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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

Café, Canela & Chocolate

18
Abr18

Cenas de um consultório


Sofia Serrano

Entra um casal para a primeira ecografia com a filha de 2 anos.

A pequenita já fala bem e vem a avisar que quer ir embora, mas lá se senta ao colo do pai pra ver o que se vai passar ali. A mãe deita-se para fazermos a ecografia do 1 trimestre. Todos olham com expectativa para o ecrã.


Um bebé de 11 semanas dá saltinhos e ouve-se o bater forte do coração.

O pai fica com um sorriso rasgado:


-Vês filha! Olha ali no ecrã!


A cara da pequena ilumina-se de felicidade:


- Pai! É o meu cão! O cão que eu pedi! Não é?


- Não querida, é o teu mano! E está feliz por te ver, até parece que dança!


- Mas eu pedi um cão! Um mano? Não quero!!! E o meu cão onde está? Cãozinho!!!

 

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17
Jan18

Expectativas de irmão mais velho


Sofia Serrano

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Levar o futuro irmão mais velho a uma ecografia de gravidez da mãe pode ser uma verdadeira aventura.

Muitos pais vão cheios de entusiasmo por mostrar ao filho as imagens do irmão que ainda está na barriga. Planeiam filmar a reação e vão entusiasmados com a emoção desse primeiro encontro.

 

A realidade, na maioria das vezes, passa bem ao lado do planeado: os miúdos pequenos muitas vezes acham mais piada ao ecógrafo e aos mil botões com luzes do que à imagem preta e branca no ecrã - e mostram muito pouco interesse pela imagem que os pais lhe dizem ser "o mano".

Alguns assustam-se com o som do batimento cardíaco do bebé, outros é a única coisa que acham piada - e passam o resto do exame a pedir para repetir aquele som de um galope de cavalo a alta velocidade.

Os que têm interesse na imagem fazem muitas vezes uma interpretação - tipo arte abstrata - e às tantas já estão ali a ver um piano ou os dentes do lobo mau.

 

 

 

16
Jan18

Confissões de uma médica #19: as prioridades dos médicos


Sofia Serrano

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Quando fazemos o juramento de Hipócrates, declaramos  "A saúde do meu doente será a minha primeira preocupação". Juramos com emoção neste momento que marca o início do nosso percurso como médicos, e acreditamos que nada nos vai fazer desviar deste caminho.

Mas a medicina não é nada linear e muito menos o trabalho dos médicos.

 

Todos os dias, lutamos para que a marcante frase seja verdade, tentando contornar escassos recursos nos hospitais, falta de pessoal, falhas nos programas informáticos, exaustão.

 

Tentamos que esta frase seja verdade mesmo quando nos exigem que realizemos consultas em 5 minutos.

 

Tentamos que seja verdade quando não paramos para almoçar para evitar que o tempo de espera aumente - e já nem o croquete ou a empada nos mata a fome num intervalo às quatro da tarde, porque o governo achou prioritário proibir a venda deste tipo de alimentos no serviço nacional de saúde, ao invés de promover a venda de alimentos saudaveis ou mesmo - na loucura! - de contratar mais pessoal para conseguirmos manter o SNS a funcionar e conseguirmos todos ter tempo para uma refeição saudável e completa a horas decentes.

 

 

 

 

05
Jan18

Planos para amanhã


Sofia Serrano

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Dizem que vem aí (ainda) pior tempo.

Que é como quem diz frio, chuva, vento, neve, granizo e todas essas coisas que nos transformam em seres enroscados em mantas, a viver em sofás, entre aquecedores e lareira, a devorar séries de televisão - para quem tem filhos o cenário não será assim tão romântico, como se sabe, mas passa por manter entretidos os miúdos dentro de 4 paredes e simultaneamente manter a sanidade mental.

E tudo isto inclui bolo Rei, porque afinal de contas amanhã é dia de Reis e há tradições a respeitar - e eu confesso que faço parte do pequeno grupo de pessoas que adora bolo Rei e frutas cristalizadas (cá em casa sou eu e a Mariana!).

Posto isto, e aproximando-se o final de sexta-feira, seria um destes cenários idealizados para sábado.

 

Só que não.

