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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

07
Jun18

5 coisas que se aprendem à medida que os filhos crescem


Sofia Serrano

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Foto- João Lima, para a ACTIVA

 

1. Que as mães têm uma saúde de ferro, caso contrário cada vez que aparece o número da escola dos miúdos no ecrã do telemóvel teríamos um enfarte, de tão rápido que bate o nosso coração. Para além disso, estaremos capazes de participar num qualquer campeonato mundial de apneia, visto que sustemos a respiração desde o momento em que o telefone toca até nos certificarmos que está tudo bem com as nossas crias - e que, afinal, era só para avisarem que a professora de teatro ia faltar.

(Aquele "está tudo bem!" ao início não resulta, só descansamos mesmo no final da conversa!)

 

2. Que aquela história de existirem crianças sempre bonitas e arranjadinhas é um mito - e que mesmos nos dias importantes, com roupa de festa vestida e com mil recomendações ("Vê lá não te sujes!"), ao fim de 5 minutos há relva nas calças e nódoas no vestido. (também aprendemos que é sempre boa ideia ter uma muda de roupa na mala do carro!)

 

3. Que com crianças é impossível fazer planos. Ou melhor, podemos planear viagens, férias, passeios ou meramente um simples almoço, mas à última da hora há sempre um imprevisto, e é preciso improvisar uma solução - como acampar na sala quando o filho fica cheio de febre e com uma amigdalite daquelas no momento em que estavamos a carregar o carro e preparados para sair para umas férias no parque de campismo.

 

29
Mar18

As mães não têm férias


Sofia Serrano

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Factos das manhãs de férias: não são manhãs de férias. 

 

O miúdo acorda e chama pela mãe - só para perguntar se pode ir à casa de banho. Voltamos para a cama. Chama pela mãe novamente - quer saber se pode ir ver TV (podes!).

Volto para a cama porque ainda nem são 8:00 (miúda felizmente ainda dorme, a pré-adolescencia afinal tem coisas boas).

 

Miúdo chama outra vez porque tem fome. Mãe vai preparar pequeno almoço. E volta para a cama na esperança de dormir mais um bocadinho...mas depois miúda acorda e tudo recomeça.

 

Já devia saber: mães não têm férias.

 

 

 

16
Jan18

Confissões de uma médica #19: as prioridades dos médicos


Sofia Serrano

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Quando fazemos o juramento de Hipócrates, declaramos  "A saúde do meu doente será a minha primeira preocupação". Juramos com emoção neste momento que marca o início do nosso percurso como médicos, e acreditamos que nada nos vai fazer desviar deste caminho.

Mas a medicina não é nada linear e muito menos o trabalho dos médicos.

 

Todos os dias, lutamos para que a marcante frase seja verdade, tentando contornar escassos recursos nos hospitais, falta de pessoal, falhas nos programas informáticos, exaustão.

 

Tentamos que esta frase seja verdade mesmo quando nos exigem que realizemos consultas em 5 minutos.

 

Tentamos que seja verdade quando não paramos para almoçar para evitar que o tempo de espera aumente - e já nem o croquete ou a empada nos mata a fome num intervalo às quatro da tarde, porque o governo achou prioritário proibir a venda deste tipo de alimentos no serviço nacional de saúde, ao invés de promover a venda de alimentos saudaveis ou mesmo - na loucura! - de contratar mais pessoal para conseguirmos manter o SNS a funcionar e conseguirmos todos ter tempo para uma refeição saudável e completa a horas decentes.

 

 

 

 

25
Abr17

A corrida das mães!


Sofia Serrano

Dia da Mãe (44).JPG

 

Os dias são uma constante corrida. E a classificação das mães é, quase sempre, esta:

- As mães são sempre as primeiras a ouvir a tosse do filho durante a noite, ou o choro por ter perdido a chucha ou por ter tido um pesadelo.

São as primeiras a chegar juntos dos filhos quando começam a ter febre.

São as primeiras a levantarem-se de manhã, porque mesmo que os filhos já tenham acordado, precisam sempre da ajuda da mãe para ir à casa de banho, vestir-se ou ligar a televisão.

