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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

13
Fev15

A magia do Carnaval


Sofia Serrano

                         
     
Às 6h da manhã já estava acordada, em grande excitação. Tomou o pequeno almoço num ápice e estava pronta para ser transformada pela fada madrinha, ainda o irmão e o pai dormiam. Tornou-se numa linda Bela Adormecida, que irradiava magia e felicidade. E foi o dia em que foi mais feliz para a escola. O pequeno foi com a roupa de piloto de corridas e repetia " sou o Faísca!", enquanto corria por todo o lado. Hoje é um dia mágico para eles - e eu voltei a mascarar-me de médica, mas não me importava de ter vindo também vestida de princesa ❤️  Fotos mais logo no blog!
E por aí, de que se mascararam os vossos?

12
Fev15

Um dia bom


Sofia Serrano


Acordar com tempo é uma coisa que eu gosto de fazer nas manhãs. 
Pôr o despertador mais cedo e levantar-me antes de todos. 
Tomar banho com calma, conseguir esticar o cabelo, vestir-me tranquilamente e preparar tudo para quando os miúdos acordarem: roupa, pequeno almoço, lanches, mochilas. 
E depois sentar-me 5 minutos com um café e ver as notícias do dia no computador. 
Hoje vai ser um dia bom!
Bom dia :)
11
Fev15

Os tipos de pai na sala de partos


Sofia Serrano


São as mulheres que carregam os filhos durante nove meses (mais ou menos). 
E durante esse tempo, preparamo-nos para aquele momento único e especial: o parto, o momento em que finalmente vamos conhecer o nosso bebé! 
Então e os pais? 
A verdade é que há pais mais ou menos preocupados durante a gravidez das mulheres. 
E a hora do parto é um altura complicada, para eles também. Mas na verdade, nessa altura crítica há todo o tipo de reacções. E posso dizer-vos há vários tipos de pais no bloco de partos:

- o descontraído
É um pai que está absolutamente tranquilo (ou pelo menos parece que está). Despreocupado, desvaloriza as queixas da grávida e acredita que tudo vai correr bem. Tudo sem stress. Traz o jornal, o ipad e está ali como se tivesse levado a mulher a lanchar a uma esplanada.
Na altura do parto dá a mão à mulher, quer cortar o cordão umbilical e fica de sorriso rasgado ao ver o filho.

- o ansioso
Vem três passos à frente da grávida para avisar que ela está a chegar e que o bebé pode nascer a qualquer momento (acha ele). Responde às perguntas feitas à grávida antes dela e sabe de cor e salteado os resultados das análises da gravidez. Pergunta repetidamente se está tudo bem e se cada coisa que se passa é normal.
Na altura do parto fica em pânico e às tantas a grávida manda-o ficar calado. Chora compulsivamente de felicidade quando vê o filho mas tem receio de cortar o cordão umbilical.

- o sabe-tudo
Fez mais de três cursos de preparação para o parto, leu uma resma de livros sobre gravidez e andou pelos fóruns de grávidas durante nove meses. Sabe o que é o rolhão mucoso, as contracções, os tipos de parto. Pergunta porque é que pomos soro e porque é que não rompemos a bolsa para acelerar o parto. Se vamos pôr oxitocina ou se não é melhor fazer uma cesariana se o parto demorar. Sabe o que é o estreptococus B e todas as complicações da epidural.
Está preparado para tudo, menos para a emoção de ver o seu filho pela primeira vez - e chora de alegria. E depois quer ser ele a vesti-lo, porque já aprendeu como se faz.

- o pseudo-corajoso
Não percebe nada de partos, mas acha que deve ser fácil. Por isso não tem problema nenhum em acompanhar a mulher. Mas está sempre calado e vê-se pelo ar que todo aquele mundo lhe parece estranho.
Fica pálido cada vez que algum médico avalia a progressão do trabalho de parto (o "toque"). E se não nos apercebemos disto, cai para o lado na altura do parto e é difícil receber o bebé e tratar do pai ao mesmo tempo. E há quem caia desamparado e bata com a cabeça, porque assistir a um parto não é para todos.
(este tipo de pai geralmente pede para sair antes do parto, ou aceita alegremente quando lhe sugerimos ir apanhar ar porque está pálido)

- o pai-à-moda-antiga
Diz que esta coisa de partos não é para homens. E que toda a vida foram as mulheres a tratar dessas coisas, por isso nem pensar em entrar num Bloco de Partos ou acompanhar a mulher. Mas fica a rondar a porta do Bloco ou passa a noite deitado nas cadeiras da sala de espera, até saber que o bebé nasceu e que correu tudo bem.

