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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Perguntas da Mãegyever : dúvidas sobre a gravidez

30.09.13 | Sofia Serrano
Resolvi re-editar este post da Maegyver, a pedido de algumas grávidas. Ela fez-me algumas perguntas, dúvidas que lhe surgiram durante a gravidez e que gostava de ver esclarecidas e aqui ficam as minhas respostas. 
(podem ver o post original aqui)



1- A imunidade à toxoplasmose contempla umas mulheres e não outras porquê? O contacto regular com animais favorece a imunidade? Quem não é imune pode continuar a ter animais de estimação? Para além de não mexer nos cocós dos bichos pode-se fazer festinhas, etc ou todo o contacto deve ser evitado? As saladas podem ser levadas só com água e vinagre ou tem mesmo que se comprar aqueles produtos xpto para se lavar os legumes crus?

A questão da imunidade tem a ver com o contacto com o agente, o toxoplasma, e a resposta do organismo. A infecção (e consequente imunidade) faz-se através da ingestão do toxoplasma, que pode estar presente na carne crua, na terra ( e consequentemente nos legumes mal lavados) e no pêlo do gato, que é um dos hospedeiros do agente, assim como o porco. 

Estar imune ou não...é uma questão de probabilidade. 
A seroprevalência em Portugal é entre 64-35%. Há quem tenha gatos toda a vida e mexa regularmente em terra e não se infecta, e portanto, não está imune. E a maior parte das pessoas infecta-se e não tem sintomas. 
O problema é mesmo ficar infectado durante a gravidez - o toxoplasma pode provocar alterações em vários órgãos do feto.
Isto não significa que se deixe de ter animais de estimação. 
Significa que os cuidados de higiene devem ser reforçados: lavar muito bem as mãos depois de fazer festinhas aos gatos lá de casa, usar luvas para limpar a caixa da areia, usar luvas para fazer jardinagem ou para manipular carne crua. 
A carne deve ser sempre bem passada, para nos assegurarmos que o toxoplasma morre e em relação aos legumes, muito bem lavados em água corrente. Eventualmente podem depois ser lavados com água e vinagre. 
Em relação aos outros produtos para lavar legumes e frutas, as opiniões variam, na minha perspectiva são mais químicos numa fase sensível e por isso penso que não será necessário. 
Mas o que costumo recomendar às grávidas não imunes à toxoplasmose é para só comerem legumes/frutos crus em casa, para se assegurarem que são bem lavados. 
Fora de casa, o melhor é optar por legumes cozinhados.


2- Pode-se pintar o cabelo? O amoníaco presente nas tintas para os cabelos pode entrar na corrente sanguínea e prejudicar o bebé? E os alisamentos japoneses, permanentes e afins? O que é possível fazer-se pela beleza capilar enquanto se está grávida e o que é proíbido?
Tudo o que é produto químico ( e leia-se estranho ao organismo) pode interferir com o funcionamento do mesmo. E quando temos o nosso bebé na barriga, o nosso sangue circula para o alimentar, e portanto, tudo o que circula na nossa corrente sanguínea poderá chegar ao feto (há substâncias que passam a placenta, outras não). De qualquer forma, há poucos estudos em grávidas relativamente à segurança para o feto de várias substâncias. E como temos pouca informação relativamente à tinta para o cabelo, o mais sensato será recomendar não o fazer no período mais sensível da embriogénese (1ºtrimestre) e depois optar pelas mais "suaves" ou seja, evitar amoníaco e optar por tintas mais naturais. Também o alisamento japonês utiliza químicos sobre os quais não se sabe se influenciam a gravidez...portanto, talvez seja melhor evitar. Mas pode e deve-se ter um cabelo bonito e bem cuidado, basta evitar tratamentos com químicos nocivos.


3- E pintar-se as unhas? Porque é que há o mito de que se deve evitar pintas as unhas
Este é mesmo mito. Mas talvez no puerpério seja de evitar, pelo cheiro activo que pode deixar, numa altura em que o cheiro da mãe é muito importante para o recém-nascido.


