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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Feliz Ano Novo!

31.12.18 | Sofia Serrano

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Há sítios maravilhoso e festas inesquecíveis para a passagem de ano, mas é mágico entrar no novo ano a trazer vida ao mundo.

Estar de serviço no dia 31 de dezembro, ou no Natal ou noutro dia especial, daqueles em que todos estão com a família, tem um sabor agridoce: tem o contra de estarmos longe dos nossos, mas a maravilha de podermos a fazer a diferença na vida de alguém.


A foto é de uma das últimas passagens de ano, em que foi necessário avançar para uma cesariana de urgência perto da meia noite. Por isso, às doze badaladas não bebemos champanhe nem comemos passas, mas ouvimos o choro forte de um dos primeiros bebés do ano. A magia da vida.


Por isso, venho desejar-vos um extraordinário 2019, onde quer que estejam. Que a esperança e o amor sejam sempre os nossos guias e inspiração.

Sobre as voltas que a vida dá

30.12.18 | Sofia Serrano

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Era a primeira consulta comigo. Uma mulher jovem, bonita, com menos de 30 anos. Primeiro, disse-me que estava ali para uma consulta de ginecologia de rotina. Mas à medida que lhe fui fazendo perguntas para contruir a sua história clínica, percebi que o motivo não era esse.

 

Foi então que ela me contou o que a estava a preocupar. Estava a estudar, na faculdade. A família não tinha grandes posses e ela tinha de trabalhar em simultaneo com o estudo para ajudar em casa, o que estava a fazer com que o curso se arrastasse por não ter tempo para mergulhar nos livros.

 

Um dia, ouviu por uma amiga de uma amiga que era fácil para mulheres novas como elas ganhar um bom dinheiro fora de Portugal - bastava ir a uma clínica, fazer uns medicamentos e deixar que lhe retirassem os óvulos. Não lhe pareceu muito complicado e já ajudava na parte financeira. Refletiu pouco tempo sobre o assunto, sabia que usariam os óvulos para mulheres que não conseguissem ter filhos, mas tudo o que dizia respeito a maternidade ainda estava longe do seu pensamento. 

 

Claro que para se ser dadora de óvulos teve de fazer uma consulta de avaliação geral e exames prévios. E foi então que lhe disseram - ela não era uma boa candidata. Não era?  Porquê?

 

Disseram-lhe que a sua "reserva ovárica" era muito baixa, apesar dos seus 23 anos - provavelmente uma condição genética. Por outras palavras, mesmo que fizesse a medicação, iriam ter poucos ou nenhuns óvulos para recolher. O que não lhes interessava, pois queriam mulheres que tivessem uma grande quantidade de óvulos para recolher, para serem doados ao maior número de mulheres infertéis possível.

E para além disso, tinham descoberto outra situação - disseram-lhe que teria "endometriose", o que complicava ainda mais todo o processo.

Veio de lá confusa e queria perceber o que tudo isto significava.

 

Subitamente, deu por si a pensar em filhos. Aliás, deu por si a pensar na possibilidade de não poder ter filhos - afinal, era o que todas aquelas palavras difíceis que lhe disseram significavam, não? E apesar de ainda não ter tentado, apesar de ainda não ter encontrado a pessoa ideal para partilhar os desafios da parentalidade, já estava a sentir uma perda, bem lá no seu interior.

E dizia-me que é curioso como a vida pode mudar em poucos instantes - e que agora, só pensava em engravidar o mais cedo possível, para aproveitar as baixas probabilidades que tinha, antes que se esgotassem, definitivamente. 

 

A verdade é que a vida nos troca as voltas e as prioridades.  E o relógio biológico não pára e segue o curso que nos está destinado. Quantas de nós terão algum problema em engravidar quando decidirmos que está na altura? Provavelmente muitas. Neste momento estima-se que cerca de 20% dos casais a nível mundial têm dificuldade em ter um filho sem qualquer ajuda. Vamos adiando a maternidade porque nunca temos as "condições ideias" e a vida prega-nos partidas.

 

Noutras vezes, dá-nos a oportunidade de ainda irmos a tempo. 

 

Estamos pelo instagram, aqui.

 

 

Deste Natal

27.12.18 | Sofia Serrano

O nosso Natal?

