedentes clínicos, desde sempre soube que nunca iria experenciar essa realidade, pelo que, nem sequer pensei nessa hipótese. Mas, claro, que a considero a situação ideal.


8- Era capaz de ter um parto em casa?


Luana, Little M - Não, não e não. Gosto da segurança, e seria incapaz de ter um bebé num sítio que não reunisse todas as condições para o receber da melhor forma.
Catarina, Dias de Uma Princesa - Seria incapaz de ter partos em casa. Primeiro, pode parecer coisa de malucos, mas ia estar sempre a pensar que estava a sujar tudo. Segundo porque nesses momento preciso de médicos à minha volta. Não quero que tornem o parto num momento frio mas preciso do ambiente hospitalar para estar tranquila.
Pólo Norte, Mãegyever - "Jamé, Salomé!". Eu sou pela medicina tradicional a mil por cento. Eu não conseguiria confiar numa doula nem numa enfermeira parteira (respeito em quem confia mas é uma solução que não me serve a mim). Talvez devido ao meu historial clínico eu só confio em médicos. E em hospitais, com pessoal especializado, com instrumentos, ferramentas e meios próprios e que só existem em ambiente hospital. Eu preciso de um ambiente hospitalar e de uma equipa clínica especializada para me sentir segura e confiante no momento do parto.
A ideia de ter um bebé em casa fascina-me tanto como a do pai assistir ao parto: zero. Para mim, o parto é um momento clínico (eu sei, é uma forma de pensar pouco romântica mas é a minha...), que diz respeito à mãe como emissor, ao bebé como receptor e à equipa médica como facilitador. Ir para casa? Só depois de verificar se tudo está em conformidade: choros, palmadas para chorar, índices de apgar devidamente confirmados, equipa de neonatologia a picar o ponto, enfermeiras a ajudarem, a ensinarem os primeiros cuidados básicos, primeira noite com uma campaínha pronta a poder ser tocada se houver alguma ansiedade e tudo e tudo.


9- Gravidez ou puerpério - o que é melhor?


Luana, Little M - Ambos. Tive bons e maus momentos durante as duas situações.
Catarina, Dias de Uma Princesa - São experiência incomparáveis. A gravidez é maravilhosa mas é um momento quase inconsciente, “está tudo bem porque te protejo”. O puerpério é um misto de sensações, entre o corpo cansado e estranho, o estado de paixão louca e o medo (eu fico com muito medo nos primeiro dias) que alguma coisa corra mal.
Pólo Norte, Mãegyever - Puerpério. Assim, sem pensar duas vezes. A maravilha de ter um bebé a sair-nos das entranhas. O medo de pernoitar pela primeira vez com um recém-nascido. A descoberta dos códigos de choro dos sinais, expressões faciais minúsculas. O interiorizar o ser mãe. A robustez de se solidificar uma família. Uma família parida por nós. A chegada a casa a três. O espelho de bolso a embaciar com o seu respirar e o ridículo do meu medo. O sono mais leve, o ouvido sintonizado com os seus lábios, o seu mais pequeno movimento. As minhas mãos a engolirem as suas. O seu cheiro a caramelo. A magia do primeiro sorriso. Os olhos mais abertos, mais valentes e mundanos, mais atentos e vivos. A confirmação que o amor nasce com ela e cresce com ela, também. A sua existência a fazer cada vez mais sentido. A novidade a passar ao conforto e à serenidade da rotina. A tentativa-erro da maternidade. A confiança a enxotar. devagarinho, o medo. A sua voz em experiência. Os seus olhos cada vez menos olhos, mais faróis. O sorriso direccionado, dedicado. O fascínio pelo som, pela música, pela minha voz. A firmeza do seu tronco, cada vez mais hirto, cada vez mais perto de dar flor. O mesmo cheiro a caramelo, talvez chocolate, doçura sem fim. O brincar com o corpo, o seguir cada movimento, o adormecer encostada, pele a pele, a mim, como se quiséssemos recuperar tempos embrionários. O respirar fundo quando se deita no meu colo, como se fosse uma esteira de amor. O crescimento medido com uma roda alimentar. A colher a lembrar-me que o amor vem aos pedaços. O primeiro Natal em que reencarnou na menina Jesus. As luzes e a magia do papel colorido. A ternura com que contagia todos e cada um. O cimentar da certeza que estávamos incompletos antes dela como se a vida fosse um puzzle menos colorido sem a nossa filha. O poder avassalador de uma gargalhada. O entendimento cada vez mais seguro e firme entre nós. O respirar fundo pela sensação de domínio na matéria, a segurança de que se ser mãe aprende-se rápido, sistematiza-se com facilidade e vive-se de forma cada vez mais inata e natural. Os seus olhos que podiam ser de leite mas são de maresia, agora é certo, olhos de Atlântico, das ilhas dos seus antepassados piratas. A magia das primeiras histórias de contar e o fascínio pela caixa de música que lhe deu uma fada. Uma fada-madrinha. O paladar acompanhado com a onomatopeia do prazer. O reconhecimento das caras familiares, a preferência por algumas pessoas. Os primeiros traços de personalidade a darem de si. O sair à mãe. O sair ao pai. O não sair a ninguém e a entrar, cada vez mais, em si. A expressão mais vincada, menos bebé. O cabelo a crescer, fios de oiro minhoto. O ser cada vez mais ela, mais inteira, mais nossa. A certeza de que aqui vai ser feliz. De que aqui nos faz felizes. O sentir no plural. O partilhar de todos os códigos, o conhecimento mútuo, as manhas, os vícios, os gostos, o conhecê-la de olhos fechados. A alegria ao acordar. As gargalhadas dobradas, sinos que nos chamam a celebrá-la. As mãos papudas, o nariz redondinho, os olhos que transbordam serenidade. A paz. A vi(n)da da Ana foi um dilúvio em nós. Um dilúvio de amor. E só passaram 7 meses...



