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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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23
Jun17

4 perguntas (e respostas) sobre gravidez após os 40


Sofia Serrano

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1 - Quando se quer engravidar já com uma idade avançada e não se consegue, quais são os passos que se deverá dar?
 
É muito frequente na sociedade ocidental adiar a maternidade por várias razões (desde a profissional até à procura das condições ideais de vida) e sabemos que a idade média para o primeiro filho aumentou nas últimas décadas.
As grávidas com mais de 35 anos eram cerca de 8% em 1988, e em 2008 tínhamos 20%.
 
Quando um casal está a tentar engravidar, consideramos que é "normal" demorar 12 meses a conseguir uma gravidez. No entanto, quando falamos de uma mulher com 35 ou mais anos, este período reduz-se para 6 meses. Nestas condições, o ideal será o casal recorrer ao seu médico ginecologista/obstetra, que fará uma história clínica completa e solicitará exames para perceber se há algum fator que esteja a interferir com uma gravidez. Nalguns casos não se consegue descobrir nenhuma razão.
Após o resultado dos exames, e de acordo com a vontade do casal, pode ser proposto um tratamento para ajudar a ter o tão desejado filho.
 
 
2- A partir de que idade é que começa a ser mais difícil para uma mulher engravidar?
 
Biologicamente falando, a partir dos 35. Esta idade marca uma queda importante em termos de funcionamento dos ovários.
Cada ano que passa será mais difícil uma gravidez, até que perto dos 50 se torna mesmo muito difícil, chegando-se depois à menopausa.
 
 
 
3- Quais são os principais problemas que podem surgir numa gravidez de uma mãe com mais de 40 anos?
 
Na perspetiva biológica:
 
Quando se decide engravidar após os 40 temos de ter em conta vários aspetos: primeiro, que será de facto mais difícil obter essa gravidez, e depois que durante a mesma, haverá maior probabilidade de complicações.
 
Claro que o decorrer da gravidez estará diretamente relacionado com problemas ou factores que já existam antes da gravidez (como a idade da mãe, as doenças que tem, a sua genética...) e com problemas que surjam durante a mesma (pode aparecer uma diabetes, hipertensão, infeções, toma de medicamentos, ingestão de álcool...)
 
Principais problemas na gravidez quando a mãe tem mais de 40 anos:
- aborto
-aneuploidias (trissomia 21, outras)
- malformações fetais
- diabetes e hipertensão
- hemorragias
- parto pré-termo
- cesariana
- restrição de crescimento fetal
- sofrimento fetal, morte fetal...
 
Na perspetiva psicológica, temos dois lados:
 
- geralmente são mulheres com maior maturidade e melhor saúde mental, com menos medo de ficar sem ajuda e perder o controlo durante o parto, mais satisfeitas com ajuda obtida - a experiência de vida e identidade mais consolidada faz com que estejam melhor preparadas para aceitar o bebe como indivíduo com características próprias.
 
- por outro lado, podem ter disposição física reduzida, menos atitudes positivas em relação à maternidade, mais ansiosas em relação ao cuidado com a criança no período pós parto, perceção constante que o feto corre mais risco durante a gravidez e parto... e tudo isto pode originar maior resistência à mudança e maiores problemas de adaptação à maternidade.
 
 
 
4- Que exames é que uma grávida de 40 anos deverá fazer e para que servem esses exames?
 
Uma gravidez acima dos 40 anos é uma gravidez de alto risco, e deve ser vigiada como tal (numa consulta especializada ou por um Obstetra). Terá mais consultas e ecografias que numa gravidez normal e fará mais exames, porque se sabe que há maior probabilidade de surgirem problemas (referidos atrás).
 
Por exemplo, para além das habituais analises ao sangue e urina, a tiroide também é vigiada.
 
Os exames de diagnóstico pré-natal no primeiro trimestre são mais aprofundados: numa gravidez de baixo risco geralmente faz-se só o rastreio combinado do 1º trimestre (ecografia e analise ao sangue) enquanto que acima dos 40 anos, podemos oferecer aos pais a possibilidade de biópsia das vilosidades coriónicas (11-13semanas) ou amniocentese (16-18 semanas) para estudo genético. Os testes de estudo do DNA fetal (Harmony, Neobona ...) podem também ser realizados nestes casos mas são só testes de rastreio, a confirmar por um método invasivo.
 
Grávidas com mais de 40 anos devem fazer também ecocardiograma fetal.
 
Depois, dependendo das doenças da mãe ou das situações que surgirem, vários outros exames podem ser necessários.
 
 
A gravidez após os 40 anos é cada vez mais frequente, e na grande maioria dos casos, se bem vigiada, decorre sem grandes problemas.
 

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