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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

22
Nov16

Passatempo "Cinderela no Gelo"


Sofia Serrano

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O Natal está a chegar. Já há luzes na Natal a brilhar nas ruas, planeiam-se as festas em família, escrevem-se cartas ao velhote de barbas brancas, na esperança que ele nos traga o que mais desejamos.

E começaram, claro, os espetáculos de Natal. 

Este ano, está na nossa agenda de eventos imperdíveis o "Cinderela no Gelo", apresentado pelo Alegro Alfragide. A história da menina que perde o sapatinho de cristal é uma das preferidas cá de casa, e estamos com muita curiosidade em ver este musical no gelo, que tem como lema "Sonhar é Acreditar!".

 

Mas não é tudo. Para que vocês possam viver também um pouco desta magia de Natal, o Café, Canela &o Chocolate, em parceria com o Alegro Alfragide, tem para oferecer a uma família leitora do blog um pack família, válido para 4 pessoas, para ver o espetáculo no dia 26 de Novembro, às 15:00.  

Viva o Natal!

 

Para se habilitarem a este prémio têm de:

- fazer "gosto" no facebook do Alegro Alfragide

- partilhar este post no facebook (partilha pública) e deixar em comentário o nome de 3 amigos

 

 

O vencedor será escolhido através do random.org de entre todas as participações válidas e anunciado no dia 25 de Novembro, aqui no blog.

- O Pack Família 4 deverá ser levantado na bilheteira da tenda, mediante a apresentação do documento de identificação até 1 hora antes do espetáculo.

 

Boa sorte - e se forem ver o Cinderela no Gelo este fim de semana, muito provavelmente encontramo-nos !

 

17
Nov16

Prematuros - o desafio de nascer antes de tempo


Sofia Serrano

 

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Apesar de todos os esforços e melhorias nos cuidados de saúde, a prematuridade não tem diminuído nos últimos anos. Ser prematuro significa chegar antes de tempo, e é uma situação complicada para todos os envolvidos. Um desafio constante, para todos.

 

Para o bebé, que chegou cedo demais e ainda não está preparado para as agressões deste mundo. É preciso ficar numa incubadora, estar ligado a tubos e diversos aparelhos que tentam fazê-lo crescer o melhor possível. É preciso lutar todos os dias para conseguir respirar, para conseguir alimentar-se, para sobreviver fora do ambiente protetor e confortável que tinha na barriga da mãe.

 

Para os pais, que esperavam um bebé de termo, que fosse com eles para casa. Têm de enfrentar a angústia diária de ver o seu bebé com tubos, de não o poder ter sempre no colo, de não o conseguirem proteger deste mundo para o qual ainda não está preparado. A angústia do oxigénio, das gramas, de aprender a engolir. De o ver ser submetido a um sem fim de exames. A angústia de ter de ir para casa no final do dia, sem o seu bebé.

 

Para os profissionais de saúde, que trabalham com os pais e com os bebés.

Os obstetras, que têm o papel de ajudar estes bebés que precisam de nascer mais cedo a chegarem a este mundo da melhor forma possível. Que tentam sempre que os bebés cresçam o máximo tempo possível na barrigas das mães e que têm de decidir quando é mais seguro fazê-los nascer, sabendo dos riscos que isso implica (tão difícil, esta decisão)

Os neonatologistas e enfermeiros, que cuidam destes pequenos bebés, muitas vezes com apenas algumas centenas de gramas, de forma quase mágica. Que passam os dias  ao lado deles, atentos a todos os pormenores. Que nunca desistem. Que confortam bebés e pais. Que comemoram cada vitória como se fossem da família.

 

Sim, todos são grandes lutadores. É essa capacidade que está intimamente ligada à prematuridade, e que permite apreender a saborear cada conquista diária como uma grande vitória.

 

 

 

 

 

16
Nov16

Coisas que se passam dentro da barriga da mãe


Sofia Serrano

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Dia de ecografias obstétricas.

Entra uma grávida com o marido e uma filha pequena. Ela, com a curiosidade típica de quem tem 4 anos, começa logo por dizer que vem ver o mano.

Aproxima-se do ecógrafo e de mim, e fica muito atenta ao ecrã a preto e branco.

Quando vê uma bolinha, grita logo muito alto:

 

- A cabeça, estou a ver a cabeça do mano!!!!

 

Digo-lhe que é muito boa em ecografia, e mostro-lhe melhor a cabeça do bebé.

Ela fica contente, muito orgulhosa (porque o pai diz que não está a perceber nada!) e avança sem medos para o resto do exame.