 

20
Abr17

Dia das profissões na escola do miúdo


Sofia Serrano

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O mais pequeno está a falar sobre as profissões na escola. Os pais foram convidados a dar a conhecer a sua profissão, e hoje foi a minha vez de lá ir explicar o que era isto de ser médica obstetra.

Ele ajudou-me a preparar a apresentação em casa. Escolhemos umas imagens para explicar a todos os meninos este mundo dos "bebés na barriga" , e ele quis levar uma bola para os amigos perceberem que o pequeno bebé-feijão cresce até um tamanho considerável, mais ainda se forem gémeos! 

Também lhes expliquei que os bebés estavam dentro de "água" (o líquido amniótico) e que "comiam" e "respiravam" pelo cordão umbilical. Depois, brincamos aos médicos obstetras e grávidas :) e todos aprenderam a explicar às futuras mães o que podem comer, a pesá-las e a apontar os números no livro da Grávida.

Experimentaram fazer ecografias e perceberam como nascem os bebés e o que é preciso que o médico faça quando os está a ajudar a nascer.

 

03
Abr17

Sobre o tempo que passa depressa demais (e não volta para trás)


Sofia Serrano

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Ora bem, sou só eu que tenho a sensação de que o tempo está a passar a uma velocidade vertiginosa?

Ainda ontem era Natal e já estamos em abril?

A verdade é que entre consultas, cirurgias, levar e buscar miúdos à escola, atividades, aproveitar dias bons, os dias e as semanas desaparecem num ápice.

Muitas vezes tento desacelerar: só aquele momento de fechar os olhos e respirar. Mas a verdade é que são poucos segundos, porque pouco depois há outra consulta para fazer ou um miúdo a chamar pela mãe, um telefonema para responder ou um compromisso inadiável.

Dou por mim, muitas vezes, a pensar como seria um mundo com calma. Sem horários nem tarefas obrigatórias. Com tempo. Tempo para tudo: para acordar, para fazer um pequenos almoço e comer com calma, em família. Tempo para aprender nas escola, sem metas curriculares nem pressão, a conversar tranquilamente sobre temas interessantes. Tempo para os pais estarem com os filhos. Tempo para os miúdos brincarem sem pressas. Tempo para não fazermos nada e só ficarmos a sentir o quente do sol na pele e a brisa a soprar no cabelo. Tempo para adormecer com os dois no colo, no sofá, depois de uma história daquelas grandes, que lemos durante vários dias, mas que nunca nos apetece parar.

Já tentei mil e uma maneiras para ter mais tempo, mas sinto que ele me escapa por entre os dedos. Sinto que a vida passa depressa demais. Tenho a sensação de estarmos neste carrossel colorido, que tomou balanço e anda cada vez mais depressa.

 

 

 

 

24
Nov16

Diz que vem aí a black friday


Sofia Serrano

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O ano passado, nessa tal sexta feira, ao chegar ao shopping, dei por mim a pensar que possivelmente haveria um concerto do Tony Carreira por ali e que ninguém me tinha avisado, tal era o caos no estacionamento. Depois, ao ver filas nas lojas que chegavam à porta, decidi que não era, definitivamente um bom dia para compras.

Este ano não me enganam outra vez.

Black friday é dia de compras on-line: os mesmos descontos, sem filas nem complicações.

Ah, e mais, por exemplo, no Continente há descontos exclusivos para a loja on line! A aproveitar ;)

 

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04
Nov16

Porque é que as ginecologistas não podem ser fashion


Sofia Serrano

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Quando comecei a especialidade de Ginecologia e Obstetrícia, apercebi-me que os médicos com quem trabalhava não usavam anéis. Ou alianças. Pensei que era uma espécie de moda na especialidade - afinal de contas, há hábitos estranhos em todas as profissões.

Depois ouvi um sem fim de histórias de quem tirou a aliança para se desinfectar para uma cesariana de urgência e nunca mais a viu - com as dificuldades associadas em explicar à cara metade que tinha sido uma espécie de acidente de trabalho. 

Deixei de usar anéis depois de ter perdido o meu anel-de-noivado num dos dias de urgência - se calhar é por isso que ainda temos o casamento em atraso ;)

Depois, acabei por deixar de usar relógios, que adorava, porque num dia em que tinha uma série de cirurgias, esqueci-me dele no bloco operatório e passei uma semana a procurá-lo, até o ter encontrado no bolso da bata. 

