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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

18
Set13

Viagem no tempo (aquele dia especial)


Sofia Serrano

Aprendi com o tempo que as mães sabem sempre tudo. Se sabem.
Quando fiquei grávida da M. ela fez as contas (dela) e apontou o dia em que a neta iria nascer - um dia já muito especial. Este dia. Há 5 anos atrás.
Eu, projecto semi-acabado de obstetra e teimosa até mais não, convenci-me que conseguiria moldar o destino à minha medida. A minha obstetra estava de serviço no dia 17, já tinha 40 semanas e 6 dias, vamos lá induzir e pôr a rapariga cá fora.
E de facto, a indução do trabalho de parto foi uma experiência...ímpar. Nos livros parece tudo muito linear e científico. Na vida real implica comprimidos, nada acontecer, passar um dia a subir e descer escadas pelo hospital, a passear pelo jardim do hospital e a achar que ia ficar grávida para sempre (valeu-me a paciência do R. que me aturou o tempo todo). 
E depois, de repente, dor, muita dor, não ser (afinal) assim tão forte e achar que "esta coisa afinal custa à farta". Valha-nos a nós, mulheres desta época, a epidural. 
Depois rompe-se a piscina da criança e vamos lá a sério nesta coisa de trabalho de parto - mais ou menos a sério, porque a epidural torna tudo muuuito melhor. Dilatação faz-se de mansinho mas vai. 
Conclusão: já passava da meia-noite, no meio de tanta emoção. Já era dia 18. Tal como a avó previra.

Foi então que te vimos pela primeira vez. 
Não choraste logo e o meu cérebro de obstetra procurava incessantemente qualquer problema que pudesse haver. Mas estavas bem. Tocamos-te pela primeira vez. E quando ouviste a voz do pai, abriste muito os olhos para ele - porque o reconhecias daquelas intermináveis conversas que ele tinha, à noite, contigo (tu na minha barriga).
Ele vestiu-te, ou melhor, tentou, porque de repente vi-se desajeitado com uma coisa tão preciosa e botões tão pequeninos. Mas tivemos ajuda. Tivemos sempre ajuda. Sentimo-nos em casa e as pessoas que participaram neste dia especial vão estar para sempre nos nossos corações. 
Chegaste tu, neste dia tão especial. Para dares um outro sentido às nossas vidas, para nos fazeres viver emoções inimagináveis.

Parabéns, minha querida.




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17
Set13

Este mundo em que vivem os nossos filhos ( e o outro que era nosso)


Sofia Serrano

Os aniversários dos filhos são uma boa altura para reflectir sobre algumas coisas: como crescem rápido, como nos surpreendem a cada dia que passa, como vão conquistando o mundo. 
Mas acaba por ser inevitável pensar neste mundo - este mundo em que eles vivem. 

É o mundo da tecnologia - qualquer bebé de 12 meses consegue mexer num iPad, qualquer miúdo de 5 anos liga sozinho um computador para jogar, qualquer adolescente passa o dia no facebook ou no twitter. 
A tecnologia do nosso tempo resumia-se à televisão, que no canal 1 era uma ultra-tecnologia, porque era a cores, e ao telefone - sim, aquele velhinho telefone, em que era necessário marcar o número naquela rodinha. E depois surgiu o pager e o Spectrum e parecia que tinham chegado os marcianos e tinhamos a tecnologia extraterrestre de ponta.

É o mundo dos cuidados de saúde diferenciados, em que o acesso a um médico ou a medicamentos é fácil - e não, não me vou debruçar sobre o estado do serviço nacional de saúde, que isso daria pano para mangas, mas em geral os cuidados de saúde dos nossos dias são excelentes. 
Mas tomam-se antibióticos para qualquer constipação, e as mezinhas das avós, que resolviam as nossas doenças quando éramos pequenos foram (quase) esquecidas. 