10- Amamentou? Porquê?

Luana, Little M - Sim, por 4 meses. Para mim, era impensável que não o fizesse. Para além disto, adorei amamentar. Não tive problemas, e depois que apanhei o jeito, descobri que aqueles momentos eram únicos e de puro amor.
Catarina, Dias de Uma Princesa - Amamentei e amamento. Amamentei o Gonçalo até aos 14 meses. Desisti porque estava demasiado cansada e fui influenciada. Não foi por a maminha ter acabado que as noite se tornaram melhor... O Afonso tem 20 meses e ainda mama, mama muito. Amamentar é o resumo daquilo que sinto como mãe. É uma intimidade única. Acredito que amamentar é muito mais que dar o melhor alimento do mundo. De uma forma prática: é fácil de dar, é um alimento perfeito e cala-o em menos de dois segundos. Ah! E emagrece.
Pólo Norte, Mãegyever - Não. Preparados? Por opção. Pronto, já disse. Poupem-se as pessoas que estão já de dedos no teclado a quererem-me esclarecer sobre a cartilha de benefícios da amamentação que eu conheço de cor: o poderoso factor imunológico do leite materno, a vinculação (discutível a meu ver e olhem que eu sou psicóloga e o pai da cria pedopsicólogo, tá?) afectiva que se cria nos momentos de amamentação, a portabilidade e acessibilidade das mamas no que diz respeito ao transporte do leite, a melhoria do desenvolvimento neuro-psicomotor infantil e cognitivo, o possível aumento do QI (ainda bem que a minha mãe não me amamentou senão imaginem a sobredotada incompreendida que eu seria?!), a promoção de um melhor padrão cardio-respiratório durante a alimentação, a diminuição mais rápida do volume do útero e consequente emagrecimento por parte da mãe, o menor risco de hemorragia no pós-parto e, claro, o factor anticoncepcional da amamentação. Para não falar do factor economicista da coisa. Pronto, agora que vos provei que conheço, de cor, as vantagens da amamentação vou repetir: não amamentei por opção. E só teria mudado de ideias caso a obstetra me tivesse dito, peremptoriamente, que a vida da minha filha ficaria comprometida se não o fizesse. O que não foi o caso.
E, sim, poderia disfarçar e dizer que "não pude amamentar" e que tenho muito desgosto por isso. Que, assim que pari, tive que tomar um antibiótico fortíssimo para curar a pielonefrite que me ia matando e que, devido à gravidez, não pude tomar. E que não o poderia tomar se também tivesse amamentado. E esse argumento até é verdadeiro.
Mas a verdade, a verdadinha, é que nunca fiz intenções de amamentar. Por inúmeras razões que vão desde as fúteis e estéticas às de comodismo. Às de egocentrismo e incapacidade de abnegação total. Às de necessidade de não anular o meu bem estar emocional em troca de leite directamente vindo da fonte para a minha filha. E, porque, fundamentalmente, é uma decisão passiva de ser uma escolha e há alternativas em que eu acredito. E escolhia-as, conscientemente.
Eu própria não fui alimentada a mama (secou o leite à minha mãe) e sobrevivi à prematuridade, a 1600 Kg de peso à nascença, a uma doença gravíssima, a uma cirurgia com 15 dias de idade no Hospital Pediátrico de Coimbra (salvé, Dr. Torrado da Silva!) porque na Estefânia se recusaram a operar-me e a uma meningite no pós-operatório. Tirando as sequelas que ficaram (ortopédicas e urológicas) eu sou aquela que nunca ficou constipada, nunca teve uma dor de ouvidos ou garganta. Sou a pessoa mais resistente que possam imaginar! Quanto à vinculação com a minha mãe? Esta dispensa explicações.