4- Banhos de imersão? Pouco recomendados, proibidos ou permitidos? Porquê? O que é essencial saber-se sobre banhos durante a gravidez?
Não há grande fundamento científico para proibir banhos de imersão na gravidez. Se a temperatura for adequada (excessivamente quente está contraindicado) e os produtos do banho forem suaves, um banho de imersão relaxa (desde que não haja contra-indicações médicas). Devem-se evitar irrigações vaginais, para não modificar o pH da vagina e predispor a infecções.


5- Os "desejos" são um mito ou existe mesmo uma predisposição metabólica ou uma necessidade real do organismo para consumir determinados alimentos? Conta-nos tudo sobre desejos (mesmo que isso nos tire trunfos de caprichos perante os nossos maridos).

O ambiente hormonal da gravidez pode predispôr a náusea e vómitos, em particular no primeiro trimestre. E hormonas como a progesterona e a prolactina influenciam o pH da boca e muitas vezes fazem com que a grávida passe a apreciar certos alimentos que até nem ligava e a detestar outros (os chamados "desejos"). Também há teorias que dizem que as carências nutricionais levam a que o nosso cérebro de grávida nos leve a consumir determinados alimentos, para preencher essas carências.


6- As barrigas adquirem mesmo formas diferentes consoante o sexo do bebé? Há evidências clínicas científicas que prevejam o sexo do bebé pela forma das barrigas, peles sem borbulhas ou outros indicadores passivos de serem observados a olho nu?
Evidência científica : zero! Felizmente existe a ecografia. Não se fiem em formas de barriga ( a forma depende de muitos factores, desde a elasticidade da pele ao tónus muscular, à posição do feto, ao líquido amniótico....etc) e a pele também não nos diz grande coisa. O estado de gravidez, é um estado de graça, mas também um estado de elevada turbulência hormonal - e isto nalgumas pessoas traduz-se em borbulhas e alterações cutâneas marcadas, noutras a pele fica esplendorosa (independentemente de terem uma menina, menino, ou os dois!).


7- Os testes de gravidez tem fiabilidade quase total. No entanto, há pessoas cujos testes dão negativo e que estão mesmo grávidas. Como se explica? Não há mesmo falsos positivos, isto é, uma vez um testo positivo, a probabilidade de não haver gravidez é quase nula?
Os testes têm um limite: ou seja, só detectam gravidez quando a hormona da gravidez, a beta-HCG começa a subir para valores acima de 30ml/U, por exemplo (este limite depende do teste). Ora se o teste for feito muito cedo, pode já haver beta-HCG em circulação, mas numa concentração mínima - logo, o teste pode dar negativo. Por isso, se o período não aparecer, o teste deve ser repetido alguns dias depois: sabemos que numa gravidez evolutiva, esta hormona duplica a cada 48h.
Já o contrário é muito pouco frequente, mas pode haver situações (raras) em que esta hormona aumenta e dá um falso positivo para gravidez.


8- Como se explica que algumas mulheres grávidas continuem a ter menstruação durante alguns meses já depois de engravidarem?
Nesses casos, não estaremos a falar de menstruação, mas sim de uma ameaça de aborto, ou de outra complicação do início da gravidez (gravidez ectópica ou molar).
E muitas das mulheres que dizem "continuar a ter o período" são mulheres que por desconhecerem estar grávidas, continuaram a tomar a pílula, e essa toma de hormonas exteriores condiciona nalguns casos perdas muito escassas de sangue (que param assim que descobrem a gravidez e param a pílula).


