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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Data (im)prevista de parto

17.11.18 | Sofia Serrano

 

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Quando o teste de gravidez dá positivo, uma das primeiras curiosidades que queremos ver esclarecida é a data do parto: afinal, quando é que o bebé vai nascer? Qual o dia certo?  

Os obstetras calculam a data do parto 40 semanas após o primeiro dia da última menstruação. Andamos munidos de uma rodinha que nos auxilia nas contas e geralmente dizemos que esse dia é a "data provável do parto". 

"Provável", porque sabemos que só 20% dos bebés irá efetivamente nascer nesse dia. Alguns decidem nascer antes, outros depois. 

Por isso, quando me perguntam, geralmente no 3º trimestre, se acho que o bebé vai nascer na data estimada ou se será antes, eu respondo sinceramente que não faço a mínima ideia. Porque mesmo nas gravidezes em que tudo está a decorrer como esperado podemos ter surpresas de última hora.

 

Pois. A grávida que acabei de ver na consulta e a quem disse que me parecia que ainda não estava na hora porque não tinha contrações nem dilatação pode romper a bolsa ao sair do consultório e lá se vai a data prevista.

O marido que estava com duvidas se devia viajar para outro país na 37ª semana de gestação (porque apesar de não haver sombras de contrações e tudo estar aparentemente bem, e de eu lhe ter dito que ACHAVA que o parto não iria ser nessa semana) pode ter de regressar à pressa para conseguir assistir ao nascimento do filho.

E os meus planos durante uma semana completa para ir ao ginásio depois das consultas são adiados, porque as grávidas que eu ACHAVA que só teriam o parto nas semanas seguintes decidem que está na hora do grande momento.

 

Isto para dizer que a data prevista de parto é meramente uma estimativa e que é muito mais provável o bebé nascer...quando quiser. E que para se ser obstetra, a agenda tem de ser mesmo muito flexível - e o mais provável é que os nossos planos saiam sempre furados. Mas no fundo, desde que tudo corra bem, com mãe e bebé saudável, este é mesmo o charme da profissão ;)

 

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Feira de Ciência

11.11.18 | Sofia Serrano

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A ambarscience e a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto desafiam os mais pequenos a “Crescer com Ciência”, na I Feira de Ciência FCUP/ambarscience, um concurso de ideias para a Divulgação, Ensino e Aprendizagem das Ciências.

               

Do primeiro ciclo ao secundário, os alunos são desafiados a mostrar os seus conhecimentos de Ciência, nesta iniciativa inovadora. No dia 10 de maio, são conhecidos os vencedores durante a I Feira de Ciência FCUP/ambarscience, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

 

A I Feira de Ciência FCUP/ambarscience divide-se em três categorias:

1. Faz uma experiência com um kit ambarscience – para alunos do 1º, 2º e 3º ciclos.

2. Cria um kit de Ciências Experimentais ou Jogo de Ciência - para alunos do 1º, 2º e 3º ciclos e Secundário.

3. Divulga Ciência no Youtube – para alunos do 1º, 2º e 3º ciclos e Secundário.

 

Os interessados podem inscrever-se em http://bit.ly/feiradecienciafcup e submeter as suas propostas até 12 de abril de 2019, através do email ambarscience@ambar.pt. Esta iniciativa está aberta a alunos de escolas do 1º, 2º e 3º ciclos e do Secundário de todo o país, alunos e funcionários da FCUP e de outras escolas da Universidade do Porto.

 

No dia 10 de maio, as instalações da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto vão receber a primeira edição da Feira de Ciência FCUP/ambarscience onde serão expostos todos os trabalhos dos participantes e premiados os três melhores trabalhos de cada categoria.

 

 

Programa em família: Herdade da Matinha

11.11.18 | Sofia Serrano

É sempre boa ideia aproveitar um fim de semana para descomprimir do stress semanal - os dias voam, há mil e uma atividades e horários para cumprir e o tempo é um luxo. Quem se lembra daqueles dias que passavam devagar quando éramos pequenos? Quando havia tempo para acordar lentamente, para ficar a ouvir a chuva lá fora, para uma boa refeição caseira e para correr na rua, mesmo nos dias frios?

