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Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

O segredo

  Parece que um segredo permanece segredo desde que se partilhe somente entre 3 pessoas. Verdade. Disse-me uma futura avó, que acompanhava um casal que veio fazer ecografia, e que não queria saber o sexo do bebé. ( Ver mais... ) 

Confissões de uma médica #12

"Normal" é uma palavra complicada. Não gosto muito dela. Normal é o quê? A maioria? O percentil 50? O mais frequente? A maioria das pessoas acha que se está "normal" então está tudo bem. É normal passarmos os dias a trabalhar, é normal estarmos cansados, é normal os miúdos serem mal educados. É normal os políticos serem todos muito parecidos e não mudarem praticamente nada na nossa vida em geral, é normal esperarmos horas para sermos atendidos num hospital público. É (...)

Não há más mães - um post sobre mamas

  Já perceberam que não sou fundamentalista. Não acho que as coisas tenham de ser pretas ou brancas - o cinzento também é uma cor e não gosto de dizer "eu nunca vou fazer isto". Não sei o que o dia de amanhã me reserva. Muito se fala de amamentação. Uns porque sim, tem se ser, sob qualquer circunstância, porque (...)

Quando é preciso esconder a gravidez

Costumo dizer às futuras mães que todas as gravidezes são diferentes. Até a mesma mulher, cada vez que espera um novo bebé, vai viver esta fase de forma diferente.  É impossível comparar barrigas, sintomas, alterações de humor. A ciência não prevê o que vai acontecer em cada gravidez - pode dar uma probabilidade, mas nunca há certezas de nada.  Há grávidas tranquilas, grávidas que passam 9 meses a vomitar. Grávidas que brilham, exibindo orgulhosamente a sua barriga, (...)

Poder chamar o pediatra a casa: Knok

Esta altura no ano, com frio e chuva, é altura de miúdos doentes. Começam com ranhos e tosses, depois há otites, amigdalites e toda uma série de doenças com nomes mais ou menos complicados. Para quem tem miúdos pequenos, já se sabe que o inverno é uma altura particularmente difícil. A grande maioria das doenças são coisas virais e pouco graves, mas na verdade, eu gosto sempre da opinião do pediatra. Confesso que não gosto muito de os levar às urgências pelas coisas mais (...)

Os impossíveis da medicina

Na faculdade de medicina ensinam-nos probabilidades e bioestatística. Ensinam-nos que há acontecimentos altamente improváveis, mas muitos de nós, médicos, gostamos de dizer "lamento, mas é impossível acontecer". Provavelmente pela sensação de poder, de determos o conhecimento e a verdade. Mas poucos médicos mantêm este tipo de discurso, porque estatísticas são estatísticas, e pessoas são pessoas. E a vida é uma coisa complexa, que nos vai ensinando a nunca dizer nunca. (...)

Confissões de uma médica #11: o ano velho

Não faço listas de decisões para o ano novo. Gosto de andar com calma e tranquilidade, saborear os dias sem grandes planos. Talvez porque a vida nos vai ensinando que cada dia é imprevisível, e que tudo pode acontecer - um dia péssimo pode-se transformar em maravilhoso, um dia que tinha tudo para ser o melhor de sempre pode subitamente tornar-se no pior. Mas quando começam a chegar os últimos dias do ano, apetece espreitar por cima do ombro para o que passou. E 2015 foi um ano de (...)

Confissões de uma médica #10

Quando começamos o curso de medicina, respiramos medicina. Nada nos desvia a atenção do nosso caminho. Livros, estetoscópios, exames, histórias clínicas. Passamos todos os instantes a aproveitar tudo o que aquele caminho, que escolhemos e que é árduo, nos proporciona. Depois, quando nos tornamos médicos, continuamos a aprender todos os dias. E acima de tudo, aprendemos com as pessoas que tratamos, para além de com todas as outras com quem trabalhamos. De repente, apercebemo-mos (...)

Confissões de uma médica #9

Sou boa no inglês, desenrasco-me com o francês, dou uns toques de espanhol. Apercebi-me, quando vim morar para o sul, que precisava mesmo saber muitas línguas, porque todos os dias há grávidas de nacionalidades diferentes que precisam de um obstetra. É fantástico conhecer grávidas do Egipto, do Nepal, da Ucrânia e de El Salvador no mesmo dia. As grávidas da Guiné trazem uma espécie de cinto protector da gravidez, as holandesas querem tudo o mais natural possível. Eu faço a (...)