Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

26
Out14

Então e o sexo depois dos filhos?


Sofia Serrano


Quando decidimos ser pais, recebemos imediatamente uma lista interminável de avisos, de todas as pessoas que conhecemos, e de quem encontramos ocasionalmente na rua ou noutro lado qualquer. Super-informados e prontos para ajudar o próximo na sua futura entrada para o mundo dos filhos. A dita lista, claro, inclui coisas como "Durmam agora que depois é que vão ser elas!", "Aproveitem para sair à noite e ir ao cinema que depois é quase impossível!" e outras tantas frases do género - para além de múltiplas opiniões sobre como educar uma criança.
Curiosamente, entre as menos ouvidas está: "Aproveitem agora o sexo que depois...ui!!!"
Ora que é exactamente a propósito de sexo depois de termos filhos que escrevo este post.

Na verdade, temos de admitir que há mudanças brutais a este nível. 
Quando éramos solteiros, a liberdade e a espontaneidade eram o mote. Todas as desculpas eram boas para dar azo à imaginação e a qualquer hora havia disponibilidade física e mental.
Depois...vem a gravidez.

Ora até pode acontecer calharmos naquele grupo que tem mais apetite sexual e prazer durante a gravidez - e aí corre tudo às mil maravilhas.
Mas se tivermos o azar de andar nauseadas, com sono, com as hormonas em turbulência e com vontade de chorar a cada 15 minutos, a disposição para o amor começa-se a complicar. A tensão mamária dificulta as coisas, o volume abdominal começa a limitar posições, e só com muito boa vontade e imaginação é que conseguimos manter o ritmo anterior - tudo pior se houver alguma complicação e o médico nos puser de castigo durante as 40 semanas...mais 6 de puerpério. Drama.

Quando finalmente acontece aquele dia mágico em que nasce o nosso filho - o parto!-, somos tomados por mil emoções. Uma das coisas que não nos passa na mente na altura do parto é sexo. 

Noites sem dormir, o filme da amamentação, pais exaustos. Nada de sexo.
No entanto, à medida que as coisas regressam à normalidade, lembramo-nos que isso de facto existia. 
Depois de passado o tempo de recuperação, lá pensamos que está na altura de retomar a vida em todos os sentidos - mas curiosamente, a nossa mente de mães parece ter o wireless ligado no modo "filho" (os pais também, mas um bocadinho mais fraca).
O marido arranja um jantar romântico, há lingerie sexy, começa-se a criar o ambiente e...o bebé chora. Acalma-se a criança rapidamente, para retomar onde íamos e...chora outra vez. E outra. Aliás, é curioso como cada vez que pensamos em sexo, o bebé precisa sempre de alguma coisa. E é difícil concentrarmos-nos com aquele ser fofinho a chamar a nossa atenção. Portanto, é preciso descobrir o timming ideal. Bolas. 

Lá conseguimos convencer os avós a ficar com o miúdo ao fim de semana e planeamos vingarmos-nos com o marido. Arranja-se champanhe e morangos para aproveitar à grande não haver crianças em casa. E aproveitamos: às 10 da noite adormece-se no sofá e dorme-se uma noite inteira e seguidinha, como já não acontecia há séculos ( e é bom!). Bolas, quase melhor que sexo. Mas sexo, nada. Ou muito pouco.

À medida que a criança cresce, começamos a gerir melhor as rotinas. E descobrimos que quando ele adormece cedo, lá conseguimos sentar-nos no sofá os dois para namorar um bocado (desiste-se de ir para a cama, porque 5 minutos depois, há miúdos lá deitados, que querem dormir com os pais). Fica-se sempre na dúvida se pomos o volume da TV alta (para a criança não ouvir barulhos estranhos e vir ver o que se passa) ou baixa (para nós ouvirmos se o miúdo está em risco de acordar e aparecer na sala). Volume médio, portanto. E rezamos. Lá tentamos não nos entusiasmar muito, para não deixar cair o comando ou qualquer outra coisa no chão que possa fazer barulho. E sentimo-nos novamente adolescentes.

Portanto, o sexo depois de sermos pais é mais ou menos igual à altura em que vivemos com os pais: às escondidas, silencioso e quando se pode :)

(Recomendam-se vivamente fins-de-semana a dois para sobrevivermos a esta coisa da parentalidade!)

...e se quiserem ler um inquérito britânico sobre este tema, aqui. (já é antigo, mas dá uma ideia)





4 comentários

Comentar post

Os meus livros

Captura de ecrã 2016-09-20, às 20.46.51.png

capa_formato_real-04.jpg

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.