Resumindo: eu sou a prova provada que, embora o leite materno seja a situação ideal (sim, em termos clínicos, é a situação ideal!), o leite adaptado não compromete o desenvolvimento de uma criança e o seu sucesso enquanto adulta.
A Ana é alimentada, desde que nasceu, a leite adaptado. Não depende de mim de três em três horas mas sim de ambos os pais. Porque, depois da gravidez, passámos a ser uma equipa. E tem criado uma relação igualmente vinculativa com ambos os progenitores e não uma privilegiada comigo. E, sabem que mais, para mim a parentalidade só assim faz sentido.
O plano foi, fundamentalmente, eu poder aliviar as 34 semanas de uma gravidez traumática (anote-se: infecções urinárias de repetição, duas pielonefrites, obrigatoriedade de eliminação vesical de 45 em 45 minutos, noite e dia, e, consequente, privação do sono durante meses) e não perpetuar a falta de descanso, o desgaste emocional, a responsabilidade exclusiva, com a amamentação. Assim, posso dormir sempre que é a vez do pai lhe dar o biberão. Nunca stressei com a responsabilidade da Ana depender exclusivamente de mim. E são vezes igualmente repartidas porque, nesta família, o bebé não é da mãe e ao pai não cabe apenas a tarefa de "ajudar".
O plano foi não correr o risco de stressar com possíveis dores, encaroçamentos e frustrações do bebé não "pegar" nas ditas cujas. Estava demasiado esgotada emocionalmente devido a uma gravidez desgastante para ter recursos emocionais e energia para embarcar no desafio da amamentação. Assim, posso usufruir de tempo com a minha filha devido à rapidez com que ela se alimenta. Controlo a quantidade de leite que ela bebe e esse factor livra-me de ansiedade (ainda mais ela é prematura). A minha rede social de suporte pode ajudar-me com a Ana sempre que necessário, sem que ela dependa exclusivamente de mim para se alimentar. E, especialmente, não tenho que fazer algo que encaro como sacrifício e não como prazer. Ou, como escreveu alguém numa caixa de comentários do meu blog: "mais vale um biberão com amor do que uma mama com sacrifício".
Não condeno as escolhas de nenhuma mãe. Por mim, tirem fotografias às barrigas, tenham partos em casa, dispensem médicas e contratem doulas, comam placenta, tenham partos debaixo de água, façam cesariana por opção, dispensem epidurais, amamentem até à adolescência, usem leite materno para fazer bolos, coloquem as fotografias dos vossos filhos na Internet. Cada um sabe o que é melhor para si e o que eu valorizo não tem que ser o que os outros valorizam. Não temos que nos reger todos sob a mesma batuta. Importante é que as escolhas que cada um toma sirvam a cada um, que lhes proporcionem bem estar e felicidade. Portanto, quando alguém me pergunta porque não amamentei resposta é simples:"PORQUE NÃO QUIS!".
O que eu quero é usufruir, com a alegria que as escolha que faço (fazemos) me proporcionam, a maternidade. E Até agora tem corrido bem. Arrisco dizer, tem sido perfeito.


Obrigado por terem aceite o desafio!
A parte I, II e III do desafio aquiaqui e aqui.

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31
Mar13

Boa Páscoa (queremos MAIS chuva, São Pedro!!!)


Sofia Serrano

Pronto, agora a sério.
Vou desistir daquela coisa de pedinchar sol e calor e flores e passarinhos a cantar e praia e tal e tal. A sério. 
Agora vou começar a pedir MAIS chuva. Mais e mais e mais!!!! E frio. E vento. Pronto, é isto que eu quero, São Pedro!!!!

