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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

18
Out15

7 coisas que as mães fazem no fim de semana


Sofia Serrano

1. As mães ficam felizes, porque é sexta-feira e o fim de semana está a chegar. Mas depois lembram-se que são mães, e que geralmente, fim de semana significa tudo menos descanso. Mesmo assim, têm esperança que vá ser um fim de semana memorável.

 

2. As mães acordam ainda mais cedo do que num dia da semana, porque os miúdos sabem que é sábado ou domingo e às 6h da manhã já andam a correr pela casa. E mesmo que sejam instruídos para "deixarem os pais dormir", essa regra parece não se aplicar à mãe, que é chamada multiplas vezes com "Mãaaeee, posso ir fazer xi-xi?" , "Mãaaeee temos fome, podes fazer panquecas?!", "Mãeeee a mana não me empresta o brinquedo!", até a mãe se levantar.

 

3. As mães passam o dia de rabo para o ar, a apanhar brinquedos espalhados por todo o lado, depois de repetir mil-e-uma-vezes aos filhos frases como "Por favor arrumem o quarto!", "Quando deixam de brincar com um jogo, arrumem-no primeiro e só depois vão buscar um outro!", "Brinquem no vosso quarto!" . Às tantas, infiltra-se na brincadeira, qual agente secreto, para discretamente ir deixando logo tudo arrumado, antes que a casa se trasnforme num cenário pós passagem de um furacão.

 

 

 

 

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17
Out15

Sonhar, sempre


Sofia Serrano

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Já em tempo falei sobre um sonho, o meu sonho de abrir uma clínica gratuita, onde toda a gente pudesse ter a gravidez bem seguida, com direito às ecografias necessárias, onde a família pudesse acompanhar a grávida, onde a saúde da mulher fosse uma prioridade, mas sem esquecer o casal, onde houvesse medicamentos gratuitos, contracepção gratuita. Onde se fizessem encontros entre famílias, preparação para o parto, seguimento no pó-parto, exercícios nas várias fases da vida da mulher. Onde se pudesse falar de sexualidade abertamente. Onde se aconselhasse, e se discutissem as melhores opções para todos, não só porque os livros o dizem. Onde ninguém precisasse de pagar nada.
Enquanto este sonho não se torna realidade, porque financeiramente é impossível (mas nunca se sabe quando me sai o euromilhões!), dou um bocadinho do meu tempo (e todo o meu coração) a um projecto que é a APF Algarve​, que acaba por ser parte deste meu sonho: esta ONG com muitos anos de existência ajuda a população de muitas e variadas maneiras, nas áreas do HIV/SIDA, contracepção, preparação para o parto e parentalidade, formação, consultas, toxicodependência e muito mais. No dia 16 de Outubro, organizámos um Encontro de Profissionais de Saúde onde se debateram temas como os mitos associados à toma da pílula, as disfunções sexuais, a sexualidade e contracepção pós cancro da mama e muito mais.

Foi uma fantástica partilha de experiências, que resultou do esforço voluntário de muitos e me faz acreditar que os sonhos são possíveis. Basta acreditar.


(sejam queridos e deixem um gosto na página da APF Algarve, e se conhecerem alguém interessado em financiar este tipo de sonhos, é só dizerem!)

15
Out15

As mulheres e a sexualidade


Sofia Serrano

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Falar sobre sexo ainda é coisa tabu para muitas mulheres.

Ainda não conseguimos que a nossa sociedade perceba que uma sexualidade saudável faz parte do bem estar diário. Em Portugal e no mundo, o problema repete-se e há estudos que mostram que quase metade das mulheres tem uma vida sexual insatisfatória. É preciso mudar mentalidades e comportamentos e é preciso conversarmos sobre o assunto.

As mulheres são seres complexos e sabemos que a maneira como correu o nosso dia, o cansaço físico, a discussão com o patrão, o filho que chora a meio da noite, tudo isso vai interferir na nossa sexualidade. E depois há problemas médicos e medicamentos que também podem diminuir o desejo, diminuir a lubrificação, interferir com o orgasmo, originar dor.

Mas é possível melhorar. E devemos querer estar bem, nesta parte fundamental da nossa vida. E procurar ajuda, se necessário.

Amanhã, a APF Algarve organiza um Encontro de Profissionais de Saúde que tem como tem "Controvérsias na Saúde da Mulher, do Casal e da Criança". Vão estar médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e estudantes à conversa acerca de temas fundamentais. Eu vou falar sobre Disfunções Sexuais Femininas e espero poder dar mais um pequeno contributo para melhorar a sexualidade das mulheres.

 

13
Out15

Presentes


Sofia Serrano

Não são presentes, tecnologia ou roupas giras que eles querem - ou precisam. O que faz falta ao coração e à mente de uma criança para crescer feliz, saudável, com confiança, é tempo. Tempo e atenção, porque às vezes tiramos a tarde para estarmos com os nossos filhos e passamos o tempo a atender chamadas do trabalho ou a resolver problemas inadiáveis.
Eles precisam que estejamos efectivamente com eles. Para conversar, para ajudar a subir ao escorregar, para ensinar a andar de bicicleta sem rodinhas. E é este tempo que conta - para eles e para nós, porque não há nada melhor que um coração feliz.

