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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

23
Out17

Eu, mãe, confesso.


Sofia Serrano

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Apesar de os meus filhos serem a melhor coisa do mundo, nem sempre sou a mãe perfeita e fico muito longe da ideal.

Por isso, eu, mãe, confesso:

- foi difícil encontrar o momento ideal para decidir ter filhos. Acabou por ser uma coisa instintiva. E às vezes tenho saudades da liberdade que tínhamos antes de vocês nascerem (mas já não consigo imaginar a minha vida sem os dois);

- houve momentos em que não gostei de estar grávida - porque os pés inchavam, porque me sentia desconfortável naquele meu corpo, porque tinha saudades de vestir as minhas calças de ganga e dormir de barriga para baixo;

- nunca gostei do momento do parto, porque sei demais - penso sempre em mil coisas que podem acontecer, e vocês são o que há de mais precioso no mundo para mim ( e prefiro mil vezes estar do lado do obstetra do que ser a grávida)

- aquele instinto maternal imediato, de que tanto falam, não apareceu, por magia, assim que nasceram - foi uma coisa que se foi construindo devagarinho e de forma sólida, e agora é indestrutível;

 

26
Fev17

À segunda é bem melhor!


Sofia Serrano

 

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Por mais preparadas que estejamos, o pós-parto é uma fase muito difícil. E se estivermos a falar do primeiro filho, mais ainda.

Costumo dizer que vale a pena ter mais do que um filho para aproveitar tudo melhor, porque me lembro perfeitamente do drama que foi o primeiro puerpério, e de o segundo ser muito mais descomplicado e tranquilo.

 

Ser mãe de primeira viagem é tramado. E quando se fala em particular daquele célebre primeiro mês depois do nascimento do nosso bebé, esqueçam.

Todo o glamour da gravidez desapareceu, as hormonas estão em completa anarquia, temos um ser minúsculo à nossa responsabilidade e de repente não sabemos fazer nada e duvidamos de tudo. Eu achava que ia ser tudo muito simples, porque afinal era médica, e lidava com bebés todos os dias, mas a imponência de ter o meu bebé à minha responsabilidade, com um monte de hormonas descontroladas mudou completamente os meus planos.

 

O 1º pós-parto?

Desde um simples banho ao leite tudo é complicado. E de repente parecemos ermitas, cabeleireiro e maquilhagem zero e a linha de pensamento só tem cócó-mama-fralda-baba-cocó-mama...and so on. Almoçamos às 4 da tarde (ou nem comemos decentemente), só tomamos banho ao final do dia quando chega o pai, temos olheiras até aos pés pelas noites em claro, com um bebé a adaptar-se a esta vida fora do útero.

Objectivo: Sobreviver.

 

O 2º pós-parto!

A tendência é para descomplicar.

Já há outro ser pequeno em casa à nossa responsabilidade, que também precisa de atenção e de uma rotina, já estamos mentalizadas vpara todas as dificuldades e acima de tudo, já temos treino na coisa.

E é tudo muito mais soft.

 

 

 

13
Fev17

Coisas que as pessoas adoram dizer às grávidas


Sofia Serrano

Não sei como foi convosco, mas muito provavelmente aconteceu algo muito parecido a isto.


Assim que ficamos grávidas, de repente, toda a gente SABE o que vai acontecer, o que podemos ou não fazer, o que podemos comer. E pelo nosso ar, ou pelo formato da barriga, ou pelo alinhamento das estrelas, de CERTEZA que conseguem prever tudo.

Reconhecem isto?

"Ah...tem a barriga em bico, de certeza que é um menino!!!" (50% de hipóteses de acertar...)


"Ah, tem uma barriga tão grande! De certeza que vão ser dois!"...e duas horas mais tarde, outro "alguém" igualmente sábio "Ah, que barriga tão pequenina! Vai ser um bebé muito magrinho, é melhor descansar!" (alguém precisa de óculos ou de uma fita métrica)


"Está óptima esta gravidez, não aumentou nada de peso!" e cinco minutos depois outro comentário "Está tão gorda e inchada! Já aumentou muito de peso, não foi?" (melhor usar tabela ao pescoço com aumento total de peso na gravidez)


"Ah, está com um ar resplandecente, é menino de certeza!" e dias depois ouve-se "Tem a pele e o cabelo lindos, é porque vai ser menina, aposto!"(...)


"Se continua a trabalhar vai nascer antes de tempo, de certeza!"


"Com essa barriga vai ter um bebé de 5 kg, vai ver que tem de ser cesariana"...(só obstetras...)

Solução : SORRISO...silêncio...e continuar a SORRIR.


