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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

20
Abr17

Dia das profissões na escola do miúdo


Sofia Serrano

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O mais pequeno está a falar sobre as profissões na escola. Os pais foram convidados a dar a conhecer a sua profissão, e hoje foi a minha vez de lá ir explicar o que era isto de ser médica obstetra.

Ele ajudou-me a preparar a apresentação em casa. Escolhemos umas imagens para explicar a todos os meninos este mundo dos "bebés na barriga" , e ele quis levar uma bola para os amigos perceberem que o pequeno bebé-feijão cresce até um tamanho considerável, mais ainda se forem gémeos! 

Também lhes expliquei que os bebés estavam dentro de "água" (o líquido amniótico) e que "comiam" e "respiravam" pelo cordão umbilical. Depois, brincamos aos médicos obstetras e grávidas :) e todos aprenderam a explicar às futuras mães o que podem comer, a pesá-las e a apontar os números no livro da Grávida.

Experimentaram fazer ecografias e perceberam como nascem os bebés e o que é preciso que o médico faça quando os está a ajudar a nascer.

 

03
Abr17

Sobre o tempo que passa depressa demais (e não volta para trás)


Sofia Serrano

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Ora bem, sou só eu que tenho a sensação de que o tempo está a passar a uma velocidade vertiginosa?

Ainda ontem era Natal e já estamos em abril?

A verdade é que entre consultas, cirurgias, levar e buscar miúdos à escola, atividades, aproveitar dias bons, os dias e as semanas desaparecem num ápice.

Muitas vezes tento desacelerar: só aquele momento de fechar os olhos e respirar. Mas a verdade é que são poucos segundos, porque pouco depois há outra consulta para fazer ou um miúdo a chamar pela mãe, um telefonema para responder ou um compromisso inadiável.

Dou por mim, muitas vezes, a pensar como seria um mundo com calma. Sem horários nem tarefas obrigatórias. Com tempo. Tempo para tudo: para acordar, para fazer um pequenos almoço e comer com calma, em família. Tempo para aprender nas escola, sem metas curriculares nem pressão, a conversar tranquilamente sobre temas interessantes. Tempo para os pais estarem com os filhos. Tempo para os miúdos brincarem sem pressas. Tempo para não fazermos nada e só ficarmos a sentir o quente do sol na pele e a brisa a soprar no cabelo. Tempo para adormecer com os dois no colo, no sofá, depois de uma história daquelas grandes, que lemos durante vários dias, mas que nunca nos apetece parar.

Já tentei mil e uma maneiras para ter mais tempo, mas sinto que ele me escapa por entre os dedos. Sinto que a vida passa depressa demais. Tenho a sensação de estarmos neste carrossel colorido, que tomou balanço e anda cada vez mais depressa.

 

 

 

 

24
Nov16

Diz que vem aí a black friday


Sofia Serrano

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O ano passado, nessa tal sexta feira, ao chegar ao shopping, dei por mim a pensar que possivelmente haveria um concerto do Tony Carreira por ali e que ninguém me tinha avisado, tal era o caos no estacionamento. Depois, ao ver filas nas lojas que chegavam à porta, decidi que não era, definitivamente um bom dia para compras.

Este ano não me enganam outra vez.

Black friday é dia de compras on-line: os mesmos descontos, sem filas nem complicações.

Ah, e mais, por exemplo, no Continente há descontos exclusivos para a loja on line! A aproveitar ;)

 

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04
Nov16

Porque é que as ginecologistas não podem ser fashion


Sofia Serrano

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Quando comecei a especialidade de Ginecologia e Obstetrícia, apercebi-me que os médicos com quem trabalhava não usavam anéis. Ou alianças. Pensei que era uma espécie de moda na especialidade - afinal de contas, há hábitos estranhos em todas as profissões.

Depois ouvi um sem fim de histórias de quem tirou a aliança para se desinfectar para uma cesariana de urgência e nunca mais a viu - com as dificuldades associadas em explicar à cara metade que tinha sido uma espécie de acidente de trabalho. 

Deixei de usar anéis depois de ter perdido o meu anel-de-noivado num dos dias de urgência - se calhar é por isso que ainda temos o casamento em atraso ;)

Depois, acabei por deixar de usar relógios, que adorava, porque num dia em que tinha uma série de cirurgias, esqueci-me dele no bloco operatório e passei uma semana a procurá-lo, até o ter encontrado no bolso da bata. 