As pulseiras também começaram a ficar em casa, porque não eram uma boa opção para fazer consultas ou partos.

E depois de um dia inteiro a esfregar unhas, mãos e antebraços nas lavagens cirúrgicas era impossível ter unhas bonitas com aquele verniz top, por isso também desisti desse luxo. Não há verniz que resista 24 horas sem umas boas lascas.

Aquele ar maravilhoso de quem saíu do cabeleireiro também não sobrevive a um barrete cirúrgico, já para não falar de que a roupa gira da moda tem de ser substituída por uma farda verde ou ficar tapada com a bata branca.

Em suma, aprendi que nesta especialidade, quem trabalha tem de deixar o lado fashion de lado - e que o que importa mesmo não são os anéis ou a marca dos relógios, se o penteado está bonito ou se a unhas estão impecáveis, mas o amor é o esforço que pomos no nosso trabalho.

Ser ginecologista não é fashion. Mas é a especialidade mais bonita do mundo.

 

 

 

 

 

 

05
Out16

Sobre miomas


Sofia Serrano

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Os miomas são formações nodulares que surgem a partir da parede muscular do útero. São tumores benignos, muito frequentes nas mulheres : mais de metade das mulheres com 35 anos ou mais tem miomas.

Nem todos os miomas dão sintomas, sendo que a existência de muitos só é descoberta na consulta de ginecologia de rotina anual. No entanto, os mais frequentes são:

 

- menstruações intensas e prolongadas, muitas vezes com coágulos, que podem levar a anemia, que pode ser grave

- aumento do volume abdominal, com sensação de peso ou pressão na zona pélvica

- sensação de pressão na bexiga, com necessidade de urinar mais frequentemente, ou obstipação

- dor nas relações sexuais

 

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Os crescimento dos miomas está dependente dos estrogénios, por isso são mais frequentes na idade fértil, e começam a regredir espontaneamente na menopausa. Têm tamanhos diversos e podem ser submucosos, intramurais ou subserosos, dependendo da sua localização no útero.

 

 

 

02
Out16

Quando nem tudo corre bem: a perda gestacional


Sofia Serrano

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Pensa-se que cerca de 10% das gravidezes clinicamente identificadas terminam em perda gestacional, a grande maioria (cerca de 80%) no primeiro trimestre - uma situação que se designa habitualmente por “aborto”.

Na verdade, o aborto espontâneo é uma das complicações mais comuns da gravidez, ocorre em cerca de 15% das gravidezes e pode ser uma “ameaça de aborto” ou um “aborto em evolução”, um “aborto completo ou incompleto”, ou mesmo uma “gravidez anembriónica” – nomes mais ou menos complicados para dizer que nem tudo está a correr bem.

 

Quando há mais do que três abortos, diz-se que é uma situação de aborto recorrente, e recomendam-se estudos mais aprofundados para esclarecer a situação.

 

O alarme surge quando há uma hemorragia vaginal e/ou dor pélvica. Muitas mulheres têm uma hemorragia no inicio da gravidez, mas nem todas terminarão numa gravidez não evolutiva – é fundamental ser observada por um obstetra, que indicará o que fazer. Numa ameaça de aborto pode ser necessário repouso ou tratamentos específicos, enquanto que se for um aborto em evolução pode não ser preciso fazer nada (a evolução pode ser idêntica a uma menstruação mais abundante) mas há situações em que é necessário internamento e mesmo curetagem.

 

A causa dos abortos espontâneos está muitas vezes relacionada com o tempo da perda:

 

 

Novo livro, em pré-venda!

Bem-vindos!

Olá! Sou a M. Sofia Serrano S., Ginecologista-Obstetra, mãe de dois miúdos maravilhosos, apaixonada por escrita. Adoro café, canela e chocolate e aproveitar as coisas boas da vida! Neste blog partilho as nossas aventuras em família, os desafios de ser mãe, dicas para as grávidas e tudo o que é fundamental saber sobre a saúde da mulher. Também conto algumas das aventuras dos hospitais e partilho um bocadinho deste mundo da medicina. Fiquem por aqui!

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