É o mundo dos estranhos - ninguém sabe o nome do vizinho do lado, nem do de cima. 
No nosso mundo, as vizinhas passavam o dia à janela e sabiam sempre tudo. Conhecíamos de cor e salteado todos os vizinhos da rua, e quem sabe do bairro. Se fosse preciso, ficávamos na casa de vizinha de baixo enquanto os pais iam tratar de alguma coisa e não era preciso pagar a uma baby-sitter. E iamos pedir ovos e salsa ao de cima. E brincavamos com os miúdos do bairro e passávamos o tempo na casa uns dos outros.

É o mundo dos amigos virtuais - depois da escola, toda a gente se senta ao computador e põe a conversa em dia nas redes sociais.
No nosso mundo, encontravamo-nos na rua para brincar depois das aulas. Ou na casa de um de nós. Ou no parque. Jogávamos à bola na rua, ou à sirumba e poucos carros circulavam (agora nem espaço há para estacionar).

É o mundo dos perigos - ninguém pensa em deixar miúdos sozinhos na rua nem os manda à outra ponta do bairro comprar pão, porque vemos as notícias e sabemos que o perigo espreita a cada esquina. Mas no nosso mundo fazíamos recados aos pais, íamos à padaria e à mercearia mesmo quando ainda sabíamos contar mal - e tínhamos sempre muito cuidado nos trocos. Íamos sozinhos visitar a avó ou a amiga que morava ali perto. E o senhor da mercearia dava-nos rebuçados e nós gostávamos de lá ir.

É o mundo dos brinquedos - o mundo onde todas as crianças, aos 5 anos, já não têm sítio para pôr tanta barbie e bebés e peluches, porque os brinquedos são baratos, made in china e de desgaste rápido, e toda a gente quer compensar a ausência e a distância com coisas materiais. E eles têm pouco cuidado com os brinquedos porque sabem que se compram mais.
No nosso mundo, os brinquedos eram especiais. Poucos e bem tratados, chegavam a casa em ocasiões únicas e eram estimados. Eram feitos de material duradouro e alguns eram passados entre gerações.

É o mundo da Troika - o mundo onde não somos donos do nosso próprio destino, onde que não se dá valor a quem trabalha. O mundo em que temos de pôr os nossos filhos em escolas privadas porque as públicas têm horários incompatíveis com os nossos empregos, têm turmas com um número excessivo de alunos e falta de professores (que estão no desemprego). É o mundo em que há famílias a passar fome, mas em que o estado salva bancos e clubes.
No nosso mundo, havia um presidente da república e um governo - e na nossa ingenuidade de crianças, parecia-nos que eram eles que mandavam no pais.


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16
Set13

Escolas do Mundo


Sofia Serrano

Em todo o mundo, a escola recomeça para as crianças.
A mesma emoção do início de aulas. Os mesmos sorrisos. Escolas diferentes. Terras diferentes. Material diferente.
Vários fotógrafos juntaram momentos que registaram pelo mundo de crianças a iniciarem as aulas ou a caminho da escola.
Vejam e mostrem aos vossos filhos.

Fica aqui um cheirinho das fotos que podem ver completo aqui.


























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16
Set13

Depois da noite


Sofia Serrano

Não saber se durmo ou se estudo.
(dúvida recorrente estes dias depois de estar de banco de noite)
Depois de um banho, o sono leva a melhor. 
Poucas horas, pôr o despertador que o tempo não pode ser desperdiçado.
Brinquedos para arrumar, roupa e loiça para lavar. Fazer sopa.
Mentalizar-me que a seguir tenho de ir estudar - antes come-se qualquer coisa doce para motivar.
(esqueçam antidepressivos, comprimidos para dormir e acordar, que eu vivo ao ritmo do chocolate, e do café com um toque de canela).
E o glamour de ser interna onde está? Aquele que nos faz ver a Anatomia de Greys?
Cá por casa só vive uma mãe. E muitas vezes cansada.
Valha-nos o chocolate (e os miúdos tão giros que tenho!)
Já faltou mais.




