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Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Confissões de uma médica #7

As urgências de um hospital são, por definição, locais de adrenalina. Onde a resposta tem de ser rápida, imediata, eficaz. O médico, o enfermeiro, o assistente operacional, toda a equipa tem de estar coordenada e a trabalhar para o mesmo fim.

Eu gosto de fazer urgência. Acho que consigo ser um bom elemento em situações de stress. Mas muitas das vezes ponho-me a pensar qual é o segredo para conseguirmos que as coisas corram bem? Ou o que é que não funcionou se tudo corre mal? De quem é a culpa? Como é que conseguimos salvar uma grávida e o seu bebé quando temos um descolamento de placenta grave que põe em risco os dois, por exemplo? As respostas não são simples, mas existem.

Funcionamos como uma cadeia em que o primeiro elemento tem de reconhecer a situação e depois toda a equipa tem de se coordenar para dar resposta ao problema. Não se pode perder tempo e temos de conhecer o local de trabalho, o material de que dispomos. Saber de cor e salteado todos os passos do que estamos a fazer. E temos de ter um bom líder.

Os líderes são fundamentais – e nada de se pensar que o líder é o chefe, porque até pode nem ser. O chefe é chefe porque sim. Mas todos sabemos reconhecer um líder: consegue motivar, organizar, conduzir. As equipas funcionam bem muito à conta do líder.

 

O líder tem carisma. Consegue compreender a situação, a envolvência, e tirar o melhor partido dela. O líder consegue fazer rapidamente o diagnóstico de um descolamento da placenta pela clínica (dor, contração, perda de sangue), consegue organizar rapidamente a equipa (uns tratam do internamento, outros das análises, um canaliza as veias, outro faz a reserva de sangue, chama o anestesista e prepara o bloco). Até pode nem ser o líder a fazer a cesariana emergente e a conseguir fazer nascer aquele bebé em risco e a equilibrar aquela grávida hemodinamicamente instável, mas conseguiu passar claramente a todos a mensagem do que era preciso fazer, mantê-los motivados e focados, para no fim terem sucesso, cada um com o seu papel.

E isto é válido para a vida em geral. Quando estamos no serviço de urgência, ter um bom líder é crucial.

Chefes há muitos. Líderes há poucos. E são essenciais.

 

 

 

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