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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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01
Jul13

Um parto de princesas


Sofia Serrano

A grávida mais famosa do momento, Kate Middleton, tem anunciado que quer um parto natural. Rodeada da família. Com hipnoterapia como analgesia, ou mesmo um parto na água.
Curiosamente (ou não) têm chovido opiniões na imprensa. Muitos têm criticado o "mundo de sonhos" em que parece que Kate vive, e defendem que ela está tão embrenhada no seu conto de fadas, que não se apercebeu que o parto pode ser uma experiência complicada. Outros defendem a sua posição e a postura que as mulheres sempre foram capazes de ter filhos sem epidural ou cuidados médicos especializados, e que é de louvar que a Kate tenha assumido este desejo numa sociedade marcada pela medicalização.




O que é facto é que desde que os partos deixaram de ser em casa e passaram a ser em ambiente hospitalar, mais ou menos lá para 1940, baixou de forma significativa a mortalidade materna e perinatal - isto a par com a diferenciação de outros cuidados médicos, e o acesso aos antibióticos. Mas também é verdade que às vezes intervimos demais num processo que é fisiológico. 
Se é fundamental soros, episiotomia, acelerar o parto com drogas, epidural e monitorização contínua, com uma grávida sempre deitada e com toques de hora a hora? 
Provavelmente não, na maioria dos casos. A verdade é que há gravidezes que há partida comportam maior risco e que implicam uma vigilância mais apertada. 
Noutras, talvez pudessemos ser menos interventivos, dar mais espaço à família para aquele momento tão especial que é a chegada de um filho. Mas não nos podemos esquecer que qualquer parto pode, de um momento para o outro, complicar-se. Pode ser necessário, em poucos minutos, fazer nascer aquele bebé ou socorrer de alguma forma a mãe e por isso o ambiente hospitalar parece-me ser o local mais seguro para o nascimento. 
Mas talvez pudessemos tornar o trabalho de parto num momento menos médico. Se os hospitais tivessem outra oferta em termos de analgesia, como a epidural em que a grávida pode continuar a andar durante o trabalho de parto, se houvesse a possibilidade de mais hospitais oferecerem a possibilidade de a grávida estar na água durante a fase de dilatação, ou de optar por outra analgesia, se tivessem outras condições físicas e ambientais para que tudo fosse menos "hospitalar" e mais "humano" - música ambiente, se a grávida e família assim o entendesse, menos luzes e cheiros intensos. 
Porque não usar as bolas de dilatação, levar o iPod com boas músicas e estar acompanhada pela família, andar ou estar sentada ou invés de passar horas deitada? Está demonstrado que deambular e estar acompanhada durante o trabalho de parto aumentam a probabilidade de um parto vaginal. 
Em relação à monitorização do feto (o CTG) confesso que me sinto muito mais tranquila se estiver a par do que está a acontecer com o bebé. Mas não é preciso o aparelho estar tão alto que a grávida fique com o som da frequência cardíaca fetal a ecoar na cabeça nos dois dias seguintes. 
A segurança do meio hospitalar parece-me indiscutível, em particular para as emergências. Mas podemos, com a grávida e a família, tentar oferecer um ambiente o mais agradável possível. Tentar minimizar a intervenção, mantendo a segurança.
Porque todas as mulheres desejam um parto de princesa.



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