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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

O maior desafio da vida começou há 6 anos

18.09.14 | Sofia Serrano

Tive de fazer o teste antes de ir fazer exames que envolvessem radiações. Histerossalpingografia, um nome comprido para um exame chato para quem anda nesta batalha da infertilidade. Tinha acabado de chegar ao estágio, e era o meu dia de fazer estes exames, porque a outra médica tinha um contratempo. Era o primeiro dia de atraso, e se calhar até ia deixar passar mais antes de me meter na aventura dos tracinhos. Mas radiações e uma potencial gravidez não jogavam bem. E a medo, lá confessei que precisava de ir fazer xi-xi para um copinho ( e imaginei que naquele momento eu parecia a interna que-estava-a-arranjar-uma-desculpa-para-não-trabalhar).
Dois tracinhos.
Dois tracinhos!
A sério?
Era mesmo a sério!

E pronto, este é o momento em que tudo muda. 
Impressionante como 2 traços têm este poder.
De repente, o mundo parece diferente, nós ficamos diferentes, as hormonas ficam diferentes e começa o maior desafio de sempre - ser mãe. 
Ser a tua mãe. 

Foi uma verdadeira aventura estar grávida e sentir-te crescer na minha barriga. Ter enjoos e emoções à flor da pele. A ansiedade de saber se está tudo bem. Ouvir a primeira vez o teu coração na ecografia (eu que já fiz tantas, chorei ao ouvir pela primeira vez o teu!)
Lembro-me de finalmente ter contado que estávamos à tua espera - a tua avó disse-me que tu ias nascer no dia de anos dela. Eu, com as minhas certezas, disse-lhe que nem pensar, ias nascer de certeza antes, não ias esperar até as 41 semanas.
Mas esperaste. E estavas tão confortável na barriga da mãe que ainda tive de induzir o parto - e começamos a indução no dia 17. Mas depois de experimentar os comprimidos, soros, injecções e tantas outras coisas que mandamos fazer às grávidas (passar por todas elas dá-nos uma perspectiva completamente diferente), acabaste por nascer, já depois da meia-noite. No dia dos anos da tua avó, tal como ela disse. 50 anos depois dela nascer.
Quando te vi pela primeira vez ( e não choraste logo), tive um medo brutal que algo estivesse errado. Mas ouviste a voz do pai. Abriste muito os olhos. Reconheceste a voz dele. E lá choramingaste um bocadinho. Nunca foste de grandes choros. Ele vestiu-te - com ajuda preciosa, porque subitamente era incapaz de apertar botões pequeninos, achava-te tão frágil. Mas eras forte. Sempre foste forte, decidida. Sabes o que queres. Amámos-te desde os tracinhos e o amor cresce a cada dia que passa. Cresceu quando te sentimos pela primeira vez na minha barriga. Quando nasceste. Quando te pegamos ao colo a primeira vez. Quando sorriste para nós pela primeira vez. Quando começaste a gatinhar, a andar, a falar. A cada conquista, a cada instante, a cada dia. Amamos-te cada vez mais. 

Hoje é o dia do teu aniversário. Aquele dia especial.
Fazes 6 anos, está uma menina crescida.
Adormeceste com dificuldade, numa excitação de quem vai acordar para o seu dia especial. Estás ansiosa por ver o bolo, por ouvir os amigos a cantar os parabéns. Pela festa. Não pediste presentes. Só querias que chegasse este dia especial. O teu dia.
E o dia que partilhas com a tua avó.

Parabéns meu amor.
Que sejas sempre feliz.

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