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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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16
Abr17

Confissões de uma médica #14 : o mundo está a mudar


Sofia Serrano

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Vivemos num mundo maravilhoso. Com um sol fantástico, paisagens bonitas. Cheio de diferentes culturas e tradições. Com amor e amizade. Mas também recheado de desigualdades, discriminação, guerra, doenças.

Nas últimas semanas voltamos a ouvir falar do sarampo. Uma doença que estaria erradicada até...bom, até deixarmos de ter uma população vacinada. O sarampo voltou, como a tosse convulsa. Por várias razões possíveis, desde os pais que optam por não vacinar as crianças (quero acreditar que por estarem mal informados) até ao facto de recebermos no nosso país pessoas provenientes de zonas do mundo onde não existe um plano de vacinacão.

A verdade é que já ninguém está habituado a ver ou tratar sarampo. Há mais de 30 anos era frequente, mas em 2016 tinha sido erradicada de Portugal.

 

 

Por isso, é muito fácil alguém entrar no nosso pais com a doença (que é altamente contagiosa), achar que está com uma simples virose, e em poucos dias contactar com muitas pessoas - nos centros comerciais, numa ida ou cinema ou no supermercado - e infetar muita gente. Em particular, as crianças ou adultos que não foram vacinados. E se numa semana temos 4 casos, na semana seguinte podemos ter o dobro ou o triplo, e por aí em diante. O sarampo tem na maioria dos casos uma evolução benigna, mas nalguns pode ter complicações graves, como convulsões, pneumonia, sequelas graves ou mesmo morte.

O que é que podemos fazer? Em primeiro lugar, confiar no Plano Nacional de Vacinação e vacinar os nossos filhos, de forma gratuita - e confirmar se temos as nossas vacinas em dia. A moda de "não vacinar os filhos" tem surgido cada vez mais como uma têndencia das sociedades que vivem com segurança e conforto, a ponto de ignorar os riscos de doenças que parecem pertencer ao passado - mas que rapidamente voltam a surgir.

 

Eu acredito que pertencemos a uma geração priveligiada. Que não viveu em situação de guerra, que teve acesso a vacinas e a bons cuidados de saúde. Que salvo raros casos não passa fome. Que vive num mundo global, que tem acesso a informação e pode exprimir a sua opinião.

Mas a verdade é que o mundo está sempre a girar. E a mudar.

Temos de valorizar as coisas boas que temos, porque a verdade é que quando acendemos a televisão e ouvimos as notícias da guerra na Síria, os refugiados que atravessam o Mediterrâneo ou a eminência de um conflito com a Coreia do Norte, percebemos que tudo é volátil. Nada é garantido.

 

É preciso respirar. Tratar da nossa saúde. Estarmos protegidos da doença. Passarmos tempo com quem realmente importa. Aproveitar o sol, um passeio no campo ou um mergulho no mar, sem preocupações - porque o mundo está a mudar. E espero, sinceramente, que mude para melhor.

 

Há mais confissões aqui.

 

 

 

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