As pulseiras também começaram a ficar em casa, porque não eram uma boa opção para fazer consultas ou partos.

E depois de um dia inteiro a esfregar unhas, mãos e antebraços nas lavagens cirúrgicas era impossível ter unhas bonitas com aquele verniz top, por isso também desisti desse luxo. Não há verniz que resista 24 horas sem umas boas lascas.

Aquele ar maravilhoso de quem saíu do cabeleireiro também não sobrevive a um barrete cirúrgico, já para não falar de que a roupa gira da moda tem de ser substituída por uma farda verde ou ficar tapada com a bata branca.

Em suma, aprendi que nesta especialidade, quem trabalha tem de deixar o lado fashion de lado - e que o que importa mesmo não são os anéis ou a marca dos relógios, se o penteado está bonito ou se a unhas estão impecáveis, mas o amor é o esforço que pomos no nosso trabalho.

Ser ginecologista não é fashion. Mas é a especialidade mais bonita do mundo.

 

 

 

 

 

 

05
Out16

Sobre miomas


Sofia Serrano

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Os miomas são formações nodulares que surgem a partir da parede muscular do útero. São tumores benignos, muito frequentes nas mulheres : mais de metade das mulheres com 35 anos ou mais tem miomas.

Nem todos os miomas dão sintomas, sendo que a existência de muitos só é descoberta na consulta de ginecologia de rotina anual. No entanto, os mais frequentes são:

 

- menstruações intensas e prolongadas, muitas vezes com coágulos, que podem levar a anemia, que pode ser grave

- aumento do volume abdominal, com sensação de peso ou pressão na zona pélvica

- sensação de pressão na bexiga, com necessidade de urinar mais frequentemente, ou obstipação

- dor nas relações sexuais

 

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Os crescimento dos miomas está dependente dos estrogénios, por isso são mais frequentes na idade fértil, e começam a regredir espontaneamente na menopausa. Têm tamanhos diversos e podem ser submucosos, intramurais ou subserosos, dependendo da sua localização no útero.

 

 

 

02
Out16

Quando nem tudo corre bem: a perda gestacional


Sofia Serrano

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Pensa-se que cerca de 10% das gravidezes clinicamente identificadas terminam em perda gestacional, a grande maioria (cerca de 80%) no primeiro trimestre - uma situação que se designa habitualmente por “aborto”.

Na verdade, o aborto espontâneo é uma das complicações mais comuns da gravidez, ocorre em cerca de 15% das gravidezes e pode ser uma “ameaça de aborto” ou um “aborto em evolução”, um “aborto completo ou incompleto”, ou mesmo uma “gravidez anembriónica” – nomes mais ou menos complicados para dizer que nem tudo está a correr bem.

 

Quando há mais do que três abortos, diz-se que é uma situação de aborto recorrente, e recomendam-se estudos mais aprofundados para esclarecer a situação.

 

O alarme surge quando há uma hemorragia vaginal e/ou dor pélvica. Muitas mulheres têm uma hemorragia no inicio da gravidez, mas nem todas terminarão numa gravidez não evolutiva – é fundamental ser observada por um obstetra, que indicará o que fazer. Numa ameaça de aborto pode ser necessário repouso ou tratamentos específicos, enquanto que se for um aborto em evolução pode não ser preciso fazer nada (a evolução pode ser idêntica a uma menstruação mais abundante) mas há situações em que é necessário internamento e mesmo curetagem.

 

A causa dos abortos espontâneos está muitas vezes relacionada com o tempo da perda:

 

 

29
Ago16

Levar ou não epidural, eis a questão


Sofia Serrano

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 Para podermos escolher (e bem!), o melhor é estarmos informados.

Saber o que é a epidural é fundamental para decidirmos se queremos ou não este método para diminuir a dor no trabalho de parto.

 

O que é?

A anestesia epidural é o método mais utilizado no trabalho de parto para reduzir a dor. Este tipo de anestesia regional (só bloqueia a dor numa determinada região do corpo) ajuda a reduzir o desconforto causado pelas dores, é a mais segura para a mãe e para o bebé e permite à grávida ser uma participante ativa em todo o processo.

 

Quando é que se pode levar a epidural?

