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Café, Canela & Chocolate

O site da autora Sofia Serrano. Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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O site da autora Sofia Serrano. Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

E os primeiros beijos?

Avatar do autor , 16.09.20

 

Hoje tive um dia de folga. Levei os miúdos à escola, que começou esta semana, depois de meses em casa, fechados e limitados socialmente por causa do coronavirus - como todos os outros miúdos e pessoas no mundo inteiro. A escola, a família e todos, a cumprir as novas regras numa tentativa de regresso à normalidade - que não é nada normal.

 Tinham visto recentemente um filme, sobre adolescentes que se conheciam, ficavam amigos e que acabavam inevitavelmente num primeiro beijo apaixonado.

- E agora mãe? - dizia a minha filha. - Como vão ser os primeiros beijos? Estamos todos de máscara, todo o tempo. Aquela envolvência que leva duas pessoas a beijarem-se não vai existir se estiverem ambas de máscara...ou vai?

Confesso que já tinha pensado em como tinhamos de mudar muitos pormenores do dia a dia por causa da Covid-19. Máscaras, gel, distanciamento social. Limitar idas a sitios com muita gente, tipo supermercados e restaurantes. Limitar as viagens que adoramos fazer. As aulas de educação física, os treinos de hip-hop e o futebol com novas regras.  No meio de tudo isto, não me tinha lembrado dos primeiros amores, dos primeiros beijos, que acontecem nos corredores da escola. De dar as mãos às escondidas. Do toque, aquele que precisa de proximidade. Das conversas e gargalhadas sinceras.

As paixões fazem parte das nossas vidas, ajudam-nos a crescer. Os amores e desamores moldam a nossa personalidade e o afeto conta muito para definir quem somos. Os adolescentes precisam disto, todos nós precisamos de sentir.

Mas o que é que posso responder, como mãe e como médica? Sabendo que estamos no meio de uma pandemia, que temos todos de nos proteger, e que não fazemos ideia quando é que isto tudo vai acabar?Que é preciso usarem máscara, que têm de manter a distância de segurança, que não podem andar de mãos dadas? Que os intervalos são curtos e quase nem têm tempo para ir à casa de banho? Como é que conseguimos um "normal" para estes miúdos que estão a crescer, que precisam de se apaixonar e que sonham um dia com um primeiro beijo? Estes miúdos que já vivem praticamente dentro do telemóvel e que precisam tanto dos amigos e dos afetos para saírem da realidade virtual para a vida real?

 

Sinceramente não sei. 

Se calhar, os primeiros beijos vão ter mesmo de esperar. Mas assusta-me não saber até quando.

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