(sim, estou completamente convencida que ou são os senhores da Troika que também impuseram o corte do Sol e do calor no memorando, ou o São Pedro anda num mood do contra. Como contra os senhores da Troika pelos vistos ninguém pode fazer nada, ao menos vamos à psicologia reversa com o São Pedro - pode ser que, se toda a gente pedir mais chuva, ele mande os dias bons, só para contrariar!)

Isto tudo era mesmo só para desejar uma boa Páscoa.
( e sim, também nos levaram mais uma hora, não bastavam os outros cortes...)


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30
Mar13

A história por detrás da tradição (folares e ovos)


Sofia Serrano


Às vezes, muitas das coisas que fazemos por tradição, nem sabemos bem porque as fazemos. Eu confesso que gosto de saber as histórias que dão origem às tradições. Para quando a M. faz aquelas perguntas do tipo "Mãe, porque é que comemos folar e ovos de chocolate na Páscoa?", eu lhe possa contar uma história gira.

E se formos procurar nas raízes dos folares portugueses, encontramos a lenda do Folar da Páscoa, tão antiga que se desconhece a sua data de origem.

Conta a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer. Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana escolheu Amaro, o lavrador pobre.

Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe.
No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar.
Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante.
Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo.
Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.

Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação.
Durante as festividades cristãs da Páscoa, o afilhado costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta,no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.



E os ovos de chocolate?
Em várias culturas antigas espalhadas no Mediterrâneo, no Leste Europeu e no Oriente, havia por hábito dar de presente ovos, com a chegada da Primavera, para que a estação fosse fértil e abundante.
Nesse altura, muitos desses povos realizavam rituais de adoração a Ostera, a deusa da Primavera. Há representações desta deusa pagã representada na figura de uma mulher que observava um coelho saltitante enquanto segurava um ovo nas mãos. Nesta imagem há a conjunção de três símbolos (a mulher, o ovo e o coelho) que reforçavam o ideal de fertilidade comemorado entre os pagãos.

A entrada destes símbolos para o conjunto de festividades cristãs aconteceu com a organização do Concilio de Niceia, em 325 d.C.. Neste período, os clérigos tinham a expressa preocupação de ampliar o seu número de fiéis por meio da adaptação de algumas antigas tradições e símbolos religiosos a outros eventos relacionados ao ideal cristão. A partir de então, começaram a pintar vários ovos com imagens de Jesus Cristo e sua mãe, Maria.

No auge do período medieval, nobres e reis de condição mais abastada costumavam comemorar a Páscoa presenteando os seus com o uso de ovos feitos de ouro e cravejados de pedras preciosas. Até que chegássemos ao famoso ovo de chocolate, foi necessário o desenvolvimento da culinária e, antes disso, a descoberta do continente americano.

Ao entrarem em contato com os maias e astecas, os espanhóis foram responsáveis pela divulgação desse alimento sagrado no Velho Mundo. Somente duzentos anos mais tarde, os franceses tiveram a ideia de fabricar os primeiros ovos de chocolate da História. Depois disso, a energia dessa maravilha retirado da semente do cacau também reforçou o ideal de renovação sistematicamente difundido nessa época.





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29
Mar13

Planos de Páscoa


Sofia Serrano

Pois aqui há muitos anos (vá, não há assim tantos!), férias de Páscoa equivaliam a uns belos dias de praia num certo cantinho alentejano, ao reencontro de amigos e a uns dias de descanso.
E era tão bom.



Algum tempo depois ainda tive a sorte de, nesta altura, fazer umas belas viagens a dois, para aqueles resorts em que a coisa mais  difícil a fazer é estender a mão para agarrar o copo da bebida com a palhinha e gelo ( e o resto é praia, piscina e papo-para-o-ar).


E pronto.
Agora com os dois miúdos também não me importava nada de ir para um destino tropical. Mas já sei que com este tempo  e a conjectura que anda por aí, o ficar em casa é o possível.
Entre um São Pedro bipolar (que continua no mood chuva-sol-chuva-sol-agora MUUUUITA chuva-sol) e as viroses que por cá moram, vamos ficar em casa a comer ovos de chocolate.
E por aí?

Boa Páscoa!




