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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

17
Set16

As mães têm sempre razão.


Sofia Serrano

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Há 8 anos atrás estava na maternidade, de armas e bagagens, para te tentar convencer que a vida cá fora também era boa e que 41 semanas eram mais que suficientes para aguentares as maravilhas deste nosso planeta Terra.
Foi um dia inteiro a subir e descer escadas no hospital, entre comprimidos para induzir, soros e rotura de bolsa.

As contrações foram terríveis, a epidural um alívio.
Mas não nasceste no dia 17, como eu achava que ia acontecer.


Tu, teimosa como agora, decidiste que só ias nascer depois da meia noite, no dia 18 de setembro, exatamente no dia de anos da tua avó, 50 anos depois dela ter decidido vir ao mundo.

Por isso, amanhã é um dia especial: tu, minha querida, farás 8 anos, e a minha mãe, a tua avó mais 50.


E sim, a tua avó, no dia em que eu lhe disse que estava grávida, fez as suas contas e disse-me logo que ias nascer no dia de aniversário dela. Eu nem ponderei tal hipótese, porque achava que 41 semanas eram simplesmente demais, e que seria mais cedo.

 

As mães têm sempre razão: amanhã é o vosso dia, e eu tenho muito orgulho nas duas.

 

 

14
Set16

Sobre coragem e sobre ser mãe


Sofia Serrano

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Entrou no consultório com os dois filhos e a mãe.

Traziam alegria, e apesar de estar escuro - uma meia luz funciona melhor quando fazemos ecografias - o espaço ficou iluminado.

Os dois rapazes estavam concentrados nos smartphones ( não caçavam pokemons mas brincavam noutros jogos e trocavam frequentemente de telefone para se ajudarem um ao outro).

A avó sorria, com aquele sorriso de quem não consegue disfarçar o orgulho na família.

Ela exibia orgulhosamente uma barriga de terceiro trimestre, e o sorriso de quem é feliz.

E disse muito tranquilamente que vinha fazer mais uma ecografia para saber se estava tudo bem com a sua menina. Depois de uma sessão de quimioterapia, queria sempre saber como estava a bebé.

O coração batia forte, e a bebé crescia tranquilamente, aconchegada na barriguinha desta grávida feliz de cabelo curtinho.

 

"Qumioterapia?" - perguntei eu.

 

 

Contou-me que tinha tido o diagnóstico de cancro da mama durante a gravidez.

Às 20 semanas.

Quando já sentia os pontapés da sua bebé e imaginava as brincadeiras dos irmãos com a recém-chegada.

Depois do diagnóstico, propuseram-lhe imediatamente terminar a gravidez, para poder fazer os tratamentos adequados, sem restrições. Ficou em choque. Terminar a gravidez?

Teve a vida repentinamente virada do avesso. Mas encontrou, numa reportagem de uma revista, um caminho.

Fez as malas para Lisboa, foi ouvir uma outra opinião. Acreditou que tinha de lutar por si e pela sua filha, e arranjou armas para tal.

Depois das 25 semanas, começou a quimioterapia, com um grupo com experiência com casos destes. Recuperou a esperança e o sorriso.

O sorriso não engana.

 

Ao ouvir na ecografia o coração da bebé, sabe que esta luta é pelas duas. E que fez a escolha certa.

 

 

 

 

31
Ago16

Festa do Livro em Belém


Sofia Serrano

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Tal como tinha sido anunciado na Feira do Livro de Lisboa, o Presidente da Republica vai abrir as portas do Palácio de Belém de 1 a 4 de Setembro para a Festa do Livro onde os visitantes poderão passear nos jardins, mas também "contactar com livros e comprar livros", segundo Marcelo Rebelo de Sousa.

A Festa do Livro em Belém contará com a participação de cerca de 40 editores que brindarão os visitantes com as suas obras e a presença de alguns dos seus prestigiados autores.

