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Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Não sei que mundo vou deixar aos meus filhos

Lembro-me de ser pequena e de gostar de estudar História com o meupai. Gostava em particular das conquistas dos Portugueses nos Descobrimentos,do nosso não conformismo com o que tínhamos e o desejo de ir mais além, mesmoque isso implicasse mergulhar no desconhecido.
Lembro-me de achar que cada facto histórico era uma pedra numcaminho a construir para um mundo melhor. E o meu pai contava-me pormenores quenão apareciam nos livros de História e eu adorava.
Sempre achei que a nossa missão era viver bem neste mundo. Comrespeito pelos outros. Com respeito pela natureza. Com respeito por nóspróprios. Que cada ano que passava estávamos a contribuir para um mundo melhor,para estarmos melhor no nosso país, na nossa Terra. Para sermos melhorespessoas.
Mas quando paramos para olhar à nossa volta, nesta correria do diaa dia, apercebemo-nos que as nossas conquistas históricas se têm vindo aperder. Deixamos o mar, porque nos disseram para o fazer. Deixamos de produzirlocalmente. Deixamos de nos ouvir uns aos outros. Passamos o dia com a cabeçaenfiada na areia, entre o stress do trabalho, do trânsito, da tecnologia. Nãosabemos o nome dos vizinhos, comemos fast-food e passamos os dias em frente aoecrã - do computador, da TV, do iPad, do telemóvel. Há lixo que se acumula dasembalagens excessivas que os objectos trazem. Gastamos os recursos que oplaneta não tem. E a honra, a confiança e a solidariedade são palavras compotencial para desaparecerem do dicionário.
Não sei que mundo vou deixar aos meus filhos.

A única coisa que eu sei que mantemos e que lhes quero ensinar,porque tem potencial para fazer mudanças assombrosas, é a palavra "esperança".
(também podem ler esta e outras crónicas aqui)




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