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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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02
Out16

Quando nem tudo corre bem: a perda gestacional


Sofia Serrano

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Pensa-se que cerca de 10% das gravidezes clinicamente identificadas terminam em perda gestacional, a grande maioria (cerca de 80%) no primeiro trimestre - uma situação que se designa habitualmente por “aborto”.

Na verdade, o aborto espontâneo é uma das complicações mais comuns da gravidez, ocorre em cerca de 15% das gravidezes e pode ser uma “ameaça de aborto” ou um “aborto em evolução”, um “aborto completo ou incompleto”, ou mesmo uma “gravidez anembriónica” – nomes mais ou menos complicados para dizer que nem tudo está a correr bem.

 

Quando há mais do que três abortos, diz-se que é uma situação de aborto recorrente, e recomendam-se estudos mais aprofundados para esclarecer a situação.

 

O alarme surge quando há uma hemorragia vaginal e/ou dor pélvica. Muitas mulheres têm uma hemorragia no inicio da gravidez, mas nem todas terminarão numa gravidez não evolutiva – é fundamental ser observada por um obstetra, que indicará o que fazer. Numa ameaça de aborto pode ser necessário repouso ou tratamentos específicos, enquanto que se for um aborto em evolução pode não ser preciso fazer nada (a evolução pode ser idêntica a uma menstruação mais abundante) mas há situações em que é necessário internamento e mesmo curetagem.

 

A causa dos abortos espontâneos está muitas vezes relacionada com o tempo da perda:

 

 

  • os defeitos cromossómicos estão relacionados com abortos às 4-8 semanas de gestação.
  • as causas genéticas são comuns nas perdas durante o primeiro trimestre de gravidez, mas podem ocorrer durante toda a gestação (as trissomias são as mais frequentes). 
  • níveis hormonais insuficientes ou excessivos podem originar um aborto espontâneo antes das 10 semanas de gravidez.
  • causas infeciosas, imunológicas e ambientais estão relacionadas com perdas gestacionais no primeiro trimestre.
  • alterações anatómicas, como as malformações uterinas ou miomas estão relacionados com abortos no segundo trimestre. 
  • as alterações na coagulação estão relacionadas com abortos de repetição.
  • O álcool, tabaco e drogas estão também dentro da lista dos factores que podem contribuir para uma perda gestacional.

 

 

A perda gestacional é mais frequente do que se julga.

Há estudos que dizem que cerca de metade das gravidezes terminarão em aborto sem sequer nos apercebermos disso. Fazemos os testes de gravidez cada vez mais cedo, pela sensibilidade dos mesmos e provavelmente são identificados cada vez mais casos de gravidez não evolutiva por essa razão.

 

 Um aborto não significa que a gravidez seguinte vá terminar da mesma forma – tudo depende da causa. Mas na maioria das vezes, são alterações cromossómicas que muito provavelmente não acontecerão outra vez.

 

 

 

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