São muitos e variados os motivos para visitar este evento: poesia, debates, cinema, concertos, sessões de autógrafos e lançamento de livros.

No espaço reservado aos mais pequenos, dinamizado pela Rede de Bibliotecas de Lisboa, terão lugar sessões do conto, jogos didáticos, yoga, animação de rua e momentos musicais.
A não perder as sessões de cinema com o filme póstumo de Manoel de Oliveira “Visita ou Memórias e Confissões”, no palco do Pátio dos Bichos e as várias mesas redondas que irão ter lugar no Auditório (zona da Cascata).

Para maior comodidade dos visitantes, existirão várias zonas de leitura com uma ligação aberta ao Jardim Botânico Tropical, e uma zona de restauração com ampla oferta de espaços e produtos.

 

Eu vou lá estar, no sábado dia 3 de Setembro, a partir das 16h, no pavilhão da Editorial Presença (pavilhão nº 24) com o "Confissões de uma Médica" - para autógrafos e dedicatórias ou só para uma boa conversa!

Espero por vocês e estou muito entusiasmada por ir conhecer os Jardins do Palácio de Belém :)

Podem saber mais sobre o evento aqui.

 

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22
Ago16

Sofá Verde


Sofia Serrano

Aquele momento em que a mãe avisa que vai aparecer no programa "Sofá Verde" da Sporting TV a falar do livro "Confissões de uma Médica" e o miúdo corre a vestir o novo equipamento do Benfica, que o pai benfiquista lhe comprou - anda uma mãe a criar um filho para isto!


Valha-nos a miúda que é do Sporting como a mãe :)

 

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 Viram?

09
Ago16

Vencedor do passatempo "Confissões de uma Médica"


Sofia Serrano

Muito obrigada a todos pelas centenas de participações, e também pelo vosso feedback em relação ao livro, que tem sido absolutamente fantástico!

Quanto ao vencedor de um livro "Confissões de uma Médica", da editora Marcador, é...

 

Katia Amorim Verdasca

 

Muitos parabéns e espero que goste da leitura:)

Por favor envie mail para msofiaserrano@gmail.com com a sua morada, para lhe fazermos chegar o seu exemplar.

Boas leituras para todos!

 

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14
Jul16

"Confissões de uma médica" - o livro!


Sofia Serrano

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Foi um livro que nasceu de parto natural. Sem induções, epidural ou ventosa. 

Nasceu de sonhos, de acreditar, de não desistir.

Nasceu de muitas histórias e pessoas que se cruzaram no meu caminho, que me fizeram pensar, que me mudaram. De um percurso com aventuras (quase) à Anatomia de Grey.

É um livro feito com o coração. Escrito ao longo de vários anos, com episódios que se passam nas salas das faculdades de medicina, por detrás das portas do bloco operatório, durante longas noites de urgência. 

Espero que gostem.

 

A partir de 20 de Julho, à venda nas livrarias e hipermercados de todo o país.

 

Lançamento:

Lisboa, Fnac Chiado, 20 de julho às 18:30.

Faro, Fnac Forum Algarve, 23 de julho às 21:30.

 

 

 

11
Jul16

Sobre os portugueses


Sofia Serrano

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Somos capazes de coisas grandiosas. Sempre tivemos coragem de ir mais além.

Há séculos atrás ousámos percorrer o mar rumo ao desconhecido, acreditando que conseguíamos. 

Nos dias de hoje continuamos a acreditar. Acreditamos que podemos ir mais além, desde o desporto à ciência.

Temos aquele feitio que nos faz não desistir e, mesmo que custe, continuamos. Mesmo quando as coisas estão difíceis, acreditamos. Somos o fado. Vivemos guiados pelos sonhos.

Ousar sonhar. Acreditar. 

Desde o momento em que se segura a taça de campeões europeus, ao momento em que se tem na mão um livro, com um pedaço de nós.

Bolas, há dias maravilhosos.