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27
Mar13

Helena Saldanha: um peixinho no mar da moda infantil


Sofia Serrano

Chama-se Helena Saldanha.
Nasceu e cresceu em Lisboa, e é a quinta de uma família de seis irmãos. Em criança, qualquer coisa em casa servia para brincar com o seu irmão mais novo, desde legos a bonecos, e passavam horas a brincar, ao sabor da imaginação.
Nessa altura, ainda não sabia o que queria ser quando crescesse, mas sentia que o seu espírito criativo e a sua imaginação iam ser importantes.
Sempre adorou desenhar e acabou por tirar o curso de Design de Moda. Trabalhou como designer de fardas para vários produtos durante alguns anos. Quando nasceu a sua segunda filha, a Maria Ana, queria vesti-la igual ao irmão, o Francisco. Mas nessa altura, não havia muitas marcas de criança com este conceito de vestir os irmãos de igual. Esta necessidade, e o facto de não se sentir realizada a criar fardas, fez com que decidisse criar a sua própria marca de roupa.



O nome "Peixinho do Mar" foi sugerido em família e acabou por ficar. Nasceu assim uma marca de roupa que todos os anos tem duas colecções imaginadas e desenhadas pela Helena, com 12 temas cada, todas com um nome, e com peças desde os bebés até aos 10 anos, com cueiros, fofos, camisas, calções, vestidos, calças...
Uma marca de sucesso - fruto do amor que Helena põe nas peças que cria, nos padrões que escolhe, na sua inspiração e imaginação.
Decidiu também criar uma linha para crianças para Casamentos, Baptizados e Primeira Comunhão, porque não se identificava com a maioria das peças que havia na altura para ocasiões especiais. E mais uma vez, toda a gente adorou o conceito. E acima de tudo, Helena gosta de chegar ao sonho de cada cliente, conhecer a personalidade, para poder criar algo especial e único.



Inspira-se no Mundo. Nas coisas bonitas. Numa imagem de decoração, em flores. Na tranquilidade. E no desejo de fazer melhor.




Uma das peças que lhe deu mais prazer criar foi o Trikini Peixinho do Mar, inspirado num trikini para crianças que comprou para a filha no Brasil. Acabou por ser mais um sucesso, por ser diferente do que havia no nosso país. Quando a sua filha fez 16 anos, pediu-lhe para fazer um modelo mais "crescido", que deu origem ao modelo actual de Trikini Peixinho do Mar, ajustável na cintura e que permite trocar as partes de cima e as de baixo, muito requisitado pelas adolescentes.

E claro que sugere como peça indispensável no armário de uma menina um vestido (desde as bebés às mais crescidas), e no de um rapaz uma camisa gira.



Adora fotografar, desenhar e fazer bijuteria. 
Gosta de decoração, de cozinhar. De conversar.
Espera que no futuro, o Peixinho do Mar continue a crescer e a chegar cada vez mais longe no Mundo. Para que todos saibam que os portugueses fazem coisas giras, e bem.

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Podem ver as peças Peixinho do Mar aqui e aqui.




26
Mar13

Princesas rebeldes


Sofia Serrano

Aqui por casa, andamos numa fase de rebeldia.
Não imagino como será a adolescência, porque isto aos 4 anos já não está fácil - por favor, mães que percebem deste assunto (Mum´s The Boss, O Rei Vai Nú, A Vida a 4D, socorro!!!!), façam um post daqueles tipo "como sobreviver aos 4 anos da sua filha"!

Ela é que sabe, ela é que decide, e a teimosia...ui.
Depois de um dia na escola em que não se terá portado muito bem lá conversamos sobre o que tinha corrido mal.
E depois, lá veio o pai com a psicologia do "tu que gostas tanto de princesas, tens de te portar bem, como as princesas, sim?"
Resposta pronta:
"Mas pai! A Bela Adormecida também não faz o que lhe disseram e foi tocar no fuso! E a Branca de Neve, aceita coisas de estranhos! E a Cinderela, sai de casa sem pedir a ninguém!!"

...e pronto. Lá se foi a psicologia.