9- Para uma mãe fumadora, com muitas dificuldades em deixar de fumar, é mais nociva a ansiedade inerente à quebra do consumo de tabaco ou a nicotina que entra na corrente sanguínea através de um consumo (ainda que mais refreado)?
O tabaco, sem dúvida, é mais prejudicial - a fumadora tem mais dificuldade em engravidar, e , quando grávida, tem maior probabilidade de aborto, de ter uma gravidez ectópica, de ter um bebé mais pequeno, de ter um parto antes do tempo e mesmo de ter uma morte fetal. Já para não mencionar os riscos para a grávida de cancro do pulmão, esófago e outros.
A gravidez é uma óptima altura para se deixar de fumar, pelo melhor motivo do mundo: o nosso filho!


10- Um copo de vinho é mesmo proibido? Qual a posição relativamente ao álcool na gravidez, desde que consumido em doses homeopáticas?
Está demonstrado que o álcool em excesso na gravidez origina o chamado Síndrome Fetal Alcoólico, ou seja, provoca alterações graves no feto. É por isso desaconselhado o consumo durante a gravidez. As doses homeopáticas, se corresponderem a um copinho em dias especiais, ainda escapam, na minha perspectiva :)


11- Sushi e gravidez: proibido de todo, se o peixe for congelado anteriormente não é nocivo, de o peixe for fresquíssimo não é nocivo ou deixa-te de caprichos nipónicos?

Eu sou fanática de sushi, mas a minha opinião é a última: deixa-te de caprichos ipónicos. O sushi pode ter parasitas, mesmo que o peixe seja fresco. E se não for fresco, pode ter imensas bactérias que podem provocar todo o tipo de situações. E todos os vegetais que são preparados com o sushi podem ser veículos de toxoplasmose.
Mas parece que alguns restaurantes já vendem um sushi especial para grávidas, com tudo bem cozinhado - esta pode ser uma boa opção.


12- Qual a probabilidade de erro no que diz respeito ao sexo da criança visto através de imagens ecográficas?

É difícil dizer, porque depende de várias coisas:
- no primeiro trimestre, e até às 12 semanas, o sexo é muito semelhante no rapaz e na rapariga, só mudando um pequeno ângulo que podemos avaliar na ecografia (mas a margem de erro nesta altura é grande!)
- a partir das 16-17 semanas, se num plano adequado e sem artefactos/ imagens que confundam pela frente, consegue-se dizer com mais certezas.


13- Quais as desvantagens de uma cesariana para o bebé que vai nascer?
A cesariana deve ser realizada por indicações específicas, que podem ser de causa materna (por exemplo, se a mãe tiver uma doença cardíaca), devido à gravidez (uma pré-eclâmpsia grave e sem condições para um parto vaginal) ou pelo feto (por exemplo, sofrimento fetal, gémeos pélvicos). A ideia é melhorar o desfecho da gravidez, quer para a mãe, quer para o feto. Nos últimos anos, a taxa de cesarianas tem aumentado exageradamente, por vários motivos ainda a ser analisados, e tem-se verificado que os bebés que nascem por cesariana poderão ter mais frequentemente o síndrome de dificuldade respiratória, em particular se forem cesarianas electivas antes das 38 semanas. Em termos de pós-parto imediato, a mãe vai necessitar de mais ajuda, porque a cesariana é uma grande cirurgia e portanto poderá ter menor disponibilidade para o recém-nascido. Nas cesarianas a "subida do leite" pode ocorrer mais tarde, mas à partida, a amamentação pode decorrer normalmente.


14- Sexo na gravidez? Sim, com moderação, não de todo? Em que circunstâncias o sexo deve ser revisto e alterado dos padrões normais do casal?
Se não houver nenhuma contra-indicação médica (como no caso de hemorragia, placenta prévia, rotura de bolsa ou outras...) sim, claro. Há grávidas que referem um aumento do desejo sexual, outras dizem que ficou tudo na mesma, outras nem estão para aí viradas. Portanto tudo depende da disposição do casal. A gravidez pode ser uma óptima oportunidade para explorar, em particular posições mais confortáveis, devido ao crescimento uterino.
E é importante relembrar os maridos que acham que vão "magoar" o bebé, que o feto está dentro do saco amniótico, protegido dentro do útero, e o colo do útero está fechado. Portanto, o bebé está seguro! E em relação ao orgasmo feminino, é normal que cause contracções - mas estas devem ser indolores e transitórias.


