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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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Café, Canela & Chocolate

24
Set15

Confissões de uma médica #8


Sofia Serrano

"Quando é que vens para casa, mãe?"

 

É quase impossível explicar o que uma mãe sente quando os filhos lhe fazem esta pergunta pelo telefone, ao fim de um dia de escola. Quando eles já chegaram a casa com o pai, depois de quase 12 horas fora. Quando querem ver a mãe, contar à mãe o que aconteceu durante o dia, o que comeram, o que aprenderam, ao que brincaram. Quando não podem, porque a mãe está a trabalhar (outra vez) e vai passar mais uma noite no hospital. Mais 24 horas seguidas, às quais se soma outro dia, o que faz que esta mãe só possa ver, realmente, os filhos na tarde do dia seguinte. E em pouco tempo, porque há TPCs, banhos e jantar para organizar e é preciso estar no hospital bem cedinho no dia seguinte.

Mesmo que a mãe explique que está a ajudar outras pessoas, que está  ajudar bebés a nascer, é difícil. Tão difícil. Porque as crianças são crianças, e as mães são mães. E mães e filhos devem estar juntos, o máximo de tempo possível. É assim que deve ser. As mães mimam, ensinam, ajudam a crescer. É preciso tempo, para se ser mãe. E eles precisam de tempo, para serem filhos.

24 horas de urgência, mais dezenas de horas de trabalho todos os dias, todas as semanas, todos os anos. Tempo demais para o trabalho.E se as contas permitem, então é tempo de mudar. 

Uma vez ouvi dizer que só são precisos 20 segundos de coragem para mudar. 20 segundos, suficientes para preencher um papel. 20 segundos, suficientes para pôr em primeiro lugar o que deve estar em primeiro lugar. 20 segundos para decidir  trabalhar menos, para não precisar deixar os filhos em prolongamentos na escola, para brincar com eles, para ajudar com calma nos TPCs e ainda ensinar os dias e os anos com as laranjas da fruteira e muita imaginação. 20 segundos para escolher que está na altura de os deixar brincar na rua, para os levar ao parque todos os dias. 20 segundos para voltar a dormir todos os dias em casa e poder abraçar e espantar pesadelos.

20 segundos são mais que suficientes para pormos em prática o que o nosso coração já pedia há muito.

20 segundos são suficientes para escolhermos ser felizes.

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