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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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Um parto-quase-perfeito

02.06.15 | Sofia Serrano
Se eu pudesse escolher, queria ter um parto tranquilo. 

Queria uma gravidez sem stress, e chegar perto das 39-40 semanas e começar com contracções, depois de um dia a preparar o quarto do bebê. 

Queria manter-me descontraída, aguentar as contrações até à última da hora, ir para o hospital e descobrir que já tinha a dilatação completa. Não ter tempo para a epidural, mas ter capacidade de me controlar, tolerar a dor e fazer força na altura certa.  Chorar de emoção com o meu bebe no peito, deixar o pai cortar o cordão.

Hoje foi mais um dia assim, com um parto-quase-perfeito, daqueles que me deixam com uma pontinha de inveja, por não ter tido a sorte de um parto assim. Costumamos dizer que com o pessoal "da casa" , ou seja, quem trabalha no hospital, há sempre alguma coisa que corre fora do planeado. 

Os meus partos saíram completamente deste meu plano-quase-perfeito. Não entrei espontaneamente em trabalho de parto, tive de induzir depois das 40 semanas porque eles não queriam nascer,  a indução demorou, não tolerei a dor, não me consegui controlar como queria, supliquei por uma epidural. Tive um parto por ventosa e depois uma cesariana. Tive complicações da epidural. 

Mas passava por tudo outra vez, pelo momento único em que os seguramos pela primeira vez, sentimos a sua pele macia, o cheiro bom a recém nascido- o que acaba por ser, na mesma, um parto-quase-perfeito, apesar de andar longe do que imaginamos inicialmente.


                     




                                 

    



       


          

 

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