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12
Out15

As más noticias


Sofia Serrano

Incrivelmente mais difícil que dizer a uma grávida de 43 anos que já é mãe de três meninas que vai ter gémeos, é anunciar a um casal carregado de esperança e sonhos que vem fazer a primeira ecografia que o coração do bebé deles não bate. Aquele minúsculo feijão já era o bebé deles. Desde os dois tracinhos naquele primeiro teste de gravidez que já o imaginavam, já o amavam, já pensavam como seria, se teria o feitio da mãe e os olhos do pai. Já havia listas de nomes para menino e menina. Já havia sonhos para um futuro maravilhoso.

Não, a faculdade de medicina não nos prepara para estas coisas. Nem a experiência. Nem os conselhos dos outros. Nada ajuda a que seja mais fácil dizer a um casal que, afinal, o sonho deles não se vai concretizar. 

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É das coisas mais difíceis: não se conseguir ouvir o bater do coração do bebe na primeira ecografia.

Para mim é incrivelmente duro, mas para eles é o desmoronar de um sonho.

Resta-me acreditar que tudo acontece por uma razão e partilhar isso com eles - e dar coragem para conseguirem ultrapassar as más notícias e para que voltem a acreditar que a felicidade é possível.

 

 

11
Out15

Todos os dias são bons


Sofia Serrano

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Podia dizer que adorava ter passado o fim de semana num qualquer destino exótico do mundo, ou sentada a assistir aos desfiles da moda Lisboa e a saber o que afinal se vai usar. Mas não. O fim de semana aqui foi do mais normal que há, à excepção de ter tido a companhia do Joaquin, que nos trouxe nuvens cinzentas e chuva.

E se pensam que dias cinzentos trazem monotonia, esqueçam: dias cinzentos são bons para estarmos juntos, em família. Para fazer panquecas e sumos de laranja logo pela manhã. Para comermos romãs. Para jogar monopólio e ler livros no sofá. Para convidar os vizinhos para brincar cá em casa quando a chuva começa a cair e não se consegue andar de bicicleta. Para experimentar uma nova receita ou para irmos juntos dar umas braçadas na piscina.

Estes fins de semana não são de verão, mas são bons.

Melhor: todos os dias são bons. Somos nós que os fazemos assim.

(e podem-nos seguir no instagram, aqui)

08
Out15

Momentos em que uma médica não sabe o que dizer


Sofia Serrano

Dos momentos que não sei o que dizer (nem como o dizer):


quando estou a fazer ecografias, entra uma grávida para a do primeiro trimestre e confessa-me que já não tem idade para estas coisas (tem 43 anos), que isto foi tudo um descuido e que já tem 3 meninas lindas em casa.

Não sabe bem como vai ser esta gravidez porque se sente cansada e a barriga parece tão grande (acha que já está a comer por dois!).


Assim que pouso a sonda na barriga dela e vejo dois sacos com dois fetos aos pulinhos e com dois corações vigorosos, interrogo-me como é que posso dar a notícia de que, afinal, vai ter gémeos (2 filhos a juntar aos 3 lá de casa) sem provocar um ataque cardíaco à senhora.


Depois do choque e de Nosso Senhor Jesus Cristo ser invocado várias vezes, na gestão da crise, lá acaba por dizer:
"Bem, afinal posso comer por 3!"

 

(há que ver sempre o lado bom das coisas)

 

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07
Out15

O melhor exercício físico do mundo


Sofia Serrano

Podia mentir e dizer que adoro correr. Não adoro, aliás, foi sempre, dentro da vasta panoplia de exercício físico, aquele que menos me cativou. Adoro nadar, andar de bicicleta, fazer todo o tipo de ginástica. Mas dispenso corridas que envolvam vários kms e maratonas, sejam elas mini, meias ou inteiras.

Posto isto, descobri o que gosto mesmo de fazer. Aquilo que me me faz ir com vontade para o ginásio, que me faz adorar estar na aula e que me faz sentir bem durante toda a semana: pilates e yoga.

Não, não é nada de novo, nem descobri a pólvora, mas finalmente comecei a ir a estas aulas, que achava serem demasiado paradas ( achava, há alguns anos, na altura em que só o Bodycombat me tirava o stress e me deixava sem culpas para comer uma tablete inteira de chocolate.)

O pilates respeita o corpo, puxa por nós, mas sem haver aquele "no pain no gain " que me tira do sério. Relaxa, fortalece. E no dia seguinte sentimos bem que fizemos um bom exercício. A postura melhora bem como a flexibilidade -  e a paciência. Descobri que devia ter feito logo após os partos, porque barrigões e cesarianas deixam mazelas - e andar com os miúdos ao colo dá cabo das costas.

Mas quanto mais fazemos, mais gostamos e mais melhoramos. Recomendo verdadeiramente .

E o yoga, para além de ser óptimo para relaxar e tonificar, ajuda-nos a escutar o mundo, a sentir o que nos envolve, a descobrir quem nós somos.

(suspeito que se começássemos todos nesta filosofia de vida, deixaríamos de ser um dos países onde se consomem mais antidepressivos e ansioliticos)

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05
Out15

Descoberta sensacional


Sofia Serrano

Uma equipa de investigadores espanhóis, em Valência, anuncia ter descoberto que as mulheres que engravidam com óvulos de dadora passam material genético ao feto. É uma fantástica descoberta, que não se acreditava ser possível num processo de reprodução medicamente assistida deste género.

Assim, o bebe vai ter não só material genético dos pais biológicos (da dadora de óvulos e do pai) mas também da mãe que o carrega no útero os nove meses.

 

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É só mais uma prova da complexidade da vida humana, mas acima de tudo, da complexidade do processo de reprodução. 

 

(E mais que o material genético, é também o amor que marca a vida.)

 

 

 

 

 

 

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