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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

07
Nov17

Sobre os "sítios para deixar crianças"


Sofia Serrano

Nos dias de hoje, não há hotel nem centro comercial que se preze que não tenha uma sítio para as crianças brincarem, sob supervisão especializada (vulgos monitores), a troco de alguns euros por hora, enquanto os pais vão "fazer alguma coisa" - seja compras, massagens, ir ao cinema ou seja lá o que for. Uma espécie de "depósito de miúdos", perdoem-me a expressão.

 

Eu confesso: isto comigo não resulta. E faz-me francamente confusão. Em primeiro lugar porque as nossas crianças passam os dias inteiros na escola, supervisionados por alguém que não os pais, e só os vêm (a grande maioria) de manhã, de fugida, e à noite, entre banhos e jantares.

Depois, porque quando saímos juntos para passear ou vamos passar um fim de semana a um hotel, o nosso objetivo é passarmos tempo de qualidade em família. 

 

Ora o conceito "em família" implica "todos", incluíndo os miúdos. E termos tempo juntos é bom - não é preciso estarmos sempre colados uns aos outros, mas partilharmos espaços e experiências, é bom para todos - nós precisamos de conhecer os nossos filhos, eles precisam da nossa perspetiva de ver o mundo para crescerem.

Por isso, não consigo deixar lá os meus filhos e ir descansada à minha vida, como vejo tanta gente fazer. O tempo é precioso e eles são a minha vida.

 

 

 

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25
Out17

Sabes que estás a ficar velha quando...


Sofia Serrano

Situação 1:


Chegas à escola da tua filha e uma das amigas dela vem ter contigo:
- Mãe da Mariana! Adoro os seus sapatos!
- Obrigada (eu contente)
- Sério! São iguais aos da minha avó! Adoro!
- Ahhh.....pois. (eu com aquele ar de quem não percebe se isto foi bom ou mau)

 

Situação 2:


Entra a próxima paciente no teu consultório. Uma senhora simpática de 82 anos. Pára a alguns metros da secretaria onde estou sentada.
- Ai meu Deus! Dra, que nova que é! Nem pode ser médica! Acabou de sair da faculdade!
- Que simpática! Mas já tenho mais alguns anos do que aqueles que pensa que tenho! (eu feliz porque ninguém suspeita dos 37 anos) A senhora é que está ótima. E conte-me, vem cá porquê?
- Olhe, nem sei bem. Espero, acho que tenho aqui apontado num papel, que a minha filha escreveu tudo. Ah, pois, o problema é que só vejo de um olho e muito mal! Quase nada! Ah agora já vejo as rugas na sua testa, tem razão, afinal não é assim tão nova!

 

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23
Out17

Eu, mãe, confesso.


Sofia Serrano

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Apesar de os meus filhos serem a melhor coisa do mundo, nem sempre sou a mãe perfeita e fico muito longe da ideal.

Por isso, eu, mãe, confesso:

- foi difícil encontrar o momento ideal para decidir ter filhos. Acabou por ser uma coisa instintiva. E às vezes tenho saudades da liberdade que tínhamos antes de vocês nascerem (mas já não consigo imaginar a minha vida sem os dois);

- houve momentos em que não gostei de estar grávida - porque os pés inchavam, porque me sentia desconfortável naquele meu corpo, porque tinha saudades de vestir as minhas calças de ganga e dormir de barriga para baixo;

- nunca gostei do momento do parto, porque sei demais - penso sempre em mil coisas que podem acontecer, e vocês são o que há de mais precioso no mundo para mim ( e prefiro mil vezes estar do lado do obstetra do que ser a grávida)

- aquele instinto maternal imediato, de que tanto falam, não apareceu, por magia, assim que nasceram - foi uma coisa que se foi construindo devagarinho e de forma sólida, e agora é indestrutível;

 

09
Out17

Quando a vida nos troca as voltas


Sofia Serrano

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A vida é tramada. Prega-nos partidas quando menos esperamos, puxa-nos o tapete debaixo dos pés quando estamos distraídos a admirar o brilho da lua cheia numa noite de outono com sabor a verão.

Testa-nos.


Porque na realidade as reviravoltas inesperadas são só uma oportunidade de mostrarmos que podemos fazer melhor. Que conseguimos dar a volta por cima, e encontrar o caminho mesmo que nos troquem as voltas.

Acredito nisso, do fundo do coração.

 

É segunda feira e não sei bem o que reserva o futuro. Mas acredito que isso é só mais um desafio desta vida.
E que o inesperado vai trazer coisas boas. Mesmo que seja preciso arriscar.

25
Abr17

A corrida das mães!


Sofia Serrano

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Os dias são uma constante corrida. E a classificação das mães é, quase sempre, esta:

- As mães são sempre as primeiras a ouvir a tosse do filho durante a noite, ou o choro por ter perdido a chucha ou por ter tido um pesadelo.

São as primeiras a chegar juntos dos filhos quando começam a ter febre.

São as primeiras a levantarem-se de manhã, porque mesmo que os filhos já tenham acordado, precisam sempre da ajuda da mãe para ir à casa de banho, vestir-se ou ligar a televisão.

- As mães são sempre as últimas a ficar prontas de manhã - porque primeiro preparam as mochilas dos filhos, ajudam-nos a lavar a cara, os dentes, a pentear-se, fazem o pequeno almoço, ajudam a vestir, resolvem birras matinais e só depois, nuns míseros cinco minutos porque já não há tempo para mais, ficam prontas para sair para o trabalho.