- o treinador de bancada
Desde que entra que incentiva a mulher. Explica-lhe como deve respirar nas contracções e como deve fazer força, e a cada puxo grita "Vai, vai, vai! Não desiste!!". Fica completamente imerso no espírito, até que a grávida se enerva com tanta ordem e lhe pede para ficar sossegadinho. Dura alguns segundos e depois volta ao ataque. Quando vê o seu filho fica de sorriso rasgado e diz à mulher que se portou lindamente.

- o agressivo
Já ouviu dizer muito mal dos partos e dos médicos e vem com três pedras na mão. Desconfia de tudo o que lhe dizem e pergunta desde que entrou se não era possível fazer já uma cesariana. Muda completamente depois do seu filho nascer, e traz chocolates para toda a equipa em agradecimento.

- o moderno
Está numa reunião em Londres mas quer estar presente no nascimento do filho. Não consegue dar a mão à mulher nem incentivá-la a fazer força, mas vê o seu filho pelo skype no telemóvel, que a sogra segura. Chora a muitos quilómetros de distância e deseja estar ali.






11
Fev15

Há coisas que não se compram


Sofia Serrano



Quem trabalha por turnos ou faz urgências noturnas sabe do que falo quando digo que não há nada como a nossa cama. Não há nada como o toque dos nossos lençóis, o calor do nosso edredon, o abraço de quem partilha conosco aquele espaço (e a vida!). 
Esta noite soube-me a céu, porque para não variar, a lua continua sempre cheia nas minhas urgências.
E não há nada melhor que acordar com abraços e beijinhos e com dois "Bom dia mamã!".
Há coisas que nem o melhor salário do mundo paga.


09
Fev15

Regressar


Sofia Serrano


Hoje é dia de regressar às rotinas, ultrapassadas tosses, febres e afins. Depois destes dias de mimo, em casa com a mãe, prevejo uma manhã complicada - espero sinceramente, estar enganada, e que o mais pequeno acorde cheio de vontade de ir brincar com os amigos. Eu confesso que com este frio ficava melhor debaixo do edredon, mas não há grande alternativa, há que pôr mãos à obra. 
Já tenho o meu chá verde com gengibre pronto, para começar bem a manhã, e confesso que não saio de casa sem um daqueles batidos verdes (partilho a receita de hoje lá no instagram)
Uma boa semana de trabalho, que daqui a nada é carnaval!
08
Fev15

Ensaio geral


Sofia Serrano

Foi um fim de semana em casa, o mais pequeno a recuperar da virose que por aí anda, e todos no quentinho para não nos acontecer a mesma coisa. 
Basicamente, por aqui, sonha-se com o Carnaval que aí vem. 
Podia-se pensar que desta casa cheia de criatividade sairiam máscaras ultra-originais, mas não, que estes miúdos são do mais normal que há: vamos ter a princesa Aurora e o Faísca. Miúdos felizes, pais felizes. 
E hoje deu-se uma espécie de ensaio geral carnavalesco cá por casa.
Só é pena o fim de semana passar tão rápido, porque confesso que me diverti à farta!


07
Fev15

Vai nevar?


Sofia Serrano



Fui trabalhar esta manhã. 
Saí de vestido e um casaco quentinho, mas quando pus o nariz fora da porta, apercebi-me que devia era ter levado o edredon! 
Está um frio que não se pode, desta vez não é exagero. 
E andam aqui pelo céu umas nuvens negras a ameaçar chuva - ou neve, quem sabe! 
Por agora, e pelo resto do fim de semana, a opção segura é ficar por casa, no quentinho. O mais pequeno está felizmente melhor, mas não vamos arriscar a saídas precipitadas, para segunda feira podemos todos voltar às rotinas. 
Por isso, toca a aproveitar o café quentinho, os livros e as brincadeiras com os mais pequenos.

Bom sábado!
06
Fev15

5 razões para as urgências hospitalares andarem longe da perfeição


Sofia Serrano


Em pleno inverno, e em altura de pico da gripe, as notícias de caos nas urgências hospitalares sucedem-se. Horas infindáveis de espera, incapacidade de dar resposta, profissionais e utentes descontentes. Os políticos responsáveis pela saúde dizem que está tudo bem e melhor que há alguns anos atrás, os políticos que gostavam de ser responsáveis pela saúde argumentam que está tudo cada vez pior.
Na perspectiva de quem trabalha semanalmente num serviço de urgência (às vezes duas vezes durante a semana), há claramente razões para que o funcionamento das mesmas ande longe da perfeição:

1. Falta de recursos humanos.


Nao vale a pena atirar areia para os olhos: médicos, enfermeiros e auxiliares são menos que há alguns anos. A política de contenção levou a que não se renovassem contratos, e as equipas de urgência estão desfalcadas. Houve muita gente a pedir reforma antecipada, outros optaram por sair do país. Também temos de contar com o facto de a partir dos 50 anos ser possível deixar de fazer trabalho nocturno, e a partir dos 55 anos os médicos poderem mesmo deixar de prestar serviço de urgência. E depois temos pouca gente a fazer o trabalho de muita, e a exaustão instala-se, com repercussão no trabalho – e na saúde das pessoas (utentes e profissionais).