- As mães são sempre as últimas a ficar prontas de manhã - porque primeiro preparam as mochilas dos filhos, ajudam-nos a lavar a cara, os dentes, a pentear-se, fazem o pequeno almoço, ajudam a vestir, resolvem birras matinais e só depois, nuns míseros cinco minutos porque já não há tempo para mais, ficam prontas para sair para o trabalho.

- As mães são sempre as primeiras a saber que o seu filho está a ficar doente, porque mesmo que ainda não tenha febre nem tosse, há alguma coisa que lhe diz que há algo errado.

- As mães são sempre as últimas a terminar uma refeição - porque durante a mesma, serviram os filhos, ajudaram a comer a sopa, cortaram a carne, ajudaram a terminar os legumes e ainda descascaram a fruta.

E só depois conseguiram avançar para o seu prato e terminar a refeição, com a comida já fria, claro.

 

20
Abr17

Dia das profissões na escola do miúdo


Sofia Serrano

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O mais pequeno está a falar sobre as profissões na escola. Os pais foram convidados a dar a conhecer a sua profissão, e hoje foi a minha vez de lá ir explicar o que era isto de ser médica obstetra.

Ele ajudou-me a preparar a apresentação em casa. Escolhemos umas imagens para explicar a todos os meninos este mundo dos "bebés na barriga" , e ele quis levar uma bola para os amigos perceberem que o pequeno bebé-feijão cresce até um tamanho considerável, mais ainda se forem gémeos! 

Também lhes expliquei que os bebés estavam dentro de "água" (o líquido amniótico) e que "comiam" e "respiravam" pelo cordão umbilical. Depois, brincamos aos médicos obstetras e grávidas :) e todos aprenderam a explicar às futuras mães o que podem comer, a pesá-las e a apontar os números no livro da Grávida.

Experimentaram fazer ecografias e perceberam como nascem os bebés e o que é preciso que o médico faça quando os está a ajudar a nascer.

 

03
Abr17

Sobre o tempo que passa depressa demais (e não volta para trás)


Sofia Serrano

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Ora bem, sou só eu que tenho a sensação de que o tempo está a passar a uma velocidade vertiginosa?

Ainda ontem era Natal e já estamos em abril?

A verdade é que entre consultas, cirurgias, levar e buscar miúdos à escola, atividades, aproveitar dias bons, os dias e as semanas desaparecem num ápice.

Muitas vezes tento desacelerar: só aquele momento de fechar os olhos e respirar. Mas a verdade é que são poucos segundos, porque pouco depois há outra consulta para fazer ou um miúdo a chamar pela mãe, um telefonema para responder ou um compromisso inadiável.

Dou por mim, muitas vezes, a pensar como seria um mundo com calma. Sem horários nem tarefas obrigatórias. Com tempo. Tempo para tudo: para acordar, para fazer um pequenos almoço e comer com calma, em família. Tempo para aprender nas escola, sem metas curriculares nem pressão, a conversar tranquilamente sobre temas interessantes. Tempo para os pais estarem com os filhos. Tempo para os miúdos brincarem sem pressas. Tempo para não fazermos nada e só ficarmos a sentir o quente do sol na pele e a brisa a soprar no cabelo. Tempo para adormecer com os dois no colo, no sofá, depois de uma história daquelas grandes, que lemos durante vários dias, mas que nunca nos apetece parar.

Já tentei mil e uma maneiras para ter mais tempo, mas sinto que ele me escapa por entre os dedos. Sinto que a vida passa depressa demais. Tenho a sensação de estarmos neste carrossel colorido, que tomou balanço e anda cada vez mais depressa.

 

 

 

 

04
Fev17

O quê, os teus filhos não te deixam dormir no fim de semana?


Sofia Serrano

Perguntas recorrentes. Dramas familiares.