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25
Mar13

Desafio Bloggers e Gravidez III


Sofia Serrano


Porque as gravidezes são todas diferentes, o Café, Canela & Chocolate tem lançado um Desafio a várias bloggers para nos falarem acerca da sua experiência, respondendo a 10 perguntas sobre gravidez, parto e puerpério.
Desta vez, o desafio foi para a Constança Cabral, do Saídos da Concha, para a Márcia do by Deva e para a Inês Monteiro, do Maria Café. Elas aceitaram e cá estão as respostas:







1- Gravidez normal ou de risco?
Constança Cabral, Saídos da ConchaGravidez santa! Às vezes nem me lembrava que estava grávida. Uma certa má-disposição ao princípio e desconfortos a partir do 8º mês.
Márcia, by DevaGravidez normalíssima, sem sobressaltos, sem sustos ou receios, tudo muito tranquilo.
Inês Duarte, Maria CaféPrimeira gravidez normal, a segunda e a terceira muito vigiadas por perdas gestacionais anteriores repetidas.

2-Gravidez passada a trabalhar ou de repouso?

Constança Cabral, Saídos da Concha - A trabalhar mas ao meu ritmo. Como trabalho por conta própria e em casa, pude ir adaptando o trabalho à minha disposição. 
Márcia, by DevaCoincidiu com o fecho da empresa onde trabalhava, de modo que foi um descanso obrigatório. Deste descanso, surgiu a vontade de fazer qualquer coisa, de trabalhar em casa, surgiu o by Deva.
Inês Duarte, Maria Café Na primeira gravidez trabalhei até aos 7 meses, na segunda até aos 4 meses e na terceira trabalhava por conta própria por isso foi até ao dia do parto (literalmente, antes de ir para a maternidade fui aos correios).

3- Diga um alimento que deixou de conseguir comer durante a gravidez e um que se tornou mais apetecido.

Constança Cabral, Saídos da Concha - Cogumelos. Normalmente adoro mas durante a gravidez até o cheiro me enjoava. Ficaram-me a apetecer imenso coisas salgadas como tartes e empadas!
Márcia, by DevaEm pleno inverno quis morangos e comi morangos, daqueles que se vendem junto com as framboesas, em caixas congelados! Soube-me pela vida! O único alimento que deixei de comer foi frango do churrasco. Um dia fui com umas amigas a uma charcutaria, elas compraram frangos para o jantar e durante a viagem o cheiro enjoou-me de tal forma que não consegui comer durante uns anos mais chegados
Inês Duarte, Maria Café O café, que adoro, deixei de tomar. Passei a gostar de pataniscas de bacalhau...


4- Fez exercício durante a gravidez? Que tipo?

Constança Cabral, Saídos da Concha - Não fiz nada, admito! Tentava andar, mas como em Inglaterra estava quase sempre a chover e eu vivia no meio do campo, não era muito fácil.
Márcia, by DevaSempre fui muito preguiçosa para ginástica, a única modalidade que fiz foi yoga.
Inês Duarte, Maria Café Não sou grande adepta do exercício. Quando grávida achava que pelo menos tinha desculpa para não fazer nada...

5- A gravidez fez com que mudasse hábitos do dia-a-dia?

Constança Cabral, Saídos da Concha - Tive de passar a tomar o pequeno-almoço antes de tomar banho. Sempre fiz ao contrário mas, se não comesse mal acordasse, ficava muito mal-disposta.
Márcia, by DevaNada. Tudo igual.
Inês Duarte, Maria Café Nem por isso. Obrigou-me a adaptar alguns hábitos porque andava mais cansada, com mais sono, com mais fome, enjoada... Passei a dormir mais, a comer de forma diferente, etc. Dizem que gravidez não é doença. Eu normalmente sinto-me doente desde as 6 semanas até ao fim.


6 - Qual foi a coisa que mais gostou da gravidez?

Constança Cabral, Saídos da Concha - Do entusiasmo de quem me rodeava. De planear a vinda de um filho, neto, sobrinho. 
Márcia, by DevaA que mais gostei: Saber que tinha um bebé dentro da minha barriga! Saber que dormia, acordava, saia a rua e independentemente do que fazia, ele estava sempre ali, tão próximo de mim. Mas isto é a parte boa, porque como pessoa senti-me gigante ou antes, enorme! Acabei por sensibilizar muitas susceptibilidades ao afirmar que não gostava de estar grávida.
Inês Duarte, Maria Café De sentir (e ver) os movimentos do bebé. De mostrar ao(s) irmão(s) mais velhos esses movimentos.


7- Como foi o parto? Se pudesse escolher o tipo de parto, o que teria escolhido?