Teve sonhos e conversas, risos e preocupações, crianças em excitação à espera do pai Natal, crianças a adormecer no sofá antes da meia noite ( e a abrir o presente que o Pai Natal deixou só no dia 25 de manhã).

Houve lareira, polvo (para quem não gosta de bacalhau - EU!!!), Música no Coração (aquele clássico!).

Jogámos em família ao Bingo e a jogos de palavras. Quase que tinhamos um parto no dia de Natal - obstetra que é obstetra tem sempre aventuras todos os dias ;)

Acima de tudo, houve tempo com as pessoas que amamos.

Porque não são os presentes que importam, mas sim podermos estar juntos, partilharmos risos, contarmos histórias.

 

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E já passou, daqui a nada é verão! E o vosso Natal, como foi?

No nosso instagram há mais fotos deste Natal, aqui.

Às grávidas que vão passar o Natal no Hospital

24.12.18 | Sofia Serrano

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Quando se planeia um filho, imaginamos uma gravidez de 9 meses tranquila. Imaginamos o momento de dar a notícia à família, o dia em que sabemos se é menina ou menino, o primeiro pontapé. Sonhamos com o chá do bebé perfeito, pensamos ao pormenor como será o quarto, a cama, o carrinho, as primeiras roupas. 

Mas nada nos prepara para os imprevistos da gravidez. Não esperamos que nos digam , perante o resultado de umas análises que estamos com diabetes e que é preciso ter cuidados extra para que tudo corra bem. Não imaginamos que um dia de manhã haja uma hemorragia e seja necessário ficar de repouso e não ir naquela viagem que ansiávamos fazer para nos reunirmos à família. Não esperamos, a uns dias do Natal, começar com contrações muito antes de tempo, e termos de ficar no hospital, deitadas, a fazer medicação para que o suposto momento mágico do nascimento não aconteça cedo demais. Não era isto que estava planeado, não era isto que tínhamos sonhado.

A verdade é que a vida é imprevisível e muda a cada instante, e quando falamos de gravidez mais ainda. E quando nos tornamos mães, desde aquele momento em que aparece o segundo trancinho no teste de gravidez, deixamos de ser só nós. O mundo muda e  o nosso bebé passa a ser a nossa prioridade.

Por isso, as grávidas que estão neste momento deitadas numa cama de hospital, a lutar pelos seus bebés com toda a sua alma e garra, longe da família e amigos nesta época de partilha, estão na realidade a dar aos seus bebés o melhor presente de sempre : o amor de mãe. 

 

A todas as grávidas que estão longe da família e a viver um Natal diferente do que imaginaram, obrigada pela coragem e pela força, e que este seja um Natal especial, onde o amor é o mais importante.

Feliz Natal.

 

Passatempo de Natal com a LEGO

09.12.18 | Sofia Serrano

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Porque todos adoramos a Lego cá em casa e somos super-fãs do mundo Harry Potter, vamos ter um fantástico passatempo de Natal em parceria com a Lego.

Temos para oferecer a um leitor do blogue nada mais nada menos que um set da mala do Newt Scamander, a mala das criaturas mágicas!

 

Para se habilitarem a este prémio, têm de:

- gostar da página da Lego no facebook, aqui

- gostar da página do Café, Canela & Chocolate no facebook, aqui

- partilhar este post no facebook (partilha pública)

- deixar em comentários no post do facebook o nome de três amigos que também adorem a Lego (tag)

Podem participar de 9 a 14 de dezembro as vezes que quiserem, desde que cumpram todos os passos atrás referidos.

O vencedor da mala do Newt será escolhido aleatoriamente de entre as várias participações.

 

Boa sorte e que seja um Natal Mágico!

(para os que quiserem tentar a sorte a dobrar, vamos ter outra mala a ser sorteada na nossa página de instagram, aqui)

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LEGO® Harry Potter™ A Mala de Criaturas Mágicas de Newt

Entra em LEGO® Monstros Fantásticos 75952 A Mala de Criaturas Mágicas de Newt; há lugar para todos! Ajuda Newt a levar Jacob, Tina e Queenie na viagem pelos diferentes habitats de criaturas mágicas e ensina-os a cuidar do Erumpent, Occamy, Thunderbird, Niffler e Bowtruckle. Diverte-te a explorar os Monstros Fantásticos, misturar poções e cuidar das criaturas mágicas.