15- O que é o spotting? É efectivamente uma ameça de aborto?

Qualquer perda de sangue na gravidez deve ser encarada como uma ameaça de aborto. Um spotting é uma perda de sangue muito ligeira. É necessário vigilância, por vezes ocorre na altura da implantação, mas pode significar que estamos perante uma gravidez que não vai ter o melhor desfecho.


16- Quais os principais cuidados que a mulher deve ter se viaja grávida (desde o mês 1 ao 9)?
No geral, uma grávida saudável pode viajar sem problemas.
Em termos de viagens de avião, a grávida saudável pode viajar até às 36 semanas de gestação. Não se deve esquecer das recomendações seguintes: movimentos periódicos das pernas, levantar-se e andar um pouco, pelo menos de hora a hora e utilizar cinto de segurança enquanto sentada.Os riscos maiores poderão ser apanhar uma infecção ou ter uma doença num local sem cuidados médicos disponíveis.
Relativamente a viagens de carro, deve ser sempre usado cinto de segurança de 3 pontos.Não está recomendado desactivar o airbag durante a gravidez.
Mas o ideal é sempre consultar o médico antes de uma viagem, porque cada grávida é um caso.


17- O que vem a ser aquele traço negro que aperece na barriga da maiora das grávidas? Desaparece depois?
É a "linha alba", a zona de separação entre os músculos abdominais, que com a distensão abdominal devido ao crescimento do feto, e à elevada concentração de hormonas, se vai tornando mais escura (passa a "linha nigra"), já que os melanócitos são estimulados. A tonalidade da linha depende da tonalidade da pela da grávida, ou seja, mulheres mais morenas ficam com a linha mais escura. Desaparece no puerpério.


18- As hemerróidas pós-parto são uma realidade comum? Como se tratam?
É frequente ocorrerem no pós-parto, já que se passaram 9 meses em que o ambiente hormonal e o peso são propícios ao aparecimento de varizes. Na altura do parto, para que o bebé nasça, os esforços expulsivos contribuem para o agravamento das hemorróidas. Geralmente é uma situação transitória, que resolve durante o puerpério e que melhora com medicamentos como a diosmina e com a aplicação local de pomadas específicas. Casos mais graves poderão ter tratamento cirurgico, mas é raro.


19- A ida à praia/piscina durante a gravidez é aconselhável? As águas podem contaminar e provocar infecções urinárias? Deve proteger-se a pele da barriga com fato de banho ou o bikini que promove a barriga à mostra não é prejudicial?
Penso que com bom senso, praia e piscina podem ser benéficos.
A piscina, mais concretamente a natação, é um bom desporto para a grávida e para o bem estar. As piscinas devem ter a vigilância habitual dos parâmetros da água.
As grávidas têm mais frequentemente infecções urinárias por vários motivos: pela baixa de imunidade fisiológica da gravidez, e pela progesterona em circulação, que vai predispor a ligeiro refluxo vesico-uretral - mais frequentemente surgem cistites e pielonefrites. Mas não me parece que a ida à piscina tenha grande contribuição neste caso - se for uma piscina com água de qualidade.
Relativamente à praia, a grávida é como a criança: deve evitar estar na praia nas horas de maior calor, e evitar a exposição solar. O protector solar deve ser adequado a grávidas (atenção que alguns têm quimicos nocivos para o feto). Relativamente a fato de banho ou bikini, penso que é uma escolha pessoal - o importante é não ficar com a barriga ao sol (para além de fazer mal à pele, que na gravidez fica mais facilmente com manchas escuras, um escaldão desidrata e provoca contracções e imaginem o que acontece ao líquido amniótico horas ao sol).



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Sábado de chuva

28.09.13 | Sofia Serrano
Hoje acordei com vontade de ter a casa a cheirar a bolos. 
Um bolo de maçã e canela. 
Sentar-me no sofá a ouvir a chuva. 
Ler com tempo um bom livro. 
Ouvir aquele CD - sim , essa tecnologia ainda existe.