 

Há um lugar ótimo para ir a dois ou em família e aproveitar com calma os dias: a Herdade da Matinha, no Cercal do Alentejo, na Costa Vicentina. Uma herdade tipicamente alentejana, bem perto das praias de Porto Côvo, Ilha do Pessegueiro e Malhão. Com várias opções de alojamento, muitos recantos e alpendres acolhedores, árvores carregadas de frutos, cavalos, piscina e uma simpática horta.

 

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Nós fomos passar o fim de semana os quatro e adorámos todo o ambiente da herdade - tão acolhedor que nos sentimos imediatamente em casa, desde a simpatia de todos os que lá trabalham, às refeições e ao conforto do alojamento.

Ficamos numa das casas da herdade que permite acomodar uma família, e que tem uma kitchenette e lareira, bem como uma decoração inspiradora, com muitas obras de arte e livros antigos. O pequeno almoço é uma perdição, com o pão alentejano quentinho, absolutamente irresistível!O calor da lareira e a chuva lá fora fez com que aproveitássemos o fim de semana para descansar - e soube tão bem passear pela herdade quando a chuva deu tréguas. 

 

Fica a nossa sugestão para um fim de semana para recuperar energias - Herdade da Matinha.

 

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 O nosso instagram é aqui.

 

 

 

O que importa é que venha com saúde?

08.11.18 | Sofia Serrano

Sempre me lembro de ouvir esta frase, desde pequena, no que a grávidas diz respeito : "Não interessa se é menino ou menina, o que importa é que venha com saúde".

Faz parte do trabalho dos obstetras assegurar exatamente isso. Por isso, quando estou a fazer uma ecografia morfológica tenho uma ordem estabelecida na minha mente para avaliar o bebé de uma ponta à outra sem perder pitada, e poder dizer no final do exame aos pais que, pelo que podemos ver,  "está tudo bem". É sempre desta forma que eu espero terminar um exame, o que infelizmente, nem sempre acontece. Há pequenas alterações que provavelmente não serão nada importante e que poderão desaparecer com o crescimento do bebé, e depois há outras bastante graves, que podem mudar tudo. É um momento de muita responsabilidade e é preciso tempo para avaliar todos os pormenores - e mesmo assim, há situações que não conseguimos diagnosticar durante as ecografias.

 

 

Claro que depois há sempre aquela parte do "quer saber se é menino ou menina, ou prefere que seja surpresa?". Na realidade, estou sempre à espera do tal "o que importa é que venha com saúde". Mas o que tem acontecido cada vez mais frequentemente é este ser o ponto fulcral do exame. 

Isto para explicar que por estes dias, o cenário de destaque na ecografia tem sido o sexo do bebé.

 

 

Casais que querem tanto um menino que vão na quinta gravidez, e assim que lhes confirmo que é outra menina, já estão a fazer contas para saber quando podem engravidar outra vez - e tentar na próxima vez uma técnica matemática complicada que envolve idades dos pais, mês da conceção e mais alguma coisa que já não me recordo, para se assegurarem que o próximo bebé será do sexo masculino. Isto porque já tentaram a teoria dos alimentos ácidos, fases da lua e o calendário chinês e nada resultou.

 

Ou a grávida que vai na sexta gravidez e que me diz logo no início da ecografia que só lhe interessa saber que é uma menina, porque já tem cinco rapazes em casa e o seu sonho desde criança é ser mãe de uma menina. Mesmo sendo daqueles bebés que mostra claramente que é um rapaz na primeira imagem, prefiro demorar-me a avaliar tudo antes de lhe dar essa notícia. E tento enfatizar a parte do "esta tudo bem com o seu bebé" mas ela só ouve o "é um menino". Diz-me imeditamente que a seguir vai juntar uma quantia exorbitante de dinheiro para ir a outro país e poder optar por uma técnica de reprodução medicamente assistida que lhe permite escolher o sexo do bebé. Passam-me pela mente todos aqueles casais que tiveram de ouvir más noticias em relação à saude do seu bebé, e volto a reforçar que o importante é que tem um bebé saudável. Mas ela continua focada no seu sonho de ser mãe de uma menina e não me ouve.