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15
Set13

Decidir ter outro filho


Sofia Serrano

Sempre quis ter mais do que um filho. 
Tenho um irmão que adoro, e sempre me pareceu que os irmão são uma das coisas boas da vida: são companheiros de aventuras e disparates, confidentes, amigos. Aprende-se a partilhar e a respeitar o espaço do outro. Às vezes há zangas, umas mais sérias que outras, mas aprendemos sempre qualquer coisa. Ter irmãos é bom.





Mas claro que quando somos pais, as coisas tomam sempre uma perspectiva diferente. 
Primeiro, mesmo que nos preparemos psicologicamente para o filho que aí vem, as coisas têm realmente uma dimensão diferente quando seguramos o nosso bebé nos braços. O amor de mãe (e pai) é uma coisa que não se consegue descrever. Só se consegue sentir. Nada é tão maravilhoso como ver o primeiro sorriso do nosso filho, ouvir o primeiro "mamã", assistir aos primeiros passos. Nada é tão terrível e angustiante como vê-los doentes ou infelizes. Quando a M. nasceu, senti pela primeira vez todo este turbilhão de emoções. Senti este amor incondicional que não pensava poder ser possível. E à medida que ela crescia e ponderavamos ter mais filhos, crescia em mim uma nova angustia que nunca tinha imaginado nos meus planos de ter vários filhos: 

e se eu não conseguir gostar tanto do próximo como gosto dela?


Confesso que isto me preocupava. Muito. Não queria ser uma mãe que tinha claramente um filho preferido, queria conseguir amá-los todos, cada um à sua maneira, mas de igual modo. Uma coisa difícil de explicar. Mas estava absolutamente convicta que não ia conseguir. Não ia conseguir amar alguém daquela maneira que eu amava a M. Ou ia? 




Às tantas, comecei a mentalizar-me que tanta gente tinha mais que um filho, que talvez tudo se resolvesse naturalmente.
E resolveu.
Quando tive o P. pela primeira vez nos meus braços, a magia voltou a acontecer. O amor multiplica-se de forma natural e maravilhosa. O amor de mãe (e de pai) chega para todos.
Claro que os filhos são diferentes. E é impossível amá-los de forma igual. Mas o amor é incondicional para os dois. A expressão "amor de mãe" ganha uma nova dimensão.





14
Set13

Olá chuva!


Sofia Serrano

Bem me parecia que havia uma razão para eu ter comprado umas galochas à M. esta semana.
Bom sábado!






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13
Set13

Crónicas de uma interna #9


Sofia Serrano

A Vogue´s Fashion Night Out. Um evento glamoroso, onde toda a gente se passeia pelas ruas de Lisboa às compras fora de horas. Mas enquanto Lisboa e o Instagram fervilham com moda, a night´s out por aqui é outra. Não me importava de ter escolhido roupa gira e me passear pelas ruas mais fashion de Lisboa. Mas a minha roupa já estava previamente escolhida e o passeio foi pelos corredores do hospital.
Isto de ser médico tem mais que se lhe diga que a Anatomia de Greys. Não há um  McDreamy em cada esquina (salvo raras excepções) nem iPads para cada doente. Muitas vezes falta material importante, como luvas ou papel. Os programas informáticos falham, os medicamentos acabam. Mas a vida continua. E tentamos dar sempre o melhor perante o cenário possível.  
E há coisas que custam - não, não fiquei cheia de pena de não ter ido à Vogue´s Fashion Night Out. Fico com pena quando vejo a escala de urgência e me apercebo que por falta de gente, os internos trabalham muitas horas extraordinárias. Frequentemente aos fins de semana, dias festivos e noites. Se por um lado, esta é uma adrenalina boa e adoramos o que fazemos, por outro é díficil dormir fora de casa. De forma recorrente. E continuar a trabalhar no outro dia de manhã. Em particular quando se é interna e se tem duas crianças pequenas - que apesar de ficarem lindamente com o pai, deixam a mãe sempre a pensar "Será que estão bem?Será que acordam a chorar?Será que...". Aquele instinto de mãe. 
E depois, aqueles dias importantes, como o Natal. Esses sim, são os que me custam. Preparamos a árvore, as prendas e a mesa a preceito. E depois, afinal, a mãe não vai estar. É muito difícil explicar a uma miúda de 4 anos que a mãe não vai estar naquele dia tão importante. Que os bebés podem nascer a qualquer altura e que alguém os tem de ajudar, como eu lhe costumo dizer. Tento pensar que o Natal é quando quisermos. Que o importante é estarmos juntos. Mas bolas, aqueles dias importantes são importantes para mim e para a minha família. Não a Vogue´s Fashion Night Out.





