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Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Sim, eu durmo no hospital

Há dias de urgência que são incrivelmente agitados, em que simplesmente, por mais rápido que trabalhemos, há sempre (muita) gente na sala de espera, que às tantas desespera. E um ritmo acelerado todo o dia faz com que o desejo de parar 5 minutos para comer, ir à casa de banho, ligar para casa para saber dos miúdos ou simplesmente respirar se torne numa necessidade básica.  
É exactamente nesse momento em que estamos a falar com o mais pequeno para saber como foi o dia, em que aproveitamos o telefonema para saber se a cópia da miúda correu bem e ao mesmo tempo tiramos um café para aguentar mais 12 horas de trabalho até ao outro dia de manhã, que há alguém que nos vê da sala de espera, e que acha que é um desrespeito os médicos estarem a beber café em vez de trabalharem. Juro que nestes momentos respiro fundo e simplesmente continuo, mas tenho vontade de convidar essas pessoas a passarem algumas horas comigo para perceberem esta vida de médico. 
E quando finalmente a agitação acalma e tudo está orientado, o cadeirão do bloco de partos surge na minha mente em modo miragem, como se estivesse bem ali a minha cama, a cama mais confortável do mundo. E sim, sou capaz de adormecer instantaneamente, como se estivesse na minha casa, para minutos depois me levantar num salto e estar pronta para internar mais uma grávida em trabalho de parto. 
Sim, os médicos também são pessoas. Também precisam de comer, ir à casa de banho, dormir. O amor à profissão não é suficiente para nos tornar sobre-humanos. E sim, também dormimos no hospital, sempre que podemos, para conseguirmos dar o nosso melhor quando é preciso.

                                     

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