Hoje é dia de preguiçar.
Bom Sábado.


Quando isto passar

27.09.13 | Sofia Serrano
vou fazer uma tarte de maçã e canela.
vou dormir 10h 12 horas seguidas.
vou dar um mergulho no mar, mesmo que esteja frio e a chover torrencialmente, só para depois me enrolar na toalha, vestir uma camisola quentinha e ficar dentro do carro com o rádio ligado a ver o mar de outono.
vou convidar os amigos, fazer uns petiscos, beber uns mojitos e rir até de madrugada.
vou passar um dia inteiro a brincar com os miúdos.
vou ver aquele filme com ele, e namorar sem pensar nas páginas que tenho de estudar.
vou escrever tudo o que está na minha cabeça, mas que não tenho tempo para transformar em frases.
vou viajar de avião.

vou voltar a aproveitar cada instante.
Está quase.





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O outro lado do Ballet

25.09.13 | Sofia Serrano
A M. anda no ballet desde os 3 anos. E adora dançar.
Este ano mudou para "uma escola de ballet a sério, como a Barbie!" (diz ela).
Claro que as actividades extra da miudagem implicam disponibilidade parental - para ir buscar à escola, levar às aulas, esperar por eles e etc. 
Felizmente tenho um horário em que consigo ir com ela, mas acredito que para muitos pais seja realmente complicado.
Curiosamente, hoje ouvimos falar nos media na possibilidade de os pais trabalharem a meio tempo para acompanharem os filhos a partir de 2014, supostamente com fundos comunitários - vamos lá ver o que isto dá (a ideia é incentivar a natalidade, que está a descer a pique como nunca se viu).
Entretanto, lá vou eu, e ela. Ao Ballet.
O Ballet é aquela coisa glamorosa para as meninas: roupa rosa, folhos, penteado bonito, movimentos elegantes. 
E elas lá vão, muito direitinhas, para o estúdio de dança.
Cá fora...bem cá fora ficam os pais.
E há de tudo.
Há a mãe-croma (leia-se eu) que aproveita aquele tempo para estudar.
Há a desportista - que já vem com a roupa de corrida e com as musicas preparadas para ir correr os 45 minutos seguintes enquanto espera pela filha.
Há a mãe mãe-a-tempo-inteiro, que leva o bebé atrás, as papas e as fraldas e espalha tudo por ali, enquanto o miúdo gatinha pelo chão e ela olha ansiosa para a porta do estúdio de dança, porque a filha não quis levar a boneca preferida lá para dentro e ela está convencida que vai ficar infeliz.
Há o pai que deixa a miúda entregue à senhora da recepção, com o saco com a roupa, um ar de quem tem mais que fazer e o recado, "vá, fica aqui, veste-te dança e depois já te venho buscar, hum?". E desaparece num ápice.
Há a mãe-fashion, que fica a fazer chamadas e a retocar a maquilhagem, enquanto desfolha a Vogue.
E há a avó, que leva o tricot para ir adiantando serviço.

( e eu, em vez de ler 20 páginas nos 45 minutos só leio 10 porque me ponho a reparar nestas coisas)

Bolas, adoro ser mãe.




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Ele

24.09.13 | Sofia Serrano
Já consegue saltar as grades da cama (medo!).
Sobe para todo o lado e tenta abrir tudo o que é gaveta e armário. 
Puxa os cabelos à irmã. Mas também dá beijinhos bons e mimos.
Diz algumas coisas, mas gosta de andar de chucha (se a tirasse, dizia mais!).
Adora festas. Por ele, podiamos cantar os "Parabéns a você!" umas vinte vezes por dia - passa o tempo a bater palmas e a dançar. 
Adora ouvir a Xana Toc Toc (um problema bem conhecido desta Catarina) e de vez em quando lembra-se de apontar para a TV ou para o computador a dizer "Tó Tó" e não sai dali até ouvir e dançar uma das músicas.
Está a ficar crescido.