 

- Os dentes! Estão ali os dentes! Tão GRANDES!

 

Lá lhe explico que aquela imagem que parece uma fileira de dentes é, afinal, a coluna vertebral.

Fica contente porque afinal o mano não se parece com o lobo mau. E não desanima.

 

- A mão! Estou a ver! Consigo ver a mão do mano!

 

Numa certa altura, estou a avaliar o cordão umbilical com o doppler, e há cores no ecrã.

Ela não percebe bem o que se passa e lá lhe explico que é o cordão umbilical, e que é por ali que o bebé se alimenta.

Fica pensativa.

 

- O cordão está SEMPRE a levar comida? E a mãe já me disse que ele está dentro de água!

Afinal a vida dele é só NADAR e COMER?

Quando é EU que posso voltar para a barriga da mãe?

 

 

 

 

 

15
Nov16

Sobre médicos mais humanos


Sofia Serrano

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Fala-se cada vez mais sobre humanização dos cuidados de saúde. Humanização do parto. Humanização do atendimento. Humanização? Mas nós não somos humanos?

A verdade é que o grande desenvolvimento científico e tecnológico dos últimos anos não foi acompanhado pelo respetivo desenvolvimento no "cuidar". Andamos tão focados em números, medicamentos, máquinas de ressonância magnética e robots que fazem uma cirurgia por nós que nos esquecemos de quem somos. 

Mas nós somos humanos. Mesmo com tecnologia e acesso ao último grito da ciência, a humanidade é o que nos define. 

Ser humano implica falarmos com as pessoas. E ouvirmos. E acredito que para sermos bons médicos, temos de dialogar com quem nos procura. Ter tempo, sensibilidade, simpatia.

A humanização não pode ser um item numa lista para um serviço ter uma acreditaçao qualquer. A humanização tem de estar sempre connosco. 

Porque nem os médicos, nem os doentes são máquinas. Temos necessidades básicas, temos emoções, somos complexos e trazemos connosco todo um mundo - desde a nossa cultura, à nossa religião, às nossas convicções.

E enquanto nos respeitarmos mutuamente, e tivermos tempo para dialogar, vamos continuar humanos.

 

[falei sobre Humanização nos Cuidados de Saúde no Congresso Nacional de Estudantes de Medicina no Porto, que se tiverem curiosidade podem ver aqui, e há mais sobre este assunto no livro "Confissões de uma Médica" ]

 

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13
Nov16

Os melhores presentes de sempre


Sofia Serrano

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 Nos últimos anos, muita coisa mudou na nossa vida, mas em particular na dos nossos filhos. As nossas crianças passam muito tempo sentados, quer na escola, com um tempo exagerado de aulas e currículos muito extensos, quer em casa, em frente à televisão ou com brinquedos que permitem pouca criatividade.

O melhor mesmo é tentarmos contrariar esta tendência. Para crescerem saudáveis e felizes, não precisam de brinquedos caros, de escolas com mais horas de aulas e apoio ao estudo nem de mil e uma atividades extracurriculares.

O melhor presente é levá-los para a rua, deixá-los brincar ao sabor da imaginação em contacto com a natureza. Subir às árvores, apanhar fruta, correr na terra. Apanhar pedras e paus e inventar brincadeiras. O melhor presente é deixá-los sujarem-se, andar de bicicleta ou jogar às escondidas.

Aqui em casa, os melhores presentes passam por brincar na rua. 

E há poucas coisas que os deixem mais felizes. Tardes a subir às árvores, a jogar às escondidas com os amigos, a andar de bicicleta ou a patinar. Ao sabor da imaginação e da criatividade. 

 

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12
Nov16

PickABrunch


Sofia Serrano

Estivemos no Porto, para a apresentação do meu livro "Confissões de uma Médica" na Fnac de Santa Catarina (casa cheia, foi maravilhoso!)  e para uma participação no Congresso Nacional de Estudantes de Medicina.

Para além disso, aproveitamos para conhecer sítios novos na cidade - ainda não tinhamos levado os miúdos ao Parque da Cidade do Porto e queríamos muito experimentar o Soundwich.

Melhor ainda foi receber um convite para experimentar o novo brunch do Soundwich, o PickABrunch, no espaço PickAPark. Adorámos!

 Este é o Brunch ideal para quem quer relaxar depois de uma semana de trabalho, num ambiente preparado quer para o Inverno – com lareiras e aquecedores, criando um espaço verdadeiramente acolhedor -, quer para o Verão.


