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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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12
Nov13

Mitos urbanos da gravidez


Sofia Serrano

A gravidez é aquela altura em que, de repente, toda a gente se torna um expert em obstetrícia. E ao longo dos tempos, vão surgindo teorias que se vão perpetuando. Pois é, e assim surgem os clássicos mitos urbanos da gravidez. 
Porque é que são mitos? Ora vamos lá olhar bem para eles e explicar:


MITO 1 - O formato da barriga (pontiaguda=rapaz, redonda=menina)

Desmistificar: toda a gente tem uma teoria absolutamente fantástica sobre o formato da barriga e o sexo do bebé que lá mora. A mais frequente (mas já ouvi ao contrário) é que a barriga pontiaguda corresponde a um bebé do sexo masculino, e a barriga mais arredondada a um do sexo feminino. Portanto há cerca de 50% de probabilidades de quem diz isto acertar. Não está demonstrado que o formato da barriga tenha nada a ver com o sexo do bebé. Terá a ver sim com a constituição da mãe e elasticidade dos tecidos. 


MITO 2 - Usar colares na gravidez faz com que o bebé nasça com o cordão à volta do pescoço.


Desmistificar: cerca de 25% dos bebés nascem com circulares cervicais do cordão, ou seja, com o cordão enrolado à volta do pescoço. Quem faz o parto está preparado para que isso aconteça e muitas vezes clampa-se o cordão antes do bebé nascer para que isto não traga qualquer problema. E claro que não tem absolutamente nada a ver com a quantidade de colares que a mãe usou durante a gravidez.


MITO 3 - Se a grávida tem desejo de comer uma fruta e se esse desejo não for satisfeito, o bebé nasce com a cara do fruto.


Desmistificar: pronto, nesta altura viveríamos numa sociedade em que toda a gente se pareceria com algum tipo de fruta. Sabemos que a hormona da gravidez Beta-HCG faz de facto, aumentar o desejo por certos alimentos, mas obviamente que a desculpa de que se o desejo não for satisfeito o bebé nasce com cara desse desejo não tem qualquer fundamento científico nem corresponde à verdade.


MITO 4 - Quando se tem azia na gravidez, é porque o bebé é muito cabeludo.


Desmistificar: a hormona Beta-HCG e a progesterona, que estão elevadas durante a gravidez, vão provocar alterações a nível do sistema digestivo. Uma das coisas que acontece é a lentificação da digestão e um relaxamento dos esfíncteres que separam o estômago do esófago e duodeno. Por isso, o sistema digestivo fica mais sensível, há mais frequentemente refluxo (em particular à noite, após grandes quantidades de comida, ou ingestão de molhos e condimentos) e surge a azia, sensação de enfartamento, vómitos e outros. Nada disto tem a ver com a quantidade de cabelo do bebé.


MITO 5 - Uma grávida tem de comer por dois.


Desmistificar: está mais que provado que a gravidez é a altura ideal para levar uma vida saudável, e isso passa também por uma alimentação saudável. De facto, a grávida tem necessidades energéticas superiores à mulher não grávida, mas isso não significa comer por dois. O aumento de peso deve ser entre 9 e 12 kg, sendo que pode ser superior nas mulheres mais magras ou nas grávidas de gémeos. Aumentos de peso excessivos estão relacionados com mais complicações na gravidez, como a diabetes gestacional, complicações no parto e, claro, uma mais difícil recuperação da forma no pós-parto. Alimentação saudável deve ser a regra.


MITO 6 - Se a grávida tem muitos enjoos, é de certeza uma menina.


Desmistificar: Os enjoos estão relacionados com níveis elevados da hormonal Beta-HCG e com as alterações fisiológicas da gravidez no sistema digestivo. Nem todas as mulheres têm enjoos, o que se pensa que tenha a ver com a sensibilidade individual do organismo a esta hormona. Não tem nada a ver com o sexo do bebé.


MITO 7 - Ter relações sexuais na gravidez magoa o bebé.


Desmistificar: O feto está dentro da bolsa amniótica, que por sua vez está dentro do útero materno, que comunica com a vagina pelo colo do útero, que está fechado, em situações normais. As relações sexuais não vão magoar o bebé. Podem sim, desencadear algumas contracções indolores que são auto-limitadas. As relações sexuais na gravidez são saudáveis, desde que não haja contra-indicação médica (hemorragias, ameaça de parto pré-termo, rotura de bolsa...).

MITO 8 - Se a grávida andar com tesouras no bolso, o bebé nasce com lábio leporino.

Desmistificar: É uma crença popular sem qualquer fundamento científico. O lábio leporino pode ser uma malformação esporádica (não relacionado com nada identificado), pode ser de tendência familiar, ou estar relacionado com a toma de corticóides pela mãe no primeiro trimestre de gravidez.


MITO 9 - Beber cerveja preta faz aumentar a produção de leite.


Desmistificar: Vários estudos já demonstraram que isto é totalmente errado. O álcool não é saudável nem na gravidez nem no puerpério. Para aumentar a produção de leite deve-se fazer uma alimentação saudável e beber muitos líquidos, de preferência água, e dar de mamar ao bebé sempre que este quiser, pois é o estímulo da sucção do bebé que aumenta a produção de leite.



Estes são os principais mitos que por aí andam e que teimam em persistir.
Se conhecerem mais, deixem aqui a vossa partilha!







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