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12
Set13

Miúdos giros no frio


Sofia Serrano

Estamos todos desejosos que o calor continue mais um bocadinho (pelo menos aqui em casa). Por mim, podiam ser mais uns três meses de calor, depois podiamos ter frio no natal e voltavamos ao calor a partir de Fevereiro. Mas pronto, vivemos num país com um clima excelente mas não estamos nas Caraíbas. O que nos leva a começar a pensar em roupa mais quentinha para os dias que se aproximam. Confesso que depois de arrumar o roupeiro dos miúdos, como contei aqui, apercebi-me que quase nada servia do inverno passado, quer à M., quer ao P. Tenho a tarefa facilitada em termos de compras, porque durante a semana, têm de usar a farda do colégio. Mas para o fim de semana e para as férias, está na altura de renovar o guarda-roupa. 
Acabei por entrar na Zippy e comprei muitas coisas giras para a M., que acabam por dar para uma meia-estação e com um casaco mais quente ou um poncho, para o frio. Camisas com padrões florais, saias pelo joelho e calções - e não resisti a uma Parka e umas galochas, mesmo que ache que a chuva ainda não vem aí. Bolinhas e flores são os padrões deste ano. Para o P. confesso que não encontrei coisas assim tão giras como para menina - mas isto é recorrente. 
Entretanto, deixo-vos sugestões de roupa gira para os miúdos para o frio que se aproxima, umas mais caras que outras, mas que pelo menos podem servir de inspiração: 

(e não, este não é um post patrocinado, tudo o que é falado aqui são coisas que eu gosto mesmo)














  
















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11
Set13

O Pitecóide e o Pinima


Sofia Serrano

Hoje fui reler este post da Olga, que é psicóloga e uma das nossas preciosas ajudas para perceber as diferentes fases por que os miúdos vão passando. 
O amigo imaginário aconteceu cá por casa muito cedo. 
Um bocadinho antes dos dois anos. 
E não era só uma amigo, eram dois. 
A um, a M. chamava-lhe Pitecóide. A outro Pinima. 
Onde é que ela foi desencantar estes nomes, não faço a MÍNIMA ideia. Sei que eles andavam frequentemente por perto dela, ela conversava com eles, sentavam-se ao pé dela às refeições e apareciam para brincar. Até à escola iam! Ela dizia que eles eram pequenos e peludos. E que eram amigos. Mas às vezes portavam-se mal e faziam disparates (um mais do que outro, já não me recordo ao certo qual).
Lembro-me também que na altura, por andar tão intrigada com estes nomes que ela inventou, fui Googlar. Sim, para ver se seriam termos que ela tinha ouvido nalgum lado. Encontrei isto:


Pinima
(tupi pi'nima)

adj. 2 g.
1. [Brasil, Informal] Que tem riscas, estrias ou manchas.
s. f.
2. [Brasil, Informal] Coisa desagradável ou nociva. = PRAGA3. [Brasil, Informal] Birra ou má vontade em relação a algo ou alguém. = PINIMBA


Pitecoide
adj m+f (piteco+óide) Relativo ou semelhante aos símios.





E pronto, fiquei sem perceber se seriam imaginários ou se existiriam realmente (os nomes até batiam certo com a descrição da bicharada!).
A verdade é que, tão misteriosamente como apareceram, assim desapareceram. Por volta dos 3 anos, deixamos de ter notícias deles.


Alguém os viu por aí? ;)
(e será que regressam para visitar o P.?)

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