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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

08
Nov17

Os miúdos precisam saber sobre sexualidade?


Sofia Serrano

Deparei-me há alguns dias com uma série de comentários na net sobre o facto de que as crianças estavam a falar de sexualidade muito cedo na escola. Estes pais questionavam o porquê de se falar a miúdos de 8 anos sobre o aparelho reprodutor, sobre engravidar e uma série de outras coisas, quando deviam estar a falar de "coisas importantes" (que suponho seriam todas as outras). Um verdadeiro coro de indignações.

 

Curiosamente, o que me parece a mim, é que os nossos miúdos não têm a formação adequada ou suficiente na área da sexualidade.

Eu explico melhor : apesar de serem uma geração com acesso a muita informação em vários meios de comunicação (desde internet , à televisão e revistas), os curriculos escolares não trabalham a educação sexual de acordo com o que eles necessitariam, nem os pais se sentem à vontade para explicar e esclarecer dúvidas. Quer na escola, quer em casa, a sexualidade pode e deve ser abordada, adaptada à idade da criança.

Na verdade, muitos de nós vêm a sexualidade como algo tabu. Foi o que nos ensinaram há muitos anos atrás. Muitos ainda pensam assim, e é preciso mudar mentalidades.

 

Para os mais incrédulos, está demonstrado que a sexualidade faz parte de quem nós somos, contribui para a nossa identidade ao longo da vida e faz parte do nosso equilíbrio físico e psicológico.

Falar de sexualidade não é só falar sobre sexo. É falar sobre emoções, sensações, sentimentos, amor!

 

E a sexualidade existe desde que nascemos até morrermos.

O bebé recém-nascido tem prazer em cada carícia e com a satisfação das suas necessidades básicas. Um bebé de nove meses descobre o corpo ao manipular os seus órgãos genitais. A partir dos dois anos, a criança auto-classifica-se no que diz respeito à sua identidade sexual – devendo poder fazê-lo sem que os pais forcem a escolha do cor-de-rosa ou do azul, se jogam à bola ou brincam às cozinhas e às bonecas. E tudo isto acontece antes mesmo da chegada da “idade dos porquês".

A maneira como os nossos filhos vão viver a sua sexualidade vai depender de uma série de fatores: dele próprio, das suas características, da família, do que aprende na escola, dos amigos, do ambiente sociocultural...E é na adolescência que se evidenciam os comportamentos socioafetivos e sexuais.

 

Mas porque não informar? A informação é poder.

Se uma menina de 8 anos tiver conhecimentos sobre o seu aparelho reprodutor, estará mais preparada para as mudanças que aí vêm. saberá que a partir do primeiro período menstrual o seu corpo está apto para uma gravidez. Estará informada e com conhecimentos para, nas várias etapas, viver a sua sexualidade de forma segura, com respeito por si própria e pelos outros.

 

No ano passado, a minha filha deu os aparelhos reprodutores (estava no 3º ano). Veio muito frustrada, porque, depois de darem a matéria, perguntou à professora "Mas afinal como é que o espermatozóide vai parar ao pé do óvulo para se formar o bebé?".

A resposta da professora foi "Acabaram-se as dúvidas em relação a esta matéria.".

Foi a mim que ela veio perguntar porque queria perceber e achava estranho a professora não responder. Expliquei a "mecânica" das relações sexuais e lembrei-lhe que nos animais também acontecia assim. A reação foi "Ah, afinal era só isso?".

Conversar sobre as coisas ajuda - explicar, e não fazer delas um tabu.

Depois desta conversa, comprei-lhe uns livros, e disse-lhe que se tivesse duvidas falávamos sobre o assunto. Acho que é uma boa estratégia e que pode ajudar muitos pais que não se sentem à vontade com este assunto.

(estes são os que ela leu:)

 

 

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24
Ago17

Coisas que os pais aprendem quando vão a um parque aquático


Sofia Serrano

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Nos anos 90, quando pensava em parques aquáticos, pensava no OndaParque - quem se lembra?


Pensava num dia com uma mochila carregada de sandes, que acabávamos por comer no regresso a casa no autocarro, porque durante o dia não havia tempo.
Pensava em arranjar um sítio bom para as toalhas e nem as ver todo o dia, porque havia escorregas e piscinas e mil e uma coisas para nos entreter - e parar era morrer.
Pensava em creme Nivea - e depois outros - e um escaldão pela certa (porque pôr protector era uma coisa que consumia muito tempo na nossa perspectiva de adolescentes).
Pensava em amigas, namorados, beijos, rádios (daqueles tipo tijolo) com música a tocar alto. Coca-colas e pacotes de batatas fritas.
Pensava num dia em que andávamos repetidamente em todos os escorregas, principalmente nos maiores e mais assustadores, para mostrarmos que éramos os maiores e nada nos fazia medo. Ou simplesmente porque era tão bom, porque nos fazia aumentar a adrenalina, porque nos divertíamos.


E agora, tive de aprender toda uma nova filosofia - porque esta coisa da parentalidade também inclui leva-los nestas aventuras.
E uma visita a um parque aquático ganha toda uma nova dimensão.

 

12
Dez16

Programa em família: Kidzania


Sofia Serrano

 

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Este domingo fomos, em família à Kidzania.

Foi a nossa primeira visita a esta cidade das crianças - e adorámos, todos!

É uma cidade construída à escala dos mais pequenos, onde eles podem brincar aos adultos, e escolher entre mais de 60 profissões! As atividades onde podem participar são simultaneamente divertidas e pedagógicas, e percebemos que os valores e regras de cidadania estão sempre muito presentes.