Claro que depois de o bebé nascer, ainda há mais médicos/psicólogos/educadores por aí, que têm sempre a receita milagrosa para os problemas do dia-a-dia:

"Ah...esse choro deve ser fome, de certeza!O melhor é dar leite em pó, o menino está a ficar com fome só com a mama!" ou então "O menino vai ficar muito gordinho com esse leite, porque é que não dá mama?" (nunca ninguém está satisfeito...)


"Colo? Está a habituá-lo mal!Ele depois quer sempre colo!" (sim, aos 18 anos deve querer muito colinho...)


"Nem pensar em deixá-lo dormir na cama dos pais! Olhe que ele depois habitua-se!" (sim, sim, ouvi falar de miúdos de 20 anos a levarem as namoradas para a cama dos pais.

E blábláblá...wiskas saquetas.


E pronto. É por isso que eu gosto de sorrir. 

 

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20
Out16

Devia ser proibido os nossos filhos ficarem doentes


Sofia Serrano

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Foto: Pau Storch  

 

 

Se eu mandasse no mundo e pudesse escrever as leis pelas quais nos guiaríamos, uma das que estaria no topo da lista seria:

 

"É proibido a um filho ficar doente. As crianças são a coisa mais precisosa do mundo, têm direito à saúde e à felicidade - constantes, sem exceção."

 

e com esta adenda

 

"caso algum tipo de doença atinja, por engano, uma criança, deve desaparecer rapidamente sem deixar rasto"

 

Isto de sermos pais revoluciona toda a nossa vida. E o nosso coração.

Termos filhos torna-nos, subitamente, em seres emocionais e sensitivos (ou será emotivos e sensoriais?) que andam constantemente com o coração nas mãos - porque os nossos filhos são o mais importante. 

E aquela tosse a meio da noite (que passa rápido, mas...), aquele olhar mais murchinho (hum...), um miúdo demasiado quieto...indiciam que algo não está bem.

As mães percebem logo, cheiram à distância as doenças. 

Intuição ultra-desenvolvida, é o que a maternidade nos traz. E depois a angústia de termos as nossas suspeitas confirmadas, e de não termos uma varinha mágica para pormos os nossos filhos instantaneamente bem.

 

Sim, devia haver uma lei que proibisse os miúdos de adoecerem.

 

 

 

24
Mai16

Verdades sobre as mães


Sofia Serrano

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1. As mães querem ser perfeitas, mas a maior parte do tempo ficam muito longe disso, porque estão cansadas, perdem a paciência ou afinal, não lhes interessa nada a perfeição. (Só lhes interessa mesmo que os filhos estejam felizes e que consigam chegar ao sofá para descansar as pernas e a cabeça 10 minutos)

 

2. As mães fazem listas e apontam tarefas e datas importantes em todo o lado - no telemóvel, no iPad, na agenda. Para não se esquecerem de nada e darem aquele ar "tenho tudo sob controlo e nada me escapa" .Sabem sempre as datas das festas da escola e das reuniões (que os pais nunca sabem). E corre tudo bem, até perderem um destes itens fundamentais.

 

3. As mães ficam cansadas e também adoecem. Apesar de parecer que têm superpoderes e são imunes a qualquer microrganismo, apesar de conseguirem tratar de duas crianças doentes dias a fio, sem falhar medicação e sem ceder ao cansaço, quando as tempestades amainam, as mães também se vão a baixo. E precisam de tempo para recuperar - e mimos. 

 

4. As mães não têm todas as respostas. Às vezes não sabem resolver certos problemas da escola. Muitas vezes não sabem qual é a escolha mais acertada para o futuro dos filhos - a escolha da escola é daquelas coisas que lhes dá cabo da cabeça. Na maioria das vezes decidem confiar na sua intuição- e no coração. Não, as mães não sabem tudo. E muitas vezes têm dúvidas.

 

5. As mães precisam de tempo para respirar. Para tomar um banho sossegadas. Para ir correr 20 minutos. Para se sentarem a ler um livro. Precisam de alguns instantes sem serem sempre elas a atenderem aos pedidos dos filhos, sem serem elas a fazer o jantar ou a preparar tudo para o dia seguinte. Precisam de tempo para não fazerem NADA. Para, instantes depois, terem energias renovadas para voltar a fazer TUDO outra vez.

 

 

 

18
Out15

7 coisas que as mães fazem no fim de semana


Sofia Serrano

1. As mães ficam felizes, porque é sexta-feira e o fim de semana está a chegar. Mas depois lembram-se que são mães, e que geralmente, fim de semana significa tudo menos descanso. Mesmo assim, têm esperança que vá ser um fim de semana memorável.

 

2. As mães acordam ainda mais cedo do que num dia da semana, porque os miúdos sabem que é sábado ou domingo e às 6h da manhã já andam a correr pela casa. E mesmo que sejam instruídos para "deixarem os pais dormir", essa regra parece não se aplicar à mãe, que é chamada multiplas vezes com "Mãaaeee, posso ir fazer xi-xi?" , "Mãaaeee temos fome, podes fazer panquecas?!", "Mãeeee a mana não me empresta o brinquedo!", até a mãe se levantar.