Pólo Zara
Calções My mini & me


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Duas festas, dois vestidos (e uma mãe K.O.!)

22.09.13 | Sofia Serrano
A vida social dos miúdos de 5 anos é realmente qualquer coisa! 
E parece que não é só cá por casa, porque os nossos amigos também se queixam do mesmo: nestes próximos fins-de-semana, os programas são...festas de aniversário!
Este foi especial, porque sábado foi a festinha da M., como já vos tinha contado aqui. No Domingo, outra festa de uma amiga da escola. E o que é que os adultos fazem nas festas? Há várias hipóteses:

Hipótese 1: andar a correr atrás dos miúdos e evitar que caiam, engulam pirulitos na piscina ou se atirem do insuflável
Hipótese 2: vigiar os miúdos (já um bocado afastados)
Hipótese 3: ir dando um olho aos miúdos e pôr a conversa em dia com os outros pais (muitos deles só vemos nestas ocasiões)
Hipótese 4: deixá-los à vontade e beber umas cervejas e comer uns rissóis enquanto se convive com malta da nossa idade

Bem, eu confesso que as nossas opções são limitadas e acabamos sempre quase na nr 1, porque o P. tem 15 meses e precisa de vigilância constante. Pronto, de vez em quando trocamos e fica um a vigiar o P. e o outro a M., que já se enquadra na nr 3.
Só sei que duas festas no mesmo fim-de-semana é coisa para deixar qualquer pai K.O., em particular porque no sábado foi "a nossa".
Deixo-vos as fotos dos vestidos da M. para as festas, que foi ela que escolheu (sim, neste momento é impossível convencê-la a vestir seja o que for, ela já sabe perfeitamente o que quer, e o que fica bem ou não). Ambos foram comprados nos saldos e são bem giros!

Na festinha dela, vestida de Rainha das Fadas, como ela dizia:


Vestido Vertbaudet
Coroa e asas Claire´s

E para a festa da amiga:


 Vestido My Mini & Me
Laço Claire´s
Colar Fio a Pavio (e convencê-la a tirá-lo, quem consegue?)


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A Festa!

21.09.13 | Sofia Serrano
A princesa da casa fez anos. 5 anos! (o tempo passa num fósforo!)
Vestiu-se de fada por uma manhã para comemorar o aniversário com os amiguinhos. Já todos sabem que ela adora as Winx que queria uma festa de fadas. Acabamos por encontrar uma decoração muito gira, inspirada nas Winx, com a ajuda preciosa do Formas D´Arte. Obrigada, ficou uma mesa muito gira, e os cones para pipocas e rebuçados foram um sucesso!
Foi uma manhã muito divertida, com muitos amigos, muita brincadeira, muita piscina, baloiços e insufláveis. Valeram as mini-pizzas já à hora de almoço para repor energias e o bolo, com recheio de doce de morango e chocolate branco, com camadas às cores (esqueci-me de tirar uma foto e foi TODO COMIDO!) era uma verdadeira delícia.
Ficam aqui algumas fotos, para espreitarem o aniversário da M.:




Eu e ela, de Fio a Pavio ao pescoço



A Formas D´Arte deu o toque especial à nossa mesa!


 A Rainha das Fadas (como ela dizia!) a abrir presentes.


Muita diversão toda a manhã, um espaço excelente para a brincadeira. 

E o príncipe da casa (já bom da febre!), by Cutchi.

Obrigada a todos os que vieram, a M. adorou! 
Um agradecimento especial ao meu maninho e cunhada, que foram essenciais a tomar conta da criançada, em particular do P., enquanto a fada-mãe andava ocupada nos seu afazeres. (beijinho grande!)