 

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11
Fev16

Confissões de uma médica #12


Sofia Serrano

"Normal" é uma palavra complicada. Não gosto muito dela.

Normal é o quê? A maioria? O percentil 50? O mais frequente?

A maioria das pessoas acha que se está "normal" então está tudo bem.

É normal passarmos os dias a trabalhar, é normal estarmos cansados, é normal os miúdos serem mal educados. É normal os políticos serem todos muito parecidos e não mudarem praticamente nada na nossa vida em geral, é normal esperarmos horas para sermos atendidos num hospital público.

É normal serem as mães a tratar dos filhos mesmo que trabalhem mais horas que os maridos, é normal que os pais ajudem pouco, é normal que não se conheça os vizinhos, mesmo que moremos no bairro há mais de 10 anos.

É normal que se gastem centenas ou milhares de euros em tecnologia mas não se tenha tempo para parar e respirar, é normal que as crianças passem o tempo a estudar para ter as melhores notas mas não saibam fazer a cama ou pôr a mesa.

Não, definitivamente não gosto do conceito "normal".

Vivemos num mundo cheio de possibilidades, e o mais importante é descobrirmos o nosso modo de sermos felizes.

Pode ser normal os médicos trabalharem mais de 24horas, muitos dias por semana, mal verem os filhos, não terem tempo para os amigos nem para os companheiros. Pode ser normal deixarem os filhos até tarde na escola, inscrevê-los em mil e uma actividades extra curriculares, arranjarem explicadores para ajudar nos TPCs. Terem empregadas para cozinhar e limpar a casa.

Não, definitivamente , eu não sou normal. Sou feliz exatamente por ser diferente. E adoro cada instante.

 

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 imagem daqui

 

 

15
Jan16

Não há más mães - um post sobre mamas


Sofia Serrano

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Já perceberam que não sou fundamentalista. Não acho que as coisas tenham de ser pretas ou brancas - o cinzento também é uma cor e não gosto de dizer "eu nunca vou fazer isto". Não sei o que o dia de amanhã me reserva.

Muito se fala de amamentação. Uns porque sim, tem se ser, sob qualquer circunstância, porque é o melhor para a mãe e para o bebé.

Outros porque não, porque já decidiram que ia ser assim e se o biberon existe não vão mudar de ideias.

Parece-me que o mundo é grande o suficiente para todos nós.


E posso-vos contar a minha experiência, no meio disto tudo. Mais uma, como muitas que já leram, que não significa que seja igual à vossa, melhor ou pior - é só a minha, uma partilha entre mães.

Como profissional da área sei, desde o tempo da faculdade, que o leite materno é o ideal para alimentar o bebé. Tive uma fantástica professora de Pediatria, a Dra Leonor Levy, acérrima defensora da amamentação numa altura em que os biberons estavam na moda. Ela mostrou-nos todos os factos e evidências que defendem a amamentação, desde a ligação entre a mãe e o bebé, até ao facto do leite materno ter exactamente as substâncias que eles precisam nos primeiros meses de vida. E explicou-nos como orientar uma pega correcta (o posicionamento da boca do bebé no mamilo, para que a sucção seja a adequada, o bebé não engula ar e o mamilo não fique macerado). E mais uma vez em teoria é tudo muito simples. E parece muito fácil.

Depois, anos mais tarde, quando comecei na especialidade, sempre incentivei a amamentação (porque os benefícios são inegáveis, e às vezes é preciso insistir um bocadinho e não desistir à primeira dificuldade), mas também contactei com situações em que as coisas claramente não estavam a correr bem (como mastites complicadas) e tentei que as mães compreendessem que não eram piores mães se deixassem de amamentar para ficarem bem, que mãe e bebé saudáveis e felizes é o que se quer.

 

Claro que depois vem a minha experiência pessoal - passar pelas coisas dá-nos claramente outra perspectiva.

 

 

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