Ora o mundo divide-se entre aqueles que têm miúdos que desde pequenos dormem até ao meio dia, e que dificilmente acordam cedo, e aqueles que são madrugadores incansáveis, e que mesmo ao fim de semana estão a pé antes das 8 - ou até antes das 7, que curiosamente o fim de semana traz consigo o fenómeno do "acordar-ainda-mais-cedo". 

 

Cá em casa, acreditava piamente que quando tivesse filhos, iam ser exatamente como eu: dormir até ao meio-dia era um dos meus desportos preferidos ao fim de semana, ou até durante a semana se tal fosse possível.

Pronto, estava redondamente enganada.

Mais uma para a lista do "a maternidade-não-te-preparou-para-isto".

 

Desde muito, muito pequenos, acharam que o ideal era acordar por voltas das 7. Durante muito tempo, até acordavam a rondar as 6 da manhã e era impossível fazê-los voltar a dormir. Sabem lá como me custou habituar-me a esta coisa de ter dois pequenos madrugadores em casa.

Portanto, para além de despertares noturnos de origem diversa (desde pesadelos, a xi-xis e etc) que implica aprendermos a dormir instantaneamente em duas horas e termos de acordar frescos que nem uma alface de um instante para o outro (ótimo treino para quem faz urgências noturnas!), tornarmo-nos pais implica mudarmos para a outra metade do mundo.

Deixar os sornas e passar para os madrugadores.

 

Claro que há aqueles pais sortudos.

Aqueles que me dizem de boca cheia: "O quê, os teus filhos não dormem até ao meio-dia sempre que podem? Coitada! O melhor é deixarem de dormir a sesta, ou não os deixar ir dormir tão cedo!"

 

Já testamos esta teoria, que à primeira vista me parece logo dos maiores disparates de sempre, porque meter miúdos na cama cedo (por volta das 20:30) é bom para eles e deixa tempo para os pais. E sestas, enquanto as quiserem dormir, ajudam a tudo, desde crescimento a concentração.

Mas pronto, num daqueles dias de jantares de amigos pode acontecer. Deitamo-nos todos tarde e rezamos para que, no dia seguinte, só acordemos depois do sol já estar bem alto no céu.

O que acontece invariavelmente? Acordam ainda mais cedo. E cheios de energia (ao contrário dos pais, que repentinamente tomam consciência que daqui a nada temos 40 anos, e que esta vida de noitadas já não dá para nós).

 

A solução?

Deitarmo-nos cedo também.

Ou esperar pela adolescência, que me garatem que muda este lado madrugador das crianças.

(a ver vamos!)

 

(não se esqueçam, amanhã vou estar com a Catarina Beato na Fnac do Forum Algarve, ás 16:00, a apresentar o nosso livro, apareçam!)

Captura de ecrã 2017-02-04, às 11.12.27.png

 

29
Nov16

Está na altura de convocar os super heróis


Sofia Serrano

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 Foto Pau Storch

 

Porque é que eu não gosto do inverno? Porque para além do frio, da chuva, do vento e dos dias pequenos (que me deixam deprimida), começam aquelas doenças dos miúdos, desde ranhos e tosses a viroses e gastrenterites, que deixam crianças em baixo e pais com olheiras.
A solução?
Mudarmo-nos para um pais tropical (talvez o Brasil?)
Ou então espantar toda esta bicharada com muita fruta e o máximo de tempo possível de brincadeiras ao ar livre.
E em caso de emergência, libertar o super-herói que vive em cada um de nós!
(resmungos de uma mãe que já levou com duas viroses desde o fim de semana e espera ansiosamente pelo regresso do verão!)

 

 

 

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Bem-vindos!

Olá! Sou a M. Sofia Serrano S., Ginecologista-Obstetra, mãe de dois miúdos maravilhosos, apaixonada por escrita. Adoro café, canela e chocolate e aproveitar as coisas boas da vida! Neste blog partilho as nossas aventuras em família, os desafios de ser mãe, dicas para as grávidas e tudo o que é fundamental saber sobre a saúde da mulher. Também conto algumas das aventuras dos hospitais e partilho um bocadinho deste mundo da medicina. Fiquem por aqui!

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