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Uma grávida de peso

20.09.13 | Sofia Serrano
Já todos sabemos que é benéfico fazer exercício físico durante a gravidez. A grande maioria opta por caminhadas ou natação e abandona desportos mais violentos.
Mas nem todas as grávidas são iguais.
Lea-Ann Ellison, culturista, 35 anos, decidiu manter o mesmo nível de exigência física durante a gravidez. Depois do nascimento do seu segundo filho, decidiu que queria continuar a ser uma mãe em forma.
E agora, a duas semanas do parto, estas fotos que colocou on-line estão a gerar polémica. E com sempre, há os que defendem este tipo de exercício e há os que classificam esta prática como muito perigosa.
Ficam as imagens e podem ler mais aqui.







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Coisas que eu gosto nele #1

20.09.13 | Sofia Serrano
Aturar os meus telefonemas e mensagens de hora a hora, durante a noite (eu a trabalhar, ele com os miúdos em casa e o mais pequeno doente), para saber se o P. está a dormir bem, ou tem febre, ou tem frio, ou quer leite, ou...

(eu avisei que era difícil de aturar.)

Viagem no tempo (aquele dia especial)

18.09.13 | Sofia Serrano
Aprendi com o tempo que as mães sabem sempre tudo. Se sabem.
Quando fiquei grávida da M. ela fez as contas (dela) e apontou o dia em que a neta iria nascer - um dia já muito especial. Este dia. Há 5 anos atrás.
Eu, projecto semi-acabado de obstetra e teimosa até mais não, convenci-me que conseguiria moldar o destino à minha medida. A minha obstetra estava de serviço no dia 17, já tinha 40 semanas e 6 dias, vamos lá induzir e pôr a rapariga cá fora.
E de facto, a indução do trabalho de parto foi uma experiência...ímpar. Nos livros parece tudo muito linear e científico. Na vida real implica comprimidos, nada acontecer, passar um dia a subir e descer escadas pelo hospital, a passear pelo jardim do hospital e a achar que ia ficar grávida para sempre (valeu-me a paciência do R. que me aturou o tempo todo). 
E depois, de repente, dor, muita dor, não ser (afinal) assim tão forte e achar que "esta coisa afinal custa à farta". Valha-nos a nós, mulheres desta época, a epidural. 
Depois rompe-se a piscina da criança e vamos lá a sério nesta coisa de trabalho de parto - mais ou menos a sério, porque a epidural torna tudo muuuito melhor. Dilatação faz-se de mansinho mas vai. 
Conclusão: já passava da meia-noite, no meio de tanta emoção. Já era dia 18. Tal como a avó previra.

Foi então que te vimos pela primeira vez. 
Não choraste logo e o meu cérebro de obstetra procurava incessantemente qualquer problema que pudesse haver. Mas estavas bem. Tocamos-te pela primeira vez. E quando ouviste a voz do pai, abriste muito os olhos para ele - porque o reconhecias daquelas intermináveis conversas que ele tinha, à noite, contigo (tu na minha barriga).
Ele vestiu-te, ou melhor, tentou, porque de repente vi-se desajeitado com uma coisa tão preciosa e botões tão pequeninos. Mas tivemos ajuda. Tivemos sempre ajuda. Sentimo-nos em casa e as pessoas que participaram neste dia especial vão estar para sempre nos nossos corações. 
Chegaste tu, neste dia tão especial. Para dares um outro sentido às nossas vidas, para nos fazeres viver emoções inimagináveis.

Parabéns, minha querida.




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Este mundo em que vivem os nossos filhos ( e o outro que era nosso)

17.09.13 | Sofia Serrano
Os aniversários dos filhos são uma boa altura para reflectir sobre algumas coisas: como crescem rápido, como nos surpreendem a cada dia que passa, como vão conquistando o mundo. 
Mas acaba por ser inevitável pensar neste mundo - este mundo em que eles vivem. 