Constança Cabral, Saídos da Concha - Foi normal às 42 semanas. Cheguei a ter uma indução marcada mas fartei-me de andar (apesar de estar a nevar) e de subir e descer escadas, e funcionou. Mas tive contracções durante 36 horas, fui ao hospital e mandaram-me para casa... estava em Inglaterra e lembro-me de ter dito (ou gritado... ou gemido) "o próximo é em Portugal". Mas agora vivo na Nova Zelândia, por isso não me parece...!
Márcia, by DevaDifícil. Entrei a dia 13 no hospital e o meu filho nasceu a 15. Se pudesse teria escolhido logo o que acabaria por ser, a cesariana.
Inês Duarte, Maria Café O primeiro foi cesariana, o segundo um parto normal difícil, o terceiro um parto normal facílimo. Sem dúvida o parto normal, porque nos faz sentir Mães em pleno e é o melhor para o bebé e para a mãe, mas sinceramente achei a recuperação pós parto igualmente complicada.


8- Era capaz de ter um parto em casa?

Constança Cabral, Saídos da Concha - Não, apesar de a ideia me atrair. Mas acho que se a coisa corresse mal jamais me perdoaria.
Márcia, by DevaDefinitivamente que não. Mas admiro muito todas as mulheres que têm a coragem de o fazer. Penso que no hospital estamos todas mais protegidas (a nível médico) e essa ideia tranquiliza-me.
Inês Duarte, Maria Café Não, acho que não. Por alguma razão existem os hospitais e houve uma evolução na forma como se nasce... O parto no hospital pode ter intervenção médica mínima, se assim quisermos. Mas temos a segurança de podermos ser assistidas de imediato caso algo não corra pelo melhor.


9- Gravidez ou puerpério - o que é melhor?

Constança Cabral, Saídos da Concha - Gravidez, sem dúvida! Os primeiros três meses do Rodrigo foram os mais difíceis da minha vida até agora. 
Márcia, by DevaPuerpério.
Inês Duarte, Maria Café Gravidez... durante a gravidez nós somos a estrela, os mimos são todos para nós. E eu não gosto muito de estar grávida, sinto-me mal a gravidez toda. Mas o puerpério é uma fase em que a natureza é pouco simpática. A mãe sente-se física e psicologicamente em baixo, com pontos, o corpo deformado, as hormonas descontroladas... e tem um ser indefeso e frágil que depende totalmente dela. Nas três vezes, achei que os dois primeiros meses foram muito complicados, eu e o bebé chorávamos dias inteiros... depois tudo melhorou. Hoje não mudava nada, mas foram fases difíceis. Cólicas, amamentação, fraldas, acordar de 2 em 2 horas, o choro do bebé, não ter tempo para mais nada... ufa! E ouvir “isso passa” não é lá grande ajuda! 


10- Amamentou? Porquê?

Constança Cabral, Saídos da Concha - Sim, durante dois meses. Durante 15 dias tudo correu relativamente bem... até que começou a correr francamente mal. Ele chorava, eu chorava, falei com uma enfermeira, telefonei para a Liga do Leite, li tudo o que encontrei sobre o assunto... mas não resultou. Então passei-o para fórmula e ficámos todos bastante mais calmos (principalmente o bebé). Isto é um assunto sensível em que toda a gente acha que tem razão, mas a sério que eu teria dispensado a lavagem ao cérebro que nos fazem, pelo menos em Inglaterra. Ok, tenta-se, mas se não correr bem não é o fim do mundo! 
Márcia, by DevaSim. Até aos 6 meses. Porque essa é a ordem mais natural, porque é bonito, porque é bom para a mãe e para o bebé e porque tive sorte em puder fazê-lo.
Inês Duarte, Maria Café Amamentei os três, embora nem sempre em exclusivo e com três experiências completamente diferentes. 
O mais velho nasceu com uma complicação renal que foi detectada com 1 mês. Às 3 semanas ainda não tinha recuperado o peso de nascença, por isso foi introduzido o suplemento. Na altura custou-me imenso, e mantive a amamentação em simultâneo até aos 5 meses. Hoje sei que ele não aumentava de peso porque estava doente... 
O do meio foi o mais fácil no que diz respeito à amamentação. Sempre aumentou bem, mas chorava muito entre refeições e pedia para mamar de hora a hora. Com um mês comecei a dar-lhe suplemento uma vez por dia para ele acalmar e resultou. Com dois meses largou o suplemento e mamou até aos 9 meses.
O mais novo mamou em exclusivo durante um mês e depois mais um mês com suplemento. Com mais dois filhos era muito complicado para mim estar com ele no peito de hora a hora. 
Acredito que o leite materno é o melhor alimento que lhes podemos dar, mas também acredito que tem de ser bom para o filho e para a mãe. Quando é uma fonte de stress e não se consegue resolver, por vezes é preciso tomar uma decisão. Foi uma decisão difícil de tomar, senti-me muitas vezes culpada por lhe preparar um biberão, mas acabou por ser o melhor para os dois. Ele ficou muito mais sereno, saciado... e eu consegui finalmente acalmar e dedicar-me também a tudo o resto com equilíbrio. 


