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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Confissões de uma médica #5

17.08.15 | Sofia Serrano

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Sempre gostei daquele conceito do médico tradicional: aquele que ia de casa em casa, que tratava as pessoas (com cuidados médicos ou só com uma boa conversa) , que era mais do que um cuidador mas também um amigo, e cujos serviços eram pagos com um presunto, couves portuguesas, ovos ou galinhas.

Gosto do conceito (provavelmente romântico e idealista) de um mundo sem dinheiro. Um mundo que não dependesse do preço dos barris de petróleo ou das taxas de juro do banco europeu. Onde não houvesse resgates e cortes salariais.

No meu mundo ideal, não haveria moedas, ou notas, ou cartões de crédito.

 

As pessoas podiam viver em comunidades e trocavam serviços.

Eu sou médica obstetra e podia fazer um parto à costureira da cidade e receber em troca peças de roupa para os meus filhos. O senhor do talho trocava carne por legumes e o jardineiro aparava as sebes da casa do professor que dava aulas de inglês aos seus filhos.

Gosto de acreditar que todos podíamos ser mais felizes assim. Sem andarmos a pensar se vamos ter o nosso ordenado novamente reduzido neste mês. Ou se vamos pagar mais ao banco no próximo mês porque a taxa de juro vai aumentar.

Neste meu mundo ideal, provavelmente, não teríamos tecnologia de ponta. Mas também não passaríamos fome. E podíamos voltar a ter uma terra nossa para cultivar, e a falar com as pessoas que moram ao nosso lado - e que raramente vemos no stress desta rotina diária de andar a correr de um lado para o outro, num esforço para termos dinheiro para sobreviver até ao fim do mês (e para continuar a manter esta sociedade dinheiro-dependente).

 

 

 

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