- As mães são sempre as primeiras a saber que o seu filho está a ficar doente, porque mesmo que ainda não tenha febre nem tosse, há alguma coisa que lhe diz que há algo errado.

- As mães são sempre as últimas a terminar uma refeição - porque durante a mesma, serviram os filhos, ajudaram a comer a sopa, cortaram a carne, ajudaram a terminar os legumes e ainda descascaram a fruta.

E só depois conseguiram avançar para o seu prato e terminar a refeição, com a comida já fria, claro.

 

03
Abr17

Sobre o tempo que passa depressa demais (e não volta para trás)


Sofia Serrano

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Ora bem, sou só eu que tenho a sensação de que o tempo está a passar a uma velocidade vertiginosa?

Ainda ontem era Natal e já estamos em abril?

A verdade é que entre consultas, cirurgias, levar e buscar miúdos à escola, atividades, aproveitar dias bons, os dias e as semanas desaparecem num ápice.

Muitas vezes tento desacelerar: só aquele momento de fechar os olhos e respirar. Mas a verdade é que são poucos segundos, porque pouco depois há outra consulta para fazer ou um miúdo a chamar pela mãe, um telefonema para responder ou um compromisso inadiável.

Dou por mim, muitas vezes, a pensar como seria um mundo com calma. Sem horários nem tarefas obrigatórias. Com tempo. Tempo para tudo: para acordar, para fazer um pequenos almoço e comer com calma, em família. Tempo para aprender nas escola, sem metas curriculares nem pressão, a conversar tranquilamente sobre temas interessantes. Tempo para os pais estarem com os filhos. Tempo para os miúdos brincarem sem pressas. Tempo para não fazermos nada e só ficarmos a sentir o quente do sol na pele e a brisa a soprar no cabelo. Tempo para adormecer com os dois no colo, no sofá, depois de uma história daquelas grandes, que lemos durante vários dias, mas que nunca nos apetece parar.

Já tentei mil e uma maneiras para ter mais tempo, mas sinto que ele me escapa por entre os dedos. Sinto que a vida passa depressa demais. Tenho a sensação de estarmos neste carrossel colorido, que tomou balanço e anda cada vez mais depressa.

 

 

 

 

29
Nov16

Está na altura de convocar os super heróis


Sofia Serrano

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 Foto Pau Storch

 

Porque é que eu não gosto do inverno? Porque para além do frio, da chuva, do vento e dos dias pequenos (que me deixam deprimida), começam aquelas doenças dos miúdos, desde ranhos e tosses a viroses e gastrenterites, que deixam crianças em baixo e pais com olheiras.
A solução?
Mudarmo-nos para um pais tropical (talvez o Brasil?)
Ou então espantar toda esta bicharada com muita fruta e o máximo de tempo possível de brincadeiras ao ar livre.
E em caso de emergência, libertar o super-herói que vive em cada um de nós!
(resmungos de uma mãe que já levou com duas viroses desde o fim de semana e espera ansiosamente pelo regresso do verão!)

 

 

 

05
Mar16

5 coisas que os pais deixam de fazer depois de terem filhos


Sofia Serrano

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Ter filhos é uma coisa fantástica - há momentos extraordinariamente belos, outros assustadores. Acima de tudo, sermos pais significa embarcarmos numa gigantesca aventura.

A verdade é que a vida muda por completo. E é quase certo que quando nos tornamos pais, há coisas que deixamos de fazer:

 

1. Nunca mais conseguimos dormir as horas que entendermos. Primeiro há um bebé que acorda de 3 em 3 horas, depois há miúdos madrugadores, chuchas perdidas durante a noite, pesadelos. E quando chega a sábado e achávamos que iamos dormir (finalmente!) até mais tarde, às 6:00 da manhã os miúdos já estão acordados e não descansam enquanto não levantam toda a família. Pais = dormir o que se pode, quando se pode.

 

 

16
Fev16

Das coisas que importam na vida


Sofia Serrano

Passamos mais de metade dos dias preocupados com a dieta, e se podemos comer um hamburguer com batatas fritas ou se devemos ficar pela sopa, se devemos ou não comprar aquele vestido giro (e aquela carteira de marca tão cara), se conseguimos poupar para ir de férias para aquele destino paradisíaco. Passamos mais de metade dos dias com olhos postos no relógio, no telemóvel, no tablet e na internet. Preocupados em chegar a horas ao trabalho, sair a horas para ir buscar as crianças à escola, acabar aquele relatório importante, ver aquela série que estreou e que já toda a gente viu.

Passamos mais de metade dos nossos dias preocupados com coisas que pouco interessam, na realidade. Porque afinal de contas, o que conta nos momentos importantes são as pessoas. 

O que conta verdadeiramente é saber que aquela amiga de longa data que vemos poucas vezes por estar distante está lá sempre que a vida nos troca as voltas, e é mais que uma irmã. O que conta verdadeiramente é saber que aquela amiga de há pouco tempo que  mesmo que nos conheça mal, nos ajuda incondicionalmente. O que conta verdadeiramente é aquele abraço silencioso que diz tudo, de quem mais se ama.

A vida é complicada. E mais vale guardar tempo para o que realmente importa.

As pessoas. São as pessoas que importam.

E este post é para agradecer, do fundo do coração, a essas pessoas, que estão na minha vida para a tornar um lugar melhor.

(mil obrigadas!)

 

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