É o mundo da tecnologia - qualquer bebé de 12 meses consegue mexer num iPad, qualquer miúdo de 5 anos liga sozinho um computador para jogar, qualquer adolescente passa o dia no facebook ou no twitter. 
A tecnologia do nosso tempo resumia-se à televisão, que no canal 1 era uma ultra-tecnologia, porque era a cores, e ao telefone - sim, aquele velhinho telefone, em que era necessário marcar o número naquela rodinha. E depois surgiu o pager e o Spectrum e parecia que tinham chegado os marcianos e tinhamos a tecnologia extraterrestre de ponta.

É o mundo dos cuidados de saúde diferenciados, em que o acesso a um médico ou a medicamentos é fácil - e não, não me vou debruçar sobre o estado do serviço nacional de saúde, que isso daria pano para mangas, mas em geral os cuidados de saúde dos nossos dias são excelentes. 
Mas tomam-se antibióticos para qualquer constipação, e as mezinhas das avós, que resolviam as nossas doenças quando éramos pequenos foram (quase) esquecidas. 

É o mundo dos estranhos - ninguém sabe o nome do vizinho do lado, nem do de cima. 
No nosso mundo, as vizinhas passavam o dia à janela e sabiam sempre tudo. Conhecíamos de cor e salteado todos os vizinhos da rua, e quem sabe do bairro. Se fosse preciso, ficávamos na casa de vizinha de baixo enquanto os pais iam tratar de alguma coisa e não era preciso pagar a uma baby-sitter. E iamos pedir ovos e salsa ao de cima. E brincavamos com os miúdos do bairro e passávamos o tempo na casa uns dos outros.

É o mundo dos amigos virtuais - depois da escola, toda a gente se senta ao computador e põe a conversa em dia nas redes sociais.
No nosso mundo, encontravamo-nos na rua para brincar depois das aulas. Ou na casa de um de nós. Ou no parque. Jogávamos à bola na rua, ou à sirumba e poucos carros circulavam (agora nem espaço há para estacionar).

É o mundo dos perigos - ninguém pensa em deixar miúdos sozinhos na rua nem os manda à outra ponta do bairro comprar pão, porque vemos as notícias e sabemos que o perigo espreita a cada esquina. Mas no nosso mundo fazíamos recados aos pais, íamos à padaria e à mercearia mesmo quando ainda sabíamos contar mal - e tínhamos sempre muito cuidado nos trocos. Íamos sozinhos visitar a avó ou a amiga que morava ali perto. E o senhor da mercearia dava-nos rebuçados e nós gostávamos de lá ir.

É o mundo dos brinquedos - o mundo onde todas as crianças, aos 5 anos, já não têm sítio para pôr tanta barbie e bebés e peluches, porque os brinquedos são baratos, made in china e de desgaste rápido, e toda a gente quer compensar a ausência e a distância com coisas materiais. E eles têm pouco cuidado com os brinquedos porque sabem que se compram mais.
No nosso mundo, os brinquedos eram especiais. Poucos e bem tratados, chegavam a casa em ocasiões únicas e eram estimados. Eram feitos de material duradouro e alguns eram passados entre gerações.

É o mundo da Troika - o mundo onde não somos donos do nosso próprio destino, onde que não se dá valor a quem trabalha. O mundo em que temos de pôr os nossos filhos em escolas privadas porque as públicas têm horários incompatíveis com os nossos empregos, têm turmas com um número excessivo de alunos e falta de professores (que estão no desemprego). É o mundo em que há famílias a passar fome, mas em que o estado salva bancos e clubes.
No nosso mundo, havia um presidente da república e um governo - e na nossa ingenuidade de crianças, parecia-nos que eram eles que mandavam no pais.


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Escolas do Mundo

16.09.13 | Sofia Serrano
Em todo o mundo, a escola recomeça para as crianças.
A mesma emoção do início de aulas. Os mesmos sorrisos. Escolas diferentes. Terras diferentes. Material diferente.
Vários fotógrafos juntaram momentos que registaram pelo mundo de crianças a iniciarem as aulas ou a caminho da escola.
Vejam e mostrem aos vossos filhos.

Fica aqui um cheirinho das fotos que podem ver completo aqui.


























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