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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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Café, Canela & Chocolate

15
Set13

Decidir ter outro filho


Sofia Serrano

Sempre quis ter mais do que um filho. 
Tenho um irmão que adoro, e sempre me pareceu que os irmão são uma das coisas boas da vida: são companheiros de aventuras e disparates, confidentes, amigos. Aprende-se a partilhar e a respeitar o espaço do outro. Às vezes há zangas, umas mais sérias que outras, mas aprendemos sempre qualquer coisa. Ter irmãos é bom.





Mas claro que quando somos pais, as coisas tomam sempre uma perspectiva diferente. 
Primeiro, mesmo que nos preparemos psicologicamente para o filho que aí vem, as coisas têm realmente uma dimensão diferente quando seguramos o nosso bebé nos braços. O amor de mãe (e pai) é uma coisa que não se consegue descrever. Só se consegue sentir. Nada é tão maravilhoso como ver o primeiro sorriso do nosso filho, ouvir o primeiro "mamã", assistir aos primeiros passos. Nada é tão terrível e angustiante como vê-los doentes ou infelizes. Quando a M. nasceu, senti pela primeira vez todo este turbilhão de emoções. Senti este amor incondicional que não pensava poder ser possível. E à medida que ela crescia e ponderavamos ter mais filhos, crescia em mim uma nova angustia que nunca tinha imaginado nos meus planos de ter vários filhos: 

e se eu não conseguir gostar tanto do próximo como gosto dela?


Confesso que isto me preocupava. Muito. Não queria ser uma mãe que tinha claramente um filho preferido, queria conseguir amá-los todos, cada um à sua maneira, mas de igual modo. Uma coisa difícil de explicar. Mas estava absolutamente convicta que não ia conseguir. Não ia conseguir amar alguém daquela maneira que eu amava a M. Ou ia? 




Às tantas, comecei a mentalizar-me que tanta gente tinha mais que um filho, que talvez tudo se resolvesse naturalmente.
E resolveu.
Quando tive o P. pela primeira vez nos meus braços, a magia voltou a acontecer. O amor multiplica-se de forma natural e maravilhosa. O amor de mãe (e de pai) chega para todos.
Claro que os filhos são diferentes. E é impossível amá-los de forma igual. Mas o amor é incondicional para os dois. A expressão "amor de mãe" ganha uma nova dimensão.





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