 

Na ecografia seguinte, volto a dar a nótícia errada - é uma menina, e o casal queria muito um menino. É o primeiro filho, mas não se imaginam com uma menina. Há lágrimas até. Volto a insistir no "muitos parabéns, têm um bebé saudável", mas não me ouvem.

 

Quando saem do consultório começo a achar que deviamos ter um livro de trocas de bebés - porque no final do dia, há espaço e amor para todos os bebés, mas parece que para todos estarem felizes seria preciso trocar as famílias.

E eu continuo a achar que o mais importante é que venham com saúde.

 

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Fui fazer um treino com um PT...

06.11.18 | Sofia Serrano

...e diz que estou assim para o péssimo a nível de tudo. Tipo costas e abdominais e pernas e postura. Parece que tudo o que é músculo desapareceu (tipo rapto extraterrestre).

 

Está bonito. 

Tenho duas opções: ou fingir que isto nunca aconteceu, e voltar à minha caixa de chocolates, ou marcar na minha agenda um espacinho para o ginásio e tornar-me numa Carolina Patrocínio.

 

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 Não, esta não sou eu. Mas se treinar muito até ao natal, será que posso comer na mesma fatias douradas????

Festa de pijama

05.11.18 | Sofia Serrano

A ideia de que os melhores amigos constrem juntos foi o ponto de partida para a festa de pijama da Lego!

A Lego Friends tem novidades, com novas ideias de construções para todos os gostos - microfones, robots, máquinas fotográficas ou walkie talkies, entre tantas outras brincadeiras! E o mais divertido é mesmo os amigos construirem juntos.

(e claro que festa de pijama que se preze tem amigos, comida, luta de almofadas e noitada a construir com a Lego!)

Obrigada à Lego por este convite para esta festa tão especial, e aos nossos amigos Pumpkin e BabyTime pelos bons momentos.

 

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Filme : A Star is Born

04.11.18 | Sofia Serrano

Já não vou ao cinema tantas vezes como ia antes de a família ter aumentado - numa determinada altura, não havia filme que me escapasse. Mas a vida muda e nos últimos tempo vou com os miúdos ver os filmes infantins, ou escolho aqueles que valem mesmo a pena. Sábado foi dia de matar saudades das salas de cinema com amigas.

Já tinha ouvido falar muito deste "A Star is Born". Avisaram-me para levar lenços que ia ser choradeira do princípio ao fim. O problema de já muito se ter falado do filme é que as expectativas iam muito elevadas.

A história é bonita, e é um remake de um filme de 1937. Foi o Bradley Cooper o realizador desta longa metragem (que intrepreta a estrela de rock em decadência), e confesso que não se saiu nada mal, na minha opinião. Extraordinária é a Lady Gaga, com uma prestação fabulosa no filme - no papel que originalmente seria para Beyoncé. Foi ela que me surpreendeu a todos os níveis e é por ela que acho que este é um filme imperdível.

Quanto às lágrimas, devo ser das únicas pessoas do mundo que não chorou - possivelmente porque o desenrolar da história é um bocadinho previsível demais. E é este o único ingrediente que faltou e que poderia ter tornado "A Star is Born" em alto verdadeiramente espetacular, ao nível do desempenho da fantástica Lady Gaga.

E por aí, já foram ver?

 

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Das coisas boas da medicina

02.11.18 | Sofia Serrano

Muita gente acha que os médicos têm de ser frios. Duros como pedra. Que aprendem a não sentir e que não têm qualquer ligação com os pacientes. Que é isto que nos ensinam na faculdade: a manter a distancia. Que só assim conseguiremos ser bons no que fazemos, porque nos focamos no diagnóstico e no tratamento, e não nos distraímos com a pessoa.

