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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

21.03.19

Confissões de uma médica: as escolhas que fazemos por amor


Sofia Serrano

Na primeira consulta vieram os dois.

Estavam a tentar uma gravidez há 5 anos. Tinha chegado a altura de pedir ajuda, disseram-me. Conversamos sobre ambos e pedi uma série de exames, o habitual quando queremos perceber o que se passa para não se conseguir o filho desejado.

Na consulta seguinte, ela veio sozinha. Todas as consultas são importantes, mas ele não tinha mesmo conseguido estar presente.

Estive a rever os exames dela e parecia tudo bem.

Depois ela tirou o envelope com os exames dele. O espermograma dizia “azoospermia”. Perguntou-me o que queria dizer.

“Lamento muito, mas significa que não se encontraram espermatozóides no exame. A causa de não conseguirem engravidar será muito provavelmente esta.”

Ela ficou pensativa. “Então não sou eu?”.

“Não me parece. Mas há alternativas e alguns exames adicionais que podem fazer e com reprodução medicamente assistida podem conseguir uma gravidez”.

Ela sorriu. “Obrigada por toda a ajuda dra”. E depois despediu-se.

 

Fiquei confusa e perguntei-lhe se tinha percebido e o que queria fazer.

“Nada” disse com convicção.

E depois confessou-me que iria dizer ao marido que o problema era dela, que os exames dele estavam normais, e que ia ser difícil terem filhos, mas que a vida ia continuar.

Que não lhe podia dizer que ele não podia ter filhos porque o ia perder. E o que eles tinham era algo insubstituível. Aceitava que não teria filhos mas ficaria com o amor da sua vida. E porque não adotar?

 

Saiu tranquila e a sorrir, deixou-me a pensar nas escolhas que fazemos na vida.

20.03.19

Sabes que está a ficar velha quando...


Sofia Serrano

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... vais a uma aula de localizada e o raio da ciática não te deixa fazer determinado exercício. Perguntas à professora qual será a melhor alternativa para não ter dor e ela aponta para as avós da aula e comenta : “pois, aquelas senhora também estão com o mesmo problema’ . ...


Como quem diz que tudo o que é malta nova vai ficar com um bum-bum impecável para o verão, mas a terceira idade tem de se conformar com as leis da gravidade.


Não há volta a dar. A pessoa aproxima-se dos quarenta e é isto.

(Vou só ali encher-me de suplementos de colagenio, tinta para o cabelo, sumos detox e ver uns episódios do Beverly Hills 90210 a ver se volto atrás uns aninhos.)

08.03.19

Dia da Mulher.


Sofia Serrano

Hoje é dia da mulher.
Um dia que representa a luta pelos direitos das mulheres, pela igualdade.
Mas a igualdade é algo que não existe.
E eu digo que devemos lutar pela diferença.
Porque homens e mulheres são biologicamente, fisiologicamente, emocionalmente diferentes.
É impossível querermos ser iguais aos homens. Eles nunca vão experimentar a sensação de ter um ser a crescer dentro de nós, de o sentir mexer. Nunca vão ter uma ligação tão especial como uma mãe tem ao seu filho, ligados pelo cordão umbilical e pelo coração. Não vao conseguir amamentar, não têm as flutuações hormonais que as mulheres têm, nem a sensibilidade perante o mundo. Não vamos conseguir fisicamente ter o mesmo desempenho que um homem nos mais variados desportos. Temos interesses diferentes, perspectivas diferentes. Eles têm umas características, nos outras - nem melhores, nem piores, só diferentes. E cada mulher e cada homem é único, e não me parece que a solução para um futuro perfeito seja estereotipar toda uma sociedade.
É preciso lutar pelas diferenças. Reconhecê-las, valorizá-las. Dar oportunidades a cada um de acordo com as características individuais. Respeitar, dar liberdade, reconhecer direitos.
Uma mulher pode ser o que quiser: uma trabalhadora de topo, que vive para o trabalho e é a melhor na sua área, uma mãe a tempo inteiro que tem os filhos como a prioridade da sua vida, uma mãe trabalhadora com tempo para os seus filhos com um horário e salário adaptado às duas facetas da sua vida.
Eu sou diferente das minhas colegas de trabalho, das minhas amigas. Tenho as minhas opiniões, que nem sempre coincidem com as do homem cá de casa ou com as dos meus amigos.
Somos todos diferentes, homens e mulheres. E isso é bom.
O que merecemos é sermos todos felizes, e é por isso que devemos lutar todos os dias.
Feliz dia da mulher.

 

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