Na Kidzania, a moeda oficial é o kidzo, e para ganharem kidzos, os miúdos têm de trabalhar nas profissões que mais gostarem. Depois podem depositar o dinheiro no banco, gastá-lo em várias atividades ou fazer compras na loja dos kidzos.

 

O Pedro e a Mariana estavam maravilhados por poderem fazer tudo "como os crescidos" e experimentaram uma série de profissões:

 

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O Pedro quis ajudar a construir uma casa e adorou!

 

 

17
Nov16

Prematuros - o desafio de nascer antes de tempo


Sofia Serrano

 

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Apesar de todos os esforços e melhorias nos cuidados de saúde, a prematuridade não tem diminuído nos últimos anos. Ser prematuro significa chegar antes de tempo, e é uma situação complicada para todos os envolvidos. Um desafio constante, para todos.

 

Para o bebé, que chegou cedo demais e ainda não está preparado para as agressões deste mundo. É preciso ficar numa incubadora, estar ligado a tubos e diversos aparelhos que tentam fazê-lo crescer o melhor possível. É preciso lutar todos os dias para conseguir respirar, para conseguir alimentar-se, para sobreviver fora do ambiente protetor e confortável que tinha na barriga da mãe.

 

Para os pais, que esperavam um bebé de termo, que fosse com eles para casa. Têm de enfrentar a angústia diária de ver o seu bebé com tubos, de não o poder ter sempre no colo, de não o conseguirem proteger deste mundo para o qual ainda não está preparado. A angústia do oxigénio, das gramas, de aprender a engolir. De o ver ser submetido a um sem fim de exames. A angústia de ter de ir para casa no final do dia, sem o seu bebé.

 

Para os profissionais de saúde, que trabalham com os pais e com os bebés.

Os obstetras, que têm o papel de ajudar estes bebés que precisam de nascer mais cedo a chegarem a este mundo da melhor forma possível. Que tentam sempre que os bebés cresçam o máximo tempo possível na barrigas das mães e que têm de decidir quando é mais seguro fazê-los nascer, sabendo dos riscos que isso implica (tão difícil, esta decisão)

Os neonatologistas e enfermeiros, que cuidam destes pequenos bebés, muitas vezes com apenas algumas centenas de gramas, de forma quase mágica. Que passam os dias  ao lado deles, atentos a todos os pormenores. Que nunca desistem. Que confortam bebés e pais. Que comemoram cada vitória como se fossem da família.

 

Sim, todos são grandes lutadores. É essa capacidade que está intimamente ligada à prematuridade, e que permite apreender a saborear cada conquista diária como uma grande vitória.

 

 

 

 

 

20
Mai16

Sobre esta coisa de andar com o coração fora do peito


Sofia Serrano

Ter filhos é isto: andar em constante preocupação com os perigos da vida em geral, querer protegê-los de tudo o possível e imaginário e as mesmo tempo ajudar a ganhar asas para os seus próprios voos.

 

Não é nada fácil, e suspeito que não tem tendência a melhorar.

E vê-los doentes e não ter uma varinha mágica para os deixar curados em instantes é angustiante. (o R. diz sempre que devia ser proibido os filhos ficarem doentes, e eu concordo em absoluto)

 

Isto para dizer que ultrapassamos uma difícil semana de tosses, febres e manchas, com diagnósticos com nomes complicados, horas de sono perdidas, dias sem apetite.

Agora parece estar tudo a voltar ao normal. Até o sol e o calor resolveram, finalmente, dar um ar de sua graça. Que as boas energias venham para ficar!

 

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05
Mar16

5 coisas que os pais deixam de fazer depois de terem filhos


Sofia Serrano

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Ter filhos é uma coisa fantástica - há momentos extraordinariamente belos, outros assustadores. Acima de tudo, sermos pais significa embarcarmos numa gigantesca aventura.

A verdade é que a vida muda por completo. E é quase certo que quando nos tornamos pais, há coisas que deixamos de fazer:

 

1. Nunca mais conseguimos dormir as horas que entendermos. Primeiro há um bebé que acorda de 3 em 3 horas, depois há miúdos madrugadores, chuchas perdidas durante a noite, pesadelos. E quando chega a sábado e achávamos que iamos dormir (finalmente!) até mais tarde, às 6:00 da manhã os miúdos já estão acordados e não descansam enquanto não levantam toda a família. Pais = dormir o que se pode, quando se pode.

 

 

29
Jan16

A mãe é que sabe


Sofia Serrano

Aqui por casa estamos na fase "a mãe é que sabe".
Mal toca o despertador, a mãe é que sabe lavar a cara, a mãe é que sabe pentear.

Só a mãe é que sabe fazer o pequeno-almoço, só a mãe é que sabe preparar o lanche para a escola. A mãe é que sabe que hoje há ginástica, só a mãe é que sabe vestir os collants e ajeitar a camisa da farda da maneira certa.

A mãe é que sabe fazer a trança sem ficar torta, a mãe é que sabe vestir casacos e correr o fecho à altura ideal. A mãe é que sabe preparar as mochilas da natação, a mãe é que sabe ajudar a fazer os TPCs. A

mãe é que sabe fazer o jantar, contar a história para adormecer e dar os beijinhos especiais para terem bons sonhos.


E só a mãe é que sabe chegar ao fim do dia e adormecer no sofá, de cansaço.


Por isso, agora, assim que começa a conversa do "a mãe é que sabe!" , eu digo "Verdade, mas que tal ensinarem ao pai?" 😉

 

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