 

Na realidade, das coisas que mais gosto na medicina, é esta oportunidade de conhecer as pessoas.

Sim, tenho de fazer ecografias, saber se há risco de parto pré-termo e identificar sem pestanejar uma pré-eclâmpsia. Mas bolas, é maravilhoso ver um casal chorar de felicidade por ter finalmente um teste de gravidez positivo ao fim de muitos anos de batalha por um filho. É extraordinário poder observar o crescimento de um bebé nas ecografias, ver a felicidade da mãe quando sente os primeiros pontapés. Fico sem palavras perante a emoção dos pais ao pegar pela primeira vez no filho recém-nascido.

 

E é impossível não partilhar lágrimas e sorrisos - porque as emoções, os sentimentos, o caminho, são partilhados pelo médico e pelo paciente. Não consigo, ao fim de nove meses de consultas e de um parto, não ver as minhas pacientes como minhas amigas - e aquele abraço sentido que me dão na consulta do pós-parto faz-me sentir que é por isto que vale a pena ser médico. Pelas pessoas. Que passam a ser parte de mim. Porque eu também passei a fazer parte da história delas.

 

É a partilha que faz sentido e que nos torna humanos.

 

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Podemos ser o que quisermos

01.11.18 | Sofia Serrano

Fui ao concerto da Carolina Deslandes em Faro. Na realidade, foi um presente de aniversário para a minha filha e para uma amiga e acabamos por ir numa espécie de saída de miúdas.

O concerto abre com a Carolina em palco, sentada num banco de jardim, com a banda por trás e um muro com flores. Apesar de sentada, a barriga de grávida de 3º trimestre nota-se bem. E a tranquilidade e harmonia do cenário quando ela começa a cantar é algo extraordinário - está tudo exatamente como devia de estar e entramos no mundo dela, na "Casa" dela, com convite, como se fossemos amigos de longa data.

Ela confessa no final da primeira música que a barriga de grávida lhe dificulta algumas das respirações necessárias para as notas saírem como devem - mas se não o dissesse, ninguém notaria. Imagino o bebé embalado pelas músicas, e com a mesma tranquilidade que a mãe. Está tudo perfeito.

 

Durante o concerto, ela faz mais confissões, e fala sobre os desafios da maternidade - mais em concreto, o facto de muita gente achar que se escolhermos ser mães, então vamos deixar a nossa carreira para trás. Escolher a maternidade é perder o comboio? Em particular quando se fala de artistas, muita gente acha isto. Mas para os médicos é igual, e para tantas outras profissões. Afinal, quem disse que não podemos ser tudo ao mesmo tempo? Ela achou que isto não era verdade. Eu também. E tantas outras mulheres.

 

Lembro-me que durante o internato médico, quando anunciei que estava grávida, acharam que eu ia deitar tudo a perder. Que não ia conseguir os números cirúrgicos necessários, que me limitaria na minha formação como médica. Que me estava a desviar do meu caminho. Que ia perder tempo. Eu achava que não. Queria muito ser médica, mas também queria muito ser mãe. E porque não ser as duas coisas?

Acredito que a maternidade nos dá novas capacidades. Novas leituras do mundo. Novas maneiras de encarar os desafios, associados a uma capacidade extraordinária de multitasking. E tudo isto nos ajuda na nossa profissão, na nossa família, no nosso dia-a-dia.

A gravidez e a maternidade ajudaram-me a entender melhor os sintomas das grávidas, as dúvidas e ansiedades. Acredito que ser mãe me tornou melhor obstetra, e não o contrário, como muitos me queriam fazer crer.

 

Curiosamente, mesmo quando mostramos que somos capazes, se anunciamos uma nova gravidez, a conversa repete-se. "Mas porquê outra criança?" "Devias deixar isso para outra altura".

A maneira de responder a estas pessoas? Sorrir e continuar. Porque todos podemos ser o que quisermos.

 

 

 

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Carolina Deslandes, e o novo album Casa