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12
Nov16

Há dias assim


Sofia Serrano

 

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Gostava de acordar todos os dias linda, maravilhosa, e com um humor fantástico, a acreditar que este planeta é o lugar mais espetacular de sempre. Mas não. Há semanas dificeis, cansaço acumulado, coisas que não correm como esperamos. 

E há dias difíceis. Dias em que não apetece sair da cama. Em que parece que as coisas correm sempre ao contrário.

Há dias assim, em que o humor não está em alta, em que falta a paciência para as coisas simples.

Há dias assim,  em que sabemos que somos humanos, porque sentimos. Porque para além das emoções boas, temos as menos boas.

E às vezes, é preciso sentirmo-nos em baixo para depois respirar fundo e acreditar que tudo vai melhorar.

Há dias assim - em que o café e o chocolate são a nossa melhor arma.

Sim, hoje podia ser um dia melhor.

Talvez amanhã.

 

 

08
Nov16

Senhor Presidente


Sofia Serrano

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Há um tempo atrás tinha partilhado aqui a minha surpresa e emoção quando abri o Mail e tinha um convite do Presidente da República!

Primeiro nem queria acreditar, pensei que seria spam, mas lá me apercebi que era mesmo real : o presidente convidava-me para um concerto, seguido de uma visita a uma exposição e um Porto de honra, em Belém. Em suma, uma maravilhosa surpresa!

  

E depois de andar às voltas à procura de um vestido para a ocasião e de ter tido tempo para ir ao cabeleireiro fazer um penteado à altura, chegou a hora do evento. Muitas figuras importantes, muitos autores e editores. E o presidente Marcelo Rebelo de Sousa fez as honras e explicou que esta era uma forma de agradecer aos autores e editores que fizeram da Feira do Livro em Belém um sucesso. 

 

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Ouvimos a Orquestra da Câmara de Oeiras e Cascais tocar no Museu dos Coches, num fantástico ambiente, e seguiu-se uma visita à exposição sobre os 300 anos da Embaixada de D. João V ao Papa Clemente XI. 

O Presidente foi muito simpático e acessível com todos os presentes, e adorou o exemplar do "Confissões de uma Médica" que lhe ofereci - admitiu que já estava cheio de vontade de o ir ler, porque adorava histórias de médicos e era hipocondríaco! 

E claro, tirou uma selfie sempre com boa disposição!

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Um serão muito especial, em boa companhia. Obrigada ao excelentíssimo senhor Presidente, pela simpatia, pela maneira como nos recebeu e acima de tudo por ser o Presidente que todos precisamos!

 

 

 

 

04
Nov16

Porque é que as ginecologistas não podem ser fashion


Sofia Serrano

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Quando comecei a especialidade de Ginecologia e Obstetrícia, apercebi-me que os médicos com quem trabalhava não usavam anéis. Ou alianças. Pensei que era uma espécie de moda na especialidade - afinal de contas, há hábitos estranhos em todas as profissões.

Depois ouvi um sem fim de histórias de quem tirou a aliança para se desinfectar para uma cesariana de urgência e nunca mais a viu - com as dificuldades associadas em explicar à cara metade que tinha sido uma espécie de acidente de trabalho. 

Deixei de usar anéis depois de ter perdido o meu anel-de-noivado num dos dias de urgência - se calhar é por isso que ainda temos o casamento em atraso ;)

Depois, acabei por deixar de usar relógios, que adorava, porque num dia em que tinha uma série de cirurgias, esqueci-me dele no bloco operatório e passei uma semana a procurá-lo, até o ter encontrado no bolso da bata. 

As pulseiras também começaram a ficar em casa, porque não eram uma boa opção para fazer consultas ou partos.

E depois de um dia inteiro a esfregar unhas, mãos e antebraços nas lavagens cirúrgicas era impossível ter unhas bonitas com aquele verniz top, por isso também desisti desse luxo. Não há verniz que resista 24 horas sem umas boas lascas.

Aquele ar maravilhoso de quem saíu do cabeleireiro também não sobrevive a um barrete cirúrgico, já para não falar de que a roupa gira da moda tem de ser substituída por uma farda verde ou ficar tapada com a bata branca.

Em suma, aprendi que nesta especialidade, quem trabalha tem de deixar o lado fashion de lado - e que o que importa mesmo não são os anéis ou a marca dos relógios, se o penteado está bonito ou se a unhas estão impecáveis, mas o amor é o esforço que pomos no nosso trabalho.

Ser ginecologista não é fashion. Mas é a especialidade mais bonita do mundo.

 

 

 

 

 

 

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