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Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Faz o que te faz feliz

  A minha relação entre ser médica e blogger/escritora é mais ou menos o que está expresso nesta frase. O meu amor é a obstetrícia e não a troco por nada no mundo, mas de vez em quando gosto de encarar novos desafios, conhecer novas pessoas, dar voz à minha alma - e aí salto para o blog e para o computador para escrever desenfreadamente, partilhar ideias, descobrir o mundo.   Mas volto sempre.   Volto ao corredor dos hospitais, às corrida pelas escadas com o coração a (...)

Confissões de uma médica: os verdadeiros heróis

  Sou uma médica chata. Daquelas que repete muitas vezes a mesma coisa. Em particular, quando chegamos ao 3º trimestre de gravidez, faço questão em repetir em todas as consultas antes da grávida/casal/família sair a mesma lengalenga:   "Por favor estejam atentos aos movimentos do bebé - é a maneira de sabermos que ele está bem. E se houver perda de sangue ou de líquido, contrações de 10 em 10 minutos durante 1 hora, dores de cabeça fortes, alterações da visão, inchaço (...)

As verdadeiras razões porque os médicos se atrasam nas consultas

  Gosto de chegar a horas a todo o lado. Aliás, sempre tentei chegar um bocadinho antes do combinado aos meus compromissos. Gosto de ter tudo organizado, e acho que a maternidade ainda fez com que viva o meu dia a dia com um horário mais apertado e sem grande margem de manobra entre escola, trabalho, refeições, ginásio, futebol, ginástica e afins. Mas sei que há coisas que não consigo controlar. E aprendi com o tempo que tenho de ser flexível e adaptar-me, para poder ser a (...)

Confissões de uma médica: quando a vida nos surpreende

Uma urgência, a altas horas da noite. Daquelas urgências caóticas em que o trabalho não pára. Chamo a próxima paciente, reparo pela ficha que é uma adolescente de 15 anos. Vem com a mãe, encolhida, com as mãos na barriga. Não olha para mim, mas percebo que não está bem. A mãe toma a palavra e diz-me que a filha está desde o jantar com fortes dores de barriga.  Que tem andado muito inchada, que pode ser uma apendicite. Não melhorou com os analgésicos que lhe deu. Está (...)

À noite, no hospital

  O que se passa num hospital à noite? Basicamente tudo e nada. Podemos percorrer os corredores silenciosos e sentir a tensão do espaço - aquele silêncio que antecede uma explosão de adrenalina, que surge sem aviso prévio. E se num instante tudo parece estar sossegado, no segundo seguinte há um código vermelho e uma invasão de gente a cumprir o seu trabalho o mais rápido e eficazmente que sabem para que se possam salvar vidas. Para que a grávida com o súbito descolamento de (...)

Dicas para (tentarmos) ter um parto perfeito

  Lancei um desafio no instagram: o de partilharem se o vosso parto tinha sido como sonharam, e se não, o que mudariam. Recebi centenas de respostas maravilhosas, a mostrar todos os lados da obstetrícia: o bom, o mau, o mais ou menos, o imprevisto e aquele que não se conseguiu mudar.  Na verdade, todas as respostas acabam por ter um ponto comum: o de todas as mães e pais referirem que mesmo nas más (...)

Data (im)prevista de parto

  Quando o teste de gravidez dá positivo, uma das primeiras curiosidades que queremos ver esclarecida é a data do parto: afinal, quando é que o bebé vai nascer? Qual o dia certo?   Os obstetras calculam a data do parto 40 semanas após o primeiro dia da última menstruação. Andamos munidos de uma rodinha que nos auxilia nas contas e geralmente dizemos que esse dia é a "data provável do parto".  "Provável", porque sabemos que só 20% dos bebés irá efetivamente nascer nesse (...)

O que importa é que venha com saúde?

Sempre me lembro de ouvir esta frase, desde pequena, no que a grávidas diz respeito : "Não interessa se é menino ou menina, o que importa é que venha com saúde". Faz parte do trabalho dos obstetras assegurar exatamente isso. Por isso, quando estou a fazer uma ecografia morfológica tenho uma ordem estabelecida na minha mente para avaliar o bebé de uma ponta à outra sem perder pitada, e poder dizer no final do exame aos pais que, pelo que podemos ver,  "está tudo bem". É sempre (...)

Das coisas boas da medicina

Muita gente acha que os médicos têm de ser frios. Duros como pedra. Que aprendem a não sentir e que não têm qualquer ligação com os pacientes. Que é isto que nos ensinam na faculdade: a manter a distancia. Que só assim conseguiremos ser bons no que fazemos, porque nos focamos no diagnóstico e no tratamento, e não nos distraímos com a pessoa.   Na realidade, das coisas que mais gosto na medicina, é esta oportunidade de conhecer as pessoas. Sim, tenho de fazer ecografias, saber (...)

Baby brain: o que muda no cérebro das mães

Sabemos que ficar grávida é entrar num novo mundo: o que podemos e devemos comer, o que vestir, como cuidar do nosso bebé, que cremes usar, os carrinhos ideais para os passeios, as camas que garantem um melhor sono, e muito, muito mais. Amigos, familiares e até desconhecidos adoram dar-nos palpites e opiniões, comentar experiencias de parto, falar das noites sem dormir, do quanto devemos engordar.   Mas ainda há um assunto muito pouco falado: o baby brain. E o que é isto?   Durant (...)