 

3. As mães passam o dia de rabo para o ar, a apanhar brinquedos espalhados por todo o lado, depois de repetir mil-e-uma-vezes aos filhos frases como "Por favor arrumem o quarto!", "Quando deixam de brincar com um jogo, arrumem-no primeiro e só depois vão buscar um outro!", "Brinquem no vosso quarto!" . Às tantas, infiltra-se na brincadeira, qual agente secreto, para discretamente ir deixando logo tudo arrumado, antes que a casa se trasnforme num cenário pós passagem de um furacão.

 

 

 

 

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18
Out14

Congelar a maternidade para "depois"


Sofia Serrano


Já sabemos que o adiar da maternidade é um problema da sociedade moderna. 
A entrada no mercado de trabalho, a subida na carreira, as condições de vida, tudo isto tem influenciado as mulheres relativamente ao timming em que decidem ser mães. 
Cada vez mais escolhemos ter filhos mais tarde, e de facto, a carreira é um dos principais factores que nos influencia nesta escolha.
Gostávamos que as coisas fossem diferentes - pelo menos em Portugal. 
Apesar de tudo o que se diz em prol da maternidade, e do incentivo à natalidade, sabemos que anunciar uma gravidez no local de trabalho equivale a um sismo de 6,9 na escala de Richter. Que a trabalhadora grávida vai ter de faltar para ser acompanhada nas consultas e fazer exames. Que vai ter de tirar licença nos primeiros meses do bebé  e amamentar. Que vai faltar quando os filhos estão doentes.  
Por isso, desde o aparecimento daqueles 2 tracinhos no teste de gravidez, que a alegria de sermos mães se mistura com a hipótese muito provável de sermos aquela a quem não renovam o contrato. Ou que não é escolhida para aquele cargo de chefia com responsabilidade, porque acham que não vamos conseguir dar conta da família e da responsabilidade laboral. 
E sabemos que diariamente há uma pressão extrema de produtividade, quase bullying laboral, com exigência para fazermos horas extraordinárias para as quais poderíamos dizer não, mas que aceitamos fazer com receio de ficar desempregadas. E se explicamos que temos filhos a nosso cuidado e não conseguimos fazer aquele trabalho extra que nos propõem, somos ameaçadas com um "Olhe que não estamos interessados em fazer contrato com quem não tem disponibilidade total". Sim, isto tudo acontece. Em todas as profissões, incluindo a minha.

E nesta sociedade em que o interesse máximo vai para a produção, e os resultados (trabalho, trabalho, trabalho é o lema), eis que surgem agora empresas que oferecem às funcionárias um novo serviço para terem disponibilidade total: congelação de óvulos (podem ler aqui e aqui). A Apple e o Facebook vão ser das primeiras a garantir às funcionárias a congelação de óvulos, que custa perto de 7900 euros, mais cerca de 395 euros mensais para manter os óvulos congelados. Ou seja, estamos a promover o atrasar da maternidade para "depois", porque o "agora" é de produtividade. Na nossa sociedade não interessa promover a família, termos famílias grandes ou estarmos tempo juntos. O que interessa é produzir. E consumir.

Muita gente pode achar esta medida excelente. 
A mim leva-me para o "Admirável Mundo Novo" do Huxley, onde toda uma sociedade é criada em laboratório. E assusta-me. 
Um processo de congelação de ovócitos e processo de fertilização in vitro não são exactamente um passeio no parque (há riscos no processo, que é complicado), e devem ser feita nas situações em que é mesmo preciso, mas e nas outras? E o amor e as outras emoções? Então e queremos ser pais na altura em que devíamos ser avós? E são as entidades patronais que decidem as nossas vidas? E quando é que vai ser o timming ideal?
Parece-me tudo muito estranho. Muito artificial.

E gostava de um mundo onde se incentivassem as mulheres a ter filhos na altura em que biologicamente sentem que querem ser mães, que houvesse horários flexíveis, possibilidade de part-time nos primeiros anos dos filhos (em que é necessário um maior apoio e disponibilidade), entidades patronais compreensivas. Locais de trabalho com creche para os filhos ficarem, que estivessem abertos 24 horas se necessário (porque há casos em que fazemos turnos de 24 horas e se não tivermos ninguém com quem deixar os filhos, onde ficam?).

Não, não fico imensamente feliz e esperançada por haver empresas a pagar congelação de óvulos às suas funcionárias. Fico com a sensação que este "congelar para depois" nos vai custar muito caro - num futuro próximo. E que agora, o que precisamos é de bebés. De crianças para construir novas mentalidades. E de famílias unidas e que tenham tempo para conversa e passar tempo juntas.




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