2. Falta de material.

Mais outro assunto tabu, que às tantas ninguém confirma nem desmente, com medo de represálias. A verdade é que há inúmeros casos relatados por todo o país de escassez de material básico, como luvas, gel, resguardos para as marquesas ou papel e toners para as impressoras. Podem faltar vacinas ou reagentes para fazer determinadas análises. A ideia principal é a contenção, por isso o investimento em material para que nunca falte parece ser coisa do passado. É claro que os fornecedores só entregam depois do pagamento, o que torna o dia a dia na urgência numa estratégia de gestão de quem lá está, com o que efectivamente há disponível para o diagnóstico e tratamento dos doentes.

3. Falta de recursos nos cuidados primários de saúde – os Centros de Saúde

Mais de um milhão de portugueses não têm médico de família. Ora o médico de família é fundamental no bem-estar de toda uma família, vigiando a saúde, prevenindo a doença. É no Centro de Saúde que se devem fazer rastreios e despistes de inúmeras doenças e incentivar uma vida saudável. Se não temos médico de família, então tudo se desmorona pela base – e vamos ter, com certeza mais pessoas doentes, e mais recurso ao serviço de urgência e hospitais.

4. Falta de condições sócio-económicas para sobreviver ao Inverno (e ao dia-a-dia)

Lembramo-nos sempre da Troika cada vez que se pensa em contenção e crise. O que é facto é que temos todos menos dinheiro para aquecer as casas, para alimentos saudáveis, para ir regularmente ao médico. E se pensarmos nos milhares de idosos que vivem sozinhos e não têm condições, por exemplo, para aquecer a casa perante temperaturas muito baixas, então temos de pensar que a probabilidade de adoecerem é muito elevada. E por isso, vão recorrer inúmeras vezes aos serviços de urgência.

5. Falta de informação da população

Quem trabalha numa urgência constata que uma percentagem assustadoramente elevada de doentes que lá recorrem não têm um motivo urgente para ser vistos. Muitas das vezes têm um determinado problema há meses, e por não terem médico de família acabam por recorrer ao hospital. Ou querem fazer um teste de gravidez. Ou mil-e-uma-outras-razões que têm pouco de urgente, e que implica que esperem horas, porque a triagem vai dar prioridade às situações efectivamente urgentes. Claro que todos os doentes acabam por ser vistos, porque até se ter o diagnóstico final, não podemos rotular de “situação não urgente”, mas muitos evitariam estar ali horas há espera se soubessem que é fundamental recorrer primeiro ao médico de família – e ele sim, se constatar que é uma situação urgente, referencia para o hospital ou para onde achar adequado.

Mas provavelmente já toda a gente sabe destes pontos anteriores. 

E aposto que muitos experts em gestão já se debruçaram sobre o problema, na tentativa de o resolver. O que é facto é que o cenário não é bonito. E é preciso arregaçar as mangas e fabricar soluções, porque Portugal tem dos melhores serviços nacionais de saúde a nível mundial – e não o queremos estragar.

(esta crónica e outras aqui)






06
Fev15

Diário de uma constipação de inverno


Sofia Serrano

Dia 3, mãe e filho fechados em casa, a braços com esta virose-de-inverno que teima em nos fazer passar noites em branco com uma tosse daquelas mesmo chatas, que se prolonga para o resto do dia. Vou repetindo mentalmente que em média estas coisas passam em 5 dias, mas geralmente pioram até ao terceiro, para justificar esta noite péssima que tivemos. 
Entretanto, as nossas amigas andorinhas voltaram a ocupar os ninhos da nossa varanda, por isso tenho esperança que o bom tempo chegue depressa. E claro, está aí a chegar o carnaval, o dia dos namorados e uma ida à neve, por isso precisávamos mesmo de uma família saudavel e cheia de energia, para aproveitar todos os momentos e experiências. 
Por agora, vamos comendo muitas tangerinas, sumos de fruta natural e coisas saudáveis para ajudar esta constipacao chata a ir embora depressa.
E para a mãe, muito café, que estes anos de vida hospitalar já me deram imunidade suficiente para me escapar a alguns vírus.
Boa sexta e que chegue rápido o bom tempo e os programas ao ar livre!


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