Obrigado por terem aceite o desafio!
A parte I e II do desafio aqui e aqui.

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23
Mar13

Compreender a mãe do Ruca (whatever, vamos para a chuva brincar!)


Sofia Serrano

Já falei aqui sobre a minha admiração em relação à mãe do Ruca.
Uma mãe paciente, calma, totalmente zen. 
Não levanta a voz, tem sempre solução para tudo. 
E lá por onde eles moram (que me parece ser no Canadá) o tempo não é propriamente fantástico. 
Deve ter chuva e frio a montes.
Vai daí que este tempo me começa a fazer ter vontade de imitar a mãe do Ruca. 

(Sim, estou fartinha de chuva e frio, quando parece que finalmente vem aí o sol para irmos todos arejar as ideias e os miúdos brincarem na rua e no parque...pimba! São Pedro manda mais uma chuvada daquelas!)

A primeira vez que vi o Ruca pedir à mãe para ir brincar para a lama e chuva "lá fora", (a chover mesmo à séria nos desenhos animados!!!) achei que era aí que a senhora ia finalmente descompensar. Mas não, realmente quem sabe sabe. Pronto, boa ideia, é calçar galochas e vestir impermeáveis e ´bora lá para a lama e a chuva!
Por aqui o desespero já é tal que estou capaz de também eu alinhar numa brincadeira do género. 
Ainda aí vem Abril com águas mil?
Toca a vestir impermeáveis e vamos para a rua saltar nas pocinhas e fazer castelos de lama! ( e sonhar que estamos na praia!)


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21
Mar13

O filme da papa (e um giveaway!)


Sofia Serrano

Já lá vão os tempos em que eu me queixava que era difícil convencê-lo a afastar-se das mamas para experimentar todo um mundo gastronómico (passado, por sinal).
Agora venha a papa, a sopa, a fruta e iogurte e tudo o que lhe quiserem dar - por ele até o camarão já marchava, mas pronto, nestas coisas, os pediatras é que sabem!
Claro que nesta fase de evolução a ritmo acelerado, a par do gatinhar e do querer pôr-se de pé, surge todo o desenvolver de sons, combinados de variadíssimas maneiras.
E claro que a altura em que está a comer a papa é a altura ideal para testar a sonoridade.
Em resumo: 
- papa por toda a cozinha,
- roupa da mãe com um padrão novo, 
- irmã a rir às gargalhadas (o que motiva mais sons e cuspidelas do P., por entre sorrisos!)
O que ainda o salva de voltar para a banheira depois da papa é o babete XL que tem!

E porque sabemos que devem andar por aí muitas mães na mesma situação, a BrancoRosa vai lançar uma novidades: os babetes XXL! 
São babetes exclusivos, peças únicas e lindas. Vão encontrá-los à venda no Lisbon Kids Market, no Pestana Palace Hotel, nos dias 6 e 7 de Abril, e depois na página do Facebook do BrancoRosa.
E para comemorar este lançamento, a BrancoRosa une-se com o Café, Canela & Chocolate e vai oferecer um babete lindo como o da foto ou com outro padrão se for para menino.


Para participar têm de:
- gostar do BrancoRosa aqui.
- gostar do Café, Canela & Chocolate aqui.
- partilhar a foto com o babete (partilha pública) e deixar um comentário.

Podem participar até 31 de Março.
O vencedor vai ser escolhido através do site Random.org.

Boas papas!

21
Mar13

Agradecer (é dia da árvore)


Sofia Serrano

Elas já cá estavam antes de nós chegarmos.
Dão-nos o ar que respiramos, sombra fresquinha no verão, frutos e flores. Dão-nos madeira, cortiça. São o nosso papel.
Merecem que nos lembremos delas.
Hoje é o Dia Mundial da Árvore.



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