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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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20
Jun17

Confissões de uma médica #15: sobre o fogo e a vida


Sofia Serrano

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Estávamos no Zmar este fim de semana, na festa de reabertura.

Em setembro de 2016 houve um incêndio, que destruiu uma parte importante do Ecoresort. Com esforço e motivação, o Zmar foi reconstruído em tempo record, e com muito orgulho, voltámos no fim de semana de 17 de junho para um espaço tao bonito e tão importante para tantas famílias - que está ainda mais bonito e inspirador. 

 

Estávamos exatamente a comemorar o vencer do fogo quando soube do incêndio. De Pedrógão Grande. Acho que ninguém teve a exata perceção do que estava a acontecer, mas todos percebemos que com as temperaturas que se faziam sentir, não seria uma situação fácil.

 

Na verdade, a cada hora que passava, a cada história que ouviamos, todas as pessoas sentiam (e sentem) o mesmo: podíamos ser nós. Podiamos ser nós a ir com os nossos filhos à Praia das Rocas, passar um dia maravilhoso. Podiamos ser nós, a ir passear com o nosso sobrinho. Podíamos ser nós, a ter ido almoçar com uns amigos.

Podíamos ser nós, a descobrir que somos insignificantes perante a fúria da implacável natureza, a perceber que num instante tudo muda.

Podíamos ser nós, a perceber que temos de aproveitar cada instante da vida, porque nunca sabemos o que amanhã nos reserva. Podíamos ser nós, encurraldos, sem saber o que fazer, sem maneira de escapar.

 

Não consigo evitar lembrar-me do incêndio de 2012 do algarve. O Pedro era um bebé de poucos meses. Todos os dias, as chamas galgavam mais quilómetros e estiveram perto de onde moramos. O céu estava constantemente cinzento e à noite havia aquela luz laranja no céu. O ar estava irrespirável e acima de tudo, lembro-me de não conseguir dormir, por não saber como os proteger. E se o fogo chegasse ali? 

 

Podiamos ser nós, sem saber como proteger a nossa família.

 

Não sabemos o que a vida nos reserva. O que a natureza nos vai trazer. O que nos espera em cada esquina.

Mas temos obrigação de sermos solidários e de dar o nosso melhor para que todos estejam bem - porque podíamos ser nós.

E acima de tudo, temos de aproveitar cada dia, cada instante, com quem amamos e agradecer.

 

Um obrigada a todos os que estão a combater as chamas e a ajudar, da forma que sabem e podem: as populações, os bombeiros, os profissionais de saúde, a polícia, o exército, todos os voluntários.

Juntos somos mais fortes.

E juntos podemos acreditar. E agradecer.

 

 

 

 

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