Abre a mala de Newt para aventuras com criaturas mágicas!

À noite, no hospital

06.12.18 | Sofia Serrano

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O que se passa num hospital à noite? Basicamente tudo e nada. Podemos percorrer os corredores silenciosos e sentir a tensão do espaço - aquele silêncio que antecede uma explosão de adrenalina, que surge sem aviso prévio.

E se num instante tudo parece estar sossegado, no segundo seguinte há um código vermelho e uma invasão de gente a cumprir o seu trabalho o mais rápido e eficazmente que sabem para que se possam salvar vidas.

Para que a grávida com o súbito descolamento de placenta e um bebé em sofrimento possam ter a melhor hipótese. 

Todos os segundos contam.

É preciso correr, de forma bem treinada, e pôr a funcionar a máquina bem oleada que parecia estar adormecida. Em instantes há luzes, um bailado que monta panos e instrumentos cirúrgicos, roupas e luvas e máscaras, o "ok" para começar. E tudo fica em suspenso até se ouvir um choro, inicialmente débil e depois mais intenso. Trocam-se olhares cumplices que dispensam palavras e todos continuam.

E tudo corre bem e volta o silêncio, e esta missão está cumprida.

Mas o hospital nunca dorme.

Os obstetras também se enganam

01.12.18 | Sofia Serrano

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Às vezes há falhas. Ninguém é perfeito. É perfeitamente possível alguém se enganar numa ecografia, na identificação do sexo do bebé. Entre outras coisas. Treinamos anos a fio, estudamos constantemente, mas há multiplos fatores que nos podem influenciar no nosso trabalho.

"Parece-me uma menina!", podemos dizer nós. E às tantas, na ecografia seguinte, o cordão umbilical que estava a tapar um "apêndice" importante mobilizou-se e afinal...é um menino. Nem sempre é fácil dar estas notícias - explicar que aquela menina com que falamos todas as noites na barriga é afinal um menino, mas ninguém tinha dado por isso. 

Há surpresas que afinal são bem recebidas, outras nem por isso.

Mas depois, há aquelas MEGA SURPRESAS.

 

Como a história daquela grávida que entra no meu consultório para a ecografia morfológica, às 20 semanas.

Gosto de fazer perguntas para perceber se tem tudo estado a correr bem, e de ir conversando com as pessoas. A gravidez, diz-me ela, tem estado a decorrer tranquilamente, mas o seu médico ainda não sabe se é menino ou menina - e o casal está muito ansioso por ter essa informação.

Começo o exame e fico momentaneamente baralhada. Reparam no meu ar confuso e reafirmam que lhe têm dito que está tudo bem com o bebé. "Não está?"

Volto a olhar para o ecrã . Tive uma noite tranquila, dormi bem , não estou cansada, o ecógrafo é bom. No entanto, podia jurar que estou a ver DOIS BEBÉS. 

Sim, são dois. Uma placenta, duas bolsas. Duas cabeças, 4 pernas, 4 braços. Não estou a imaginar. Mas os pais pensam que é só UM BEBÉ.

" Hum...acho que temos aqui uma pequena surpresa."

(aquele olhar de suspense dos progenitores)

"Bom...por algum motivo ainda ninguém tinha percebido mas...."

"Diga-me dra, é um menino???? Sim???"

"Sim! Na verdade é um menino! Ou melhor, são dois meninos! Parabéns! Vão ter gémeos verdadeiros, dois meninos!"

Aquele silêncio de choque.

Aquele momento em que eu continuo a olhar para o ecrã para me certificar mais uma vez que são dois, e que não sou eu que me estou a enganar - mas em simultaneo a pensar que poderia ter sido eu a falhar.

E mostro no ecrã as duas cebecinhas, lado a lado, como que a trocar confidências. A rirem em segredo por terem conseguido passar 20 semanas sem ninguém se ter apercebido.

"Ai valha-me Deus!" suspira a mãe, ainda a tentar interiorizar a notícia. "Então é por isso que tenho tanta fome! Vês, não estou nada gorda, são dois!".

 

E é isto. Temos de ver sempre o lado positivo das coisas.

 

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