Geralmente, a epidural é administrada quando se está na fase ativa do trabalho de parto, com mais de 3 cm de dilatação e contrações regulares. É necessário que a grávida se sente ou se deite de lado e arqueia as costas, para que se possa realizar o procedimento – é necessário colocar um cateter numa determinada zona da coluna lombar, por onde vai entrar o anestésico.

Quando a epidural começa a fazer efeito, o que ocorre de forma progressiva e de baixo para cima, a grávida começa a sentir calor, a sensação de peso nas pernas e de formigueiro.

Podem existir efeitos secundários, como a baixa da pressão arterial da mãe, e consequente bradicardia fetal, que pode ser prevenida na maioria dos casos com a administração de soro.

 

Quando é que não se pode fazer uma epidural?

  • Se a grávida está a fazer um anticoagulante
  • Se a grávida tem um nível baixo de plaquetas no sangue
  • Se a grávida tem uma infeção nas costas
  • Se a grávida tem uma infeção no sangue
  • Se não é possível ao anestesista localizar o espaço epidural
  • Se o trabalho de parto está a decorrer muito rapidamente e não há tempo para a anestesia

 

E quem tem tatuagens nas costas, pode fazer epidural?

 

 

12
Ago16

Diabetes na gravidez


Sofia Serrano

 

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A diabetes é um problema de saúde universal, que pode surgir em qualquer idade da vida.

A diabetes gestacional define-se como qualquer grau de intolerância aos hidrato de carbono diagnosticado ou detectado pela primeira vez no decurso da gravidez. 

Sabe-se que há uma relação linear entre os valores da glicemia materna (açúcar no sangue) e as mobilidade materna, fetal e neonatal. 

Ou seja, valores persistentemente elevados de açúcar no sangue da grávida podem originar excessivo crescimento do feto (macrossomia) associado a problemas no parto (distócia de ombros, aumento da taxa de cesarianas, hipóxia perinatal, aumento dos partos instrumentados) e aumentam a probabilidade da grávida, no futuro, desenvolver uma diabetes. 

Para além disso, a exposição à diabetes no meio intra-uterino está associado a um risco acrescido do filho ter excesso ponderal e obesidade no início da infância, maior risco de diabetes tipo 2 e aumento do risco cardiovascular - o conceito de "programação fetal".

 

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25
Jul16

Os pokemons também vão ao médico


Sofia Serrano

Entrou um casal no consultório com a filha.

Ela com uma linda barriga de grávida, ele com ar de pai orgulhoso, a miúda com um telemóvel em punho e ar de caça.
Comecei a consulta como habitualmente, tudo tranquilo e sereno, e lá fomos fazer a ecografia para ver como estava o bebé a crescer.

Pais entusiasmados (nestes momentos há sempre alguma expectativa de saber se está tudo bem), futura irmã mais velha concentrada no ecrã do telemóvel.


Começo a mostrar a cara da bebé, os lábios, o nariz.

Diz a grávida:
- Querida, olha ali a mana no ecrã!


A miúda levanta os olhos - e o telemóvel ao nível do ecrã e grita:


-Está aqui um! Apanhei um! Eu sabia! Adoro-te mana, afinal também és boa nisto!


E pronto, criam-se laços para a vida das maneiras mais estranhas possíveis - e eu aprendi que afinal nas barrigas das mães também podem existir pokemons!

 

(que mundo este!)

 

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15
Jun16

Surpresa!


Sofia Serrano

Entra um casal sorridente no consultório.

Barriga de segundo trimestre, estão aqui para a ecografia morfológica.

Dizem logo que não querem saber o sexo do bebé, querem que seja surpresa. Querem saber se continua tudo bem com o bebé (já tinham feito uma ecografia antes) mas só isso, nada de imaginar um quarto rosa ou azul.

 

Começamos a Ecografia.

 

Pergunto eu: "Já tinham feito uma ecografia anterior a esta, certo?"

Resposta unânime e afirmativa, e estava tudo bem, tinha-lhes dito o médico.

 

 

-Então-pergunto eu- de qual dos bebés é que não querem saber o sexo? 😉

 

(sim, aparentemente um dos gémeos escondeu-se tão bem que ninguém tinha dado por ele até as 22 semanas!)

 

Tenho de começar a ter um chá de camomila no consultório para servir às grávidas antes destas